Por volta das 15 horas desta quarta-feira (6), terminou o depoimento de Andrew Heger Ribas no júri popular que julga o duplo homicídio do avô, Rubem Affonso Heger, 85 anos na época, e da companheira dele, Marlene dos Passos Stafford Heger, 54. O julgamento ocorre no Salão do Júri do Foro da Comarca de Cachoeirinha.
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Foto: Juliano Verardi/TJRS
Ribas respondeu às perguntas do juiz, do Ministério Público e do seu advogado de defesa. Durante seu depoimento, negou ter cometido o crime e atribuiu a autoria exclusivamente à sua mãe, Cláudia de Almeida Heger, que faleceu em março deste ano, um dia após deixar a prisão onde estava detida pelo caso. “O que eu falei é que eu não tinha matado, e realmente não matei ninguém”, insistiu.
O acusado insinuou que a mãe teria envenenado Rubem e Marlene em um dia em que ambos foram até a casa do avô, em Cachoeirinha, para almoçar. “Depois do almoço, (Rubem e Marlene) apagaram no ‘sofazinho’ da sala”, relatou o réu. Questionado, Ribas disse que chegou a perguntar para a mãe o que havia acontecido, e ela respondeu que “eles não iriam mais acordar”.
Ribas falou ainda sobre o controle que Cláudia exercia sobre ele. “Minha mãe tinha minha interdição. Ela tinha o controle da minha vida na mão dela”, frisou. Ele explicou que demorou a recordar dos fatos e que só decidiu procurar o Ministério Público para colaborar depois de começar a melhorar seu tratamento psicológico no Instituto Psiquiátrico Forense (IPF), onde está preso depois que foi submetido a um exame de sanidade mental e foi classificado como inimputável.
“Demorei a recordar das coisas. Realmente eu queria falar, e consegui, com a ajuda do meu psicólogo. E por isso fui atrás do Ministério Público para propor uma delação (premiada)”, explicou.
Apesar de negar o homicídio, Ribas voltou a confessar que ajudou na ocultação dos corpos, o que já havia feito durante a delação. “Colocamos os dois nos bancos de trás (do carro) e levamos pra nossa casa. Depois, nunca mais voltei para a casa do meu vô e da Marlene”, sublinha.
Segundo ele, os corpos foram levados até a casa onde moravam, em Canoas, e lá os corpos teriam sido incinerados em uma churrasqueira. As cinzas, afirmou, foram posteriormente levadas para outro local.
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O réu ainda disse que se estivesse ciente de qualquer plano para matar o avô e a companheira, teria impedido. “Se eu soubesse de qualquer coisa, não teria acontecido. Era uma coisa que não precisava. Naquela época, eu estava em ‘parafuso'”, revela.
O Ministério Público acusa Andrew Heger Ribas e sua mãe de terem cometido o crime motivados pela insatisfação de Cláudia com a interrupção do auxílio financeiro fornecido pelo pai. Ribas responde por duplo homicídio qualificado, por motivo torpe e mediante dissimulação, e por ocultação de cadáver.
O desaparecimento do casal em fevereiro de 2022 despertou a investigação da Polícia Civil, que prendeu mãe e filho três meses após o crime.
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O julgamento segue com os debates entre Ministério Público e a defesa. O julgamento deve se arrastar até a noite desta quarta-feira.