A sessão desta segunda-feira (17) na Câmara de Novo Hamburgo expôs novamente tensões internas na base do governo do prefeito Gustavo Finck (PP). O presidente do Legislativo, Cristiano Coller (PP) — considerado um dos principais articuladores do Executivo na Casa — voltou a se posicionar publicamente após divergências registradas nas últimas semanas.

Foto: Divulgação: Moris Musskopf/CMNH
A fala de Coller ocorreu ao usar a tribuna e foi vista como mais um capítulo do desgaste iniciado após sua posição durante votação da Proposta de Emenda à Lei Orgânica (Pelom) nº 2/2025, que tratava da reforma da previdência dos servidores.
O texto foi aprovado por 10 votos a 4, no dia 3 de novembro, e a postura do vereador — que contrariou parte das expectativas do governo — já havia causado ruídos internos.
Críticas às prioridades do Executivo
A sessão de ontem reforçou o distanciamento. Coller, que na semana anterior já havia criticado o atraso nos repasses de R$ 1,68 milhão à 58 unidades de ensino e 65 instituições, ampliou sua avaliação sobre prioridades e condutas do governo municipal.
Em tom crítico, o vereador afirmou que relações políticas se “tensionaram” após sua votação no Pelom, mas disse manter “firmeza e coerência”. Disse continuar sendo convidado para inaugurações do governo, mas destacou que só participará de eventos que considerar relevantes para a cidade, “nunca quando exigir que eu abra mão dos meus princípios”.
“Antes do maior, garantir o mínimo”
Ao longo do discurso, o presidente da Câmara questionou prioridades anunciadas pelo governo, como a realização do Natal e a futura construção da “maior Rua Coberta do Estado”. Para ele, antes de grandes projetos, a cidade deveria garantir o “mínimo”.
“Precisamos perguntar com honestidade: É o momento? É isso que mais precisamos agora? Porque governar não é fazer o maior número de anúncios no menor tempo. Governar é fazer o que a cidade realmente, o que a cidade realmente precisa. E que, muitas vezes, é simplesmente o básico.”
Ele citou ainda problemas na Secretaria de Obras, como a falta de asfalto quente, e atrasos em serviços básicos por falta de materiais ou pagamento. “Ninguém é contra o Natal ou contra a cidade crescer. Mas existem outras prioridades. Enquanto isso, tem gente esperando por um simples lençol ou um medicamento, que custa tão barato e que muitas vezes as pessoas não têm como arcar às vezes com R$10, R$20.”
Sobre a Rua Coberta, estimada em cerca de R$ 6 milhões, o vereador afirmou temer que o espaço se torne “o maior hotel de moradores de rua da cidade” caso não haja vigilância adequada.