Foi no dia 10 de fevereiro que a Polícia Civil prendeu temporariamente um policial militar por suspeita de participação na morte da ex-mulher Silvana Germann de Aguiar, 48 anos, e dos pais dela, Isail Vieira de Aguiar, 69, e Dalmira Germann de Aguiar, 70.
Quase um mês depois, a Polícia Civil confirmou, na manhã desta quarta-feira (4), que trabalha para pedir ao Judiciário, até a próxima sexta-feira (6), a prorrogação da prisão temporária do PM. Isso porque é necessário que o policial permaneça encarcerado para a conclusão do inquérito.

Foto: REPRODUÇÃO
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Embora o prazo de 30 dias definido pelo Código de Processo Penal para manter um suspeito preso temporariamente se encerre somente na próxima semana, a ideia é adiantar o pedido para que o soldado não saia da cadeia e possa atrapalhar a apuração dos crimes.
Segundo o delegado Anderson Spier, que está à frente da investigação, é necessária a manutenção diante de dados que seguem coletados e das buscas complementares aos corpos vítimas em Cachoeirinha. Silvana sumiu no dia 24 de janeiro, e os pais dela, um dia depois.
“Precisamos mantê-lo preso para concluir o caso”, afirma. “Temos elementos que apontam a participação dele no desaparecimento das vítimas e não há razão para acreditarmos que a Silvana e os pais dela estão vivos após tanto tempo.”
A Polícia trabalha com a hipótese de feminicídio seguido de duplo homicídio do casal de idosos. A partir de denúncias, buscas em três terrenos diferentes já foram organizadas na tentativa de encontrar os cadáveres, mas não houve resultado.
Investigação
Silvana teria saído de casa no dia 24 de janeiro para encontrar um “amigo” em direção a um passeio em Gramado. Um dia depois, após a postagem em uma rede social sobre um acidente na Serra, os pais dela partiram em busca da mulher. Acabaram igualmente desaparecidos.
A Polícia Civil não descarta que o PM teve ajuda nos assassinatos e a posterior ocultação dos cadáveres. No entanto, até o momento, ele é o único investigado pelas mortes, diz o delegado Anderson Spier.
“Já temos elementos para indiciá-lo pelas mortes, porém, o inquérito propõe uma ação penal e, para isso, precisamos entregar o cenário completo do que aconteceu com as vítimas e a dinâmica dos crimes naquele final de semana”, explica.
Entre os elementos, o delegado aponta que a polícia já tem conhecimento de que o celular da vítima nunca esteve em Gramado. Além disso, o aparelho acabou sendo usado no dia posterior ao desaparecimento.
“Acontece que o armazém das vítimas em Cachoeirinha possuía um telefone fixo. Sabemos pelos registros que houve uma ligação no domingo, justamente um dia após o desaparecimento, feita com o celular da Silvana”, aponta. “Acreditamos que esta ligação, assim como a postagem falsa criada na rede social dela, fazia parte do cenário montado para mostrar que a Silvana estava bem e atrair os pais dela para uma emboscada”, argumenta.
Expectativa
Entre os laudos aguardados pela Polícia Civil, estão a quebra do sigilo bancário do suspeito e da vítima; a abertura da rede social da vítima e a análise do sangue encontrado na casa.
“Foram encontradas amostras de sangue na área de serviço da casa da Silvana e na pia dela. No quartinho, [as amostras] pertenciam a um homem, mas as da pia pertencem a uma mulher, mas ainda não sabemos se é da vítima”, frisa Spier.
Motivação
O brigadiano preso temporariamente pela Polícia Civil no último dia 10 acabou prestando depoimento duas vezes na sede da 2ª Delegacia de Polícia de Cachoeirinha.
No primeiro depoimento prestado, como testemunha, ele tratou de explicar sobre a rotina que mantinha com a ex-mulher, já que compartilhavam a guarda de um filho de 9 anos.
Já no segundo depoimento, no último dia 20, o soldado da Brigada Militar valeu-se do direito de permanecer em silêncio ao ser questionado sobre o crime.
Conforme o delegado, dias antes do desaparecimento, houve uma denúncia no Conselho Tutelar feita por Silvana contra o PM, que ignoraria as restrições alimentares do próprio filho.
“Eles tinham um filho em comum e existia uma tensão visível na relação”, explica. “As divergências na criação do menino, relacionadas à alimentação, comportamento e forma de dormir, pareceram piorar nos últimos meses.”