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Morte de animais

Saiba o que disse à Polícia ex-secretária do Bem-Estar Animal de Canoas suspeita de autorizar eutanásia de 239 cães e gatos

Polícia Civil ouviu Paula Lopes na manhã desta segunda-feira (8)

Publicado em: 08/09/2025 às 16h:07 Última atualização: 08/09/2025 às 16h:10
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A Polícia Civil dá continuidade, neste começo de semana, à apuração envolvendo as mortes de 239 animais na Secretaria do Bem-Estar Animal de Canoas.

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O caso foi revelado na última quinta-feira (4), quando agentes da 3ª Delegacia de Polícia lançaram a batizada Operação Carrasco.

Investigação em torno das mortes de 239 animais na Secretaria do Bem-Estar Animal de Canoas continua | abc+



Investigação em torno das mortes de 239 animais na Secretaria do Bem-Estar Animal de Canoas continua

Foto: PAULO PIRES/GES

Principal alvo da ação, a ex-secretária Paula Lopes prestou depoimento na manhã desta segunda-feira (8). Conforme a delegada Luciane Bertoletti, responsável pela investigação, a ex-secretária negou as acusações e se defendeu dizendo ser vítima de uma perseguição política.

“Basicamente, ela negou tudo. Todas as imputações. Ela disse que jamais faria isso e imputou todas essas denúncias à situação política”, explica. “Ela resumiu o caso a questões políticas.”

Antes mesmo de prestar depoimento, Paula Lopes já havia se manifestado, por meio das redes sociais, apontando ser vítima do momento político em que vive o Brasil e, por tabela, a cidade de Canoas.

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“Isso é só mais um reflexo do que a política faz. Desde que fui para Canoas, em janeiro, logo nas primeiras semanas já tive que ir para o Ministério Público devido a denúncias”, disse. “As pessoas que perdem algo, não querem perder e começam a fazer denúncias infundadas.”

Ao longo desta semana, a Polícia Civil permanecerá ouvindo testemunhas consideradas importantes para a conclusão do inquérito, avisa a delegada, entre funcionários do Bem-Estar Animal e pessoas que conheciam a rotina na Secretaria.

“O material apreendido na Secretaria do Bem-Estar Animal está em avaliação”, explica. “Estamos ouvindo testemunhas e confrontando com as provas materiais encontradas durante a operação.”

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Investigação

A investigação se concentra nos crimes de estelionato e crueldade contra os animais. Além da ex-secretária, uma veterinária e uma cuidadora, parente da ex-secretária, estão na mira da Polícia Civil.

A veterinária seria a responsável por assinar os procedimentos na Secretaria do Bem-Estar Animal de Canoas, prática excessiva e considerada cruel contra animais doentes que acabavam ingressando no local.

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“O tratamento de um bicho adoentado é muito mais caro que o medicamento para a eutanásia”, explica a delegada. “Pelo que os veterinários falaram, o medicamento custa em torno de R$ 50. Matavam para não ter que tratar um câncer no bichinho, o que custaria muito mais.”

Ex-secretária do Bem-Estar Animal, Paula Lopes está no centro da investigação da Polícia Civil  | abc+



Ex-secretária do Bem-Estar Animal, Paula Lopes está no centro da investigação da Polícia Civil

Foto: PAULO PIRES/GES

Entenda o caso

Foi em março que a Polícia Civil passou a receber denúncias a respeito de animais mortos na sede da Secretaria do Bem-Estar Animal de Canoas, somente dois meses após a secretária Paula Lopes assumir o cargo.

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Os relatos apontavam as mortes de animais doentes por meio eutanásia, uma prática sugerida, em determinados casos. Porém, havia o uso desmedido do procedimento no local.

Durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão nesta quinta-feira, policiais e técnicos do Instituto-Geral de Perícias encontraram 14 animais mortos e acondicionados em sacos plásticos em um freezer.

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“Foram diversas denúncias. Muita gente sabia o que estava acontecendo: uma matança indiscriminada dos animais. Eles eram mortos ali mesmo e depois levados por um caminhão em sacos de lixo”, esclareceu a delegada.

Além da ex-secretária Paula Lopes, estão sendo investigadas também uma veterinária da Secretaria do Bem-Estar Animal, que seria comparsa nos crimes, e uma cuidadora, que seria braço direito de Paula.

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Os mandados foram cumpridos não apenas na sede da Secretaria, mas também na casa da ex-secretária, no Instituto Paula Lopes, na casa da veterinária e também em um sítio, em Arroio dos Ratos, que pertence a uma parente do principal alvo da apuração.

“O sítio é propriedade de uma parente da ex-secretária”, aponta Luciane. “Foram apreendidos, no local, milhares de medicamentos, alguns vencidos, inclusive. Eram treze armários lotados com todo o tipo de medicação para animais.”

Já na casa da ex-secretária, os policiais encontraram R$ 100 mil em dinheiro, o que levanta as suspeitas em cima das denúncias de estelionato e lavagem de dinheiro feitas à Polícia contra Paula Lopes.

Sem posicionamento

A reportagem entrou em contato com o advogado Gilson Araújo, responsável pela defesa da ex-secretária Paula Lopes. Ele informou, entretanto, que ainda não é possível emitir um posicionamento, já que a Polícia negou acesso aos autos do inquérito policial.

O que diz a Prefeitura de Canoas?

A reportagem entrou em contato com a Administração visando obter o ponto de vista da Administração sobre o caso. Em nota encaminhada pela assessoria de comunicação, a Prefeitura de Canoas informa que “recebe com indignação as denúncias relacionadas à operação realizada na manhã desta quinta-feira (4). A Administração sempre se comprometeu a tratar o cuidado com os animais como prioridade. A Prefeitura reitera que colabora com as investigações e abriu um expediente interno para apurar os fatos com todo o rigor.”

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