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DEMORA

Atrasos no tratamento do câncer: Prefeitos questionam capacidade do SUS após centralização da oncologia em Taquara

Associações de municípios buscam ampliação da oferta de serviços e reavaliação da estrutura de atendimento aos pacientes

Dário Gonçalves
Publicado em: 10/06/2026 às 09h:16 Última atualização: 10/06/2026 às 09h:23
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A articulação entre associações de municípios do Vale do Sinos e do Paranhana colocou a oncologia no centro de uma nova discussão regional sobre a capacidade de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS) na área especializada.

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A mobilização envolve a Associação dos Municípios do Vale Germânico (Amvag) e a Associação dos Municípios do Vale do Paranhana (Ampara), que passaram a defender junto ao governo do Estado a ampliação da oferta de serviços e uma reavaliação da estrutura de atendimento aos pacientes com câncer.

Referência no atendimento é o Hospital Bom Jesus | abc+



Referência no atendimento é o Hospital Bom Jesus

Foto: Arquivo/GES

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Na última semana, o prefeito de Estância Velha e presidente da Amvag, Diego Francisco, recebeu o prefeito de Igrejinha e presidente da Ampara, Leandro Hörlle, para tratar de uma pauta conjunta entre as associações.

O movimento relata dificuldades principalmente em etapas como consultas de retorno, exames complementares e continuidade do tratamento, assim como sobrecarga do sistema e aumento significativo da demanda após a centralização dos atendimentos no Hospital Bom Jesus, em Taquara, quando Novo Hamburgo deixou de ser referência em 2022.

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“Estamos tratando de uma pauta que impacta diretamente a vida das pessoas. Precisamos de uma resposta efetiva para reduzir a espera dos pacientes e garantir que nenhum município fique desassistido diante dessa demanda tão sensível”, afirma Diego.

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Oferta e demanda

Secretário de Saúde de Estância Velha e representante da Região 7 no Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Rio Grande do Sul (Cosems/RS), Yuri Campos afirma que a oncologia é hoje uma das principais preocupações dos municípios, com registros de pacientes que enfrentam atrasos em etapas específicas do cuidado.

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Segundo ele, há situações de espera envolvendo consultas de retorno, exames e procedimentos especializados, o que, na avaliação dos gestores, indica necessidade de ampliação da capacidade de atendimento da rede.

Campos também destaca que os municípios acompanham os casos dentro do que é possível até o encaminhamento ao sistema estadual de regulação, e defende maior transparência e diálogo com o Estado sobre as filas e o fluxo de atendimento.

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O secretário afirma ainda que a oncologia precisa ser tratada como prioridade absoluta e que, apesar do Hospital Bom Jesus ser uma referência regional qualificada, o que se discute é a necessidade de adequar a oferta de serviços a uma demanda que cresceu significativamente nos últimos anos.

“A união entre Amvag, Ampara e Cosems demonstra que os municípios estão comprometidos em construir soluções junto ao Estado, sempre com foco no paciente e na garantia de um atendimento mais ágil, humanizado e resolutivo”, afirma.

A Secretaria Estadual da Saúde e o Hospital Bom Jesus foram procurados, mas não se manifestaram sobre o assunto até o fechamento da edição.

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Pacientes aguardam mais de 60 dias por tratamento

Hörlle afirma que o debate ganhou força após relatos de aumento no tempo de espera para início do tratamento oncológico, especialmente após a absorção de pacientes de outras regiões pelo serviço de referência em Taquara.

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Segundo ele, há registros de pacientes que aguardam mais de 60 dias para iniciar o tratamento, prazo previsto em lei federal como limite máximo para início da assistência no SUS após diagnóstico.

“Esses relatos não surgiram de dados frios, mas sim da preocupação dos próprios pacientes que procuravam as Secretarias Municipais de Saúde para relatar que a espera para começar o tratamento estava demorando muito mais do que o tolerável para uma doença tão agressiva”, comenta.

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Hörlle afirma que a unidade de referência passou a atender uma demanda significativamente maior após a reorganização regional, o que teria contribuído para a sobrecarga do serviço.

No entanto, ele admite que os municípios não dispõem de dados próprios consolidados sobre o total de pacientes em fila, já que a regulação é feita pelo sistema estadual.

Conforme ele, a região da Ampara e da Amvag possuem como referência a Unacon (Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia) do Hospital Bom Jesus para os atendimentos de diversos tipos de câncer.

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Novo Hamburgo deve retornar com oncologia no próximo ano

Os representantes da Amvag e Ampara pretendem tratar do assunto com a Secretaria Estadual da Saúde.

“Precisamos sufocar a fila atual e garantir que os pacientes que hoje dependem desse polo não fiquem desamparados enquanto as soluções definitivas são desenhadas. E, em um segundo momento, uma revisão da organização da rede oncológica regional”, defende Diego.

Entre as alternativas discutidas, está a possibilidade de reconfiguração dos serviços de referência, com retorno de um polo de atendimento em Novo Hamburgo, que já concentrou a oncologia da região até 2022.

A Prefeitura de Novo Hamburgo mantém o objetivo de trazer de volta o serviço para a cidade. A retomada da especialidade foi uma das promessas defendidas pelo prefeito Gustavo Finck durante a campanha eleitoral de 2024. Conforme a prefeitura, a previsão atual é de que o atendimento seja retomado em 2027.

Segundo o Executivo, a Secretaria Municipal de Saúde mantém diálogo com o governo do Estado para avaliar a viabilidade da habilitação do serviço no município. Paralelamente, o Hospital Municipal passa por um processo de estruturação para receber a especialidade, incluindo adequações físicas e a formação de equipes.

Posição de entidades

Entidades que acompanham pacientes oncológicos na região relatam desafios relacionados principalmente ao deslocamento para atendimento fora de Novo Hamburgo, mas também apresentam percepções diferentes sobre a situação atual da rede.

Administradora executiva da Liga Feminina de Combate ao Câncer de Novo Hamburgo, Regina Dau afirma que a ausência de atendimento oncológico pelo SUS no município é hoje uma das principais dificuldades enfrentadas pelos pacientes.

“Consultas, quimioterapia, cirurgias e até situações de urgência exigem deslocamentos para Taquara ou outros municípios, o que representa um obstáculo especialmente para quem não possui veículo próprio”, diz.

Regina também afirma que pacientes enfrentam períodos prolongados de espera, principalmente quando necessitam de procedimentos cirúrgicos, e defende a retomada da oncologia em Novo Hamburgo.

“O câncer avança de forma muito rápida e o número de casos cresce constantemente. Por isso, acreditamos que Novo Hamburgo já deveria ter retomado esse atendimento”, afirma.

Já a coordenadora do Grupo Amigas de Mãos Dadas, Flávia Trevisan, destaca que as entidades não têm acesso aos dados da regulação estadual e, por isso, não conseguem dimensionar eventuais filas ou demanda reprimida.

Segundo ela, os relatos recebidos pelo grupo têm sido positivos em relação ao atendimento prestado pelo Hospital Bom Jesus, em Taquara. “As pacientes que participam do nosso grupo e são atendidas em Taquara relatam satisfação com o atendimento.”

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