A decisão da Justiça de conceder liberdade provisória aos dois empresários do ramo calçadista, moradores de Ivoti, presos em flagrante na última sexta-feira (26) por armazenar e compartilhar pornografia envolvendo crianças e adolescentes, segue repercutindo.
Nesta segunda-feira (29), a delegada Luciane Bertoletti, responsável pela investigação e pela prisão em flagrante dos investigados, explicou os motivos que levaram a Polícia Civil a não representar pela prisão preventiva dos acusados.

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
A ausência do pedido de prisão preventiva por parte da autoridade policial foi um dos fundamentos considerados pela Justiça para conceder liberdade provisória aos empresários durante as audiências de custódia realizadas no sábado (27). Em decisões tomadas separadamente, os juízes Daniel Vitor Rizzi Isotton e Thiago Notari Bertoncello chegaram ao mesmo entendimento e determinaram a soltura dos investigados mediante o cumprimento de medidas cautelares.
Segundo a delegada, a decisão da Polícia Civil levou em consideração uma série de fatores. O primeiro deles foi a pena prevista para o crime investigado. Além disso, ela destacou que os dois empresários colaboraram desde o início da investigação e confessaram os crimes. “Eles contribuíram desde o início da investigação, confessando os crimes e entregando todo o material para a gente. Eles se comprometeram a não praticar mais esses crimes e procurar ajuda psicológica”, acrescenta.
CONFIRA AINDA: El Niño traz chuva de 200mm ao RS; veja quanto ainda pode chover
A delegada também ressaltou que a opção por não pedir a prisão preventiva não impede uma futura mudança de entendimento, caso novos elementos sejam descobertos durante a investigação. “Solicitamos medidas alternativas. Eles terão que cumprir determinações como comparecimento periódico em juízo, não se afastar do distrito da culpa e não sair à noite. Isso não quer dizer que, se a situação mudar, a gente não possa representar pela prisão preventiva, mas, ao meu ver, naquele momento, não estavam configurados os requisitos para esse pedido”, explica.
VÍDEO: Motorista erra manobra e capota carro na RS-240; saiba como está o trânsito
Os empresários, de 64 e 47 anos, foram presos durante uma operação da Delegacia da Mulher (Deam) de Esteio, resultado de cerca de três meses de investigação. A Polícia Civil cumpriu três mandados de busca e apreensão: dois em endereços ligados ao empresário de 47 anos, na área central de Ivoti, e outro na mansão do empresário de 64 anos, no bairro Jardim Panorâmico.
Integrante de uma tradicional família do ramo calçadista do Rio Grande do Sul, ele armazenava aproximadamente 100 terabytes de pornografia envolvendo crianças e adolescentes, conforme apontou a investigação.
Conforme a Polícia Civil, os dois pagavam para obter acesso a parte dos conteúdos que baixavam de diferentes plataformas, incluindo a dark web. Após as prisões em flagrante, os empresários foram encaminhados ao Nugesp. No sábado (27), passaram por audiências de custódia e receberam a liberdade provisória.

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
As investigações continuam. Agora, a Polícia Civil aguarda a conclusão do laudo do Instituto-Geral de Perícias (IGP) sobre os computadores, celulares e demais equipamentos eletrônicos apreendidos durante a operação. O material será fundamental para a conclusão do inquérito policial e poderá revelar novos elementos relacionados aos crimes investigados.