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Super El Niño

Cinco dias sob alerta: Temporais colocam RS em risco a partir de quinta-feira

Frente fria, corredor de umidade e ar muito quente devem provocar chuva intensa, granizo, vendavais e risco de alagamentos até o começo da próxima semana

Dário Gonçalves
Publicado em: 15/07/2026 às 07h:00 Última atualização: 15/07/2026 às 07h:27
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“O El Niño vai mostrar suas garras”. É com essa frase que a meteorologista Estael Sias, da MetSul Meteorologia, resume o cenário esperado para o Rio Grande do Sul a partir de quinta-feira (16).

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Temporais fortes podem trazer enxurradas e alagamentos | abc+



Temporais fortes podem trazer enxurradas e alagamentos

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial Arquivo

Depois de uma semana que começou com frio, o Estado deve enfrentar uma sequência de temporais que pode se estender até segunda-feira (20) ou, em algumas regiões, terça, com risco de chuva intensa, vendavais, granizo, microexplosões atmosféricas e alagamentos. Para os meteorologistas, este será o primeiro grande episódio de tempo severo associado ao fortalecimento do Super El Niño.

Massa de ar muito quente sobre as latitudes médias da América do Sul favorecerá tempestades por dias seguidos | abc+



Massa de ar muito quente sobre as latitudes médias da América do Sul favorecerá tempestades por dias seguidos

Foto: Metsul Meteorologia

A previsão indica que diferentes sistemas meteorológicos vão atuar em sequência sobre o Estado. A combinação entre uma frente fria, um corredor de umidade vindo da Amazônia (rio atmosférico) e o avanço de ar mais quente criará um ambiente altamente favorável à formação de tempestades. A faixa que vai da Serra à Região Metropolitana, passando pelos vales e chegando ao Litoral Norte, aparece entre as áreas que exigem maior atenção ao longo dos próximos dias.

Embora o El Niño não provoque uma tempestade específica, ele altera o comportamento da atmosfera sobre a América do Sul. Neste ano, o Oceano Pacífico atingiu níveis considerados historicamente elevados de aquecimento, caracterizando um Super El Niño. Segundo a MetSul, esse cenário favorece episódios mais frequentes de chuva acima da média e aumenta o potencial para eventos meteorológicos extremos durante o inverno e a primavera. A sequência prevista para os próximos dias é apontada como o primeiro grande teste desse novo padrão atmosférico.

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O cenário também é compartilhado pela Defesa Civil Estadual, que emitiu um alerta de “tempo severo”. O aviso é válido durante cinco dias, a partir desta quinta (16) até segunda-feira (20)

Modelos indicam risco muito alto de granizo no final da semana | abc+



Modelos indicam risco muito alto de granizo no final da semana

Foto: Metsul Meteorologia

Atmosfera reúne os ingredientes para tempestades severas

De acordo com a MetSul, o cenário preocupa não por causa de um único temporal, mas pela sucessão de sistemas meteorológicos que atuarão sobre o Estado. Enquanto uma frente fria avança pelo Sul do Brasil, um poderoso rio atmosférico transportará grande quantidade de umidade da Amazônia em direção ao Rio Grande do Sul. Ao mesmo tempo, o ingresso de ar quente fornecerá energia para o desenvolvimento das nuvens de tempestade.

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Essa combinação aumenta o potencial para temporais organizados, capazes de produzir chuva intensa em curto intervalo de tempo. Rajadas de vento entre 120 e 130 km/h a 1.500 metros de altitude (não na superfície) podem causar tempestades repentinas, queda de granizo, elevado número de descargas elétricas e até microexplosões atmosféricas — fenômeno caracterizado por correntes descendentes extremamente intensas que atingem o solo e provocam ventos destrutivos em áreas localizadas.

Para a MetSul, trata-se de um dos episódios de maior preocupação desde o início do inverno, justamente porque diferentes eventos de instabilidade poderão ocorrer em sequência, sem que haja um período prolongado de estabilidade entre eles.

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O que esperar dia a dia

Corrente de jato muito intesa atuará por vários dias | abc+



Corrente de jato muito intesa atuará por vários dias

Foto: Metsul Meteorologia

Quinta-feira

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A mudança no tempo começa a ganhar força graças ao ingresso de ar muito quente na atmosfera desde esta quarta-feira (15). Isto fará com que as primeiras áreas de instabilidade avancem sobre o Estado com o deslocamento da frente fria. Durante o dia, a atmosfera ficará progressivamente mais instável, favorecendo pancadas de chuva fortes e temporais isolados.

No Vale do Sinos, Serra, Região Metropolitana e Litoral Norte, aumenta o risco de chuva intensa, rajadas de vento e episódios localizados de granizo entre a tarde e a noite.

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Sexta-feira

A sexta-feira tende a marcar o início da fase mais crítica da sequência de instabilidades. Com maior disponibilidade de calor e umidade, as tempestades podem ganhar intensidade e organização.

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Segundo a MetSul, cresce o potencial para vendavais, chuva torrencial em curto período, granizo e microexplosões atmosféricas, capazes de causar destelhamentos, queda de árvores e interrupções no fornecimento de energia elétrica.

Sábado

O sábado deverá manter o ambiente extremamente instável. Novas áreas de chuva devem se formar ao longo do dia, mantendo elevado o risco de temporais.

Como o solo já poderá estar encharcado em diversas regiões, aumenta também a possibilidade de alagamentos urbanos, enxurradas e rápida elevação de arroios e pequenos cursos d’água, especialmente onde houver repetição de episódios de chuva intensa.

Domingo

A instabilidade permanece sobre o Estado. Mesmo que alguns períodos de melhora ocorram entre uma área de chuva e outra, a atmosfera continuará favorável ao desenvolvimento de novas tempestades.

Os riscos seguem concentrados em chuva forte, rajadas de vento e granizo, principalmente na metade norte gaúcha.

Segunda-feira (e possibilidade de terça)

A tendência é que o sistema comece a perder força gradualmente no início da próxima semana, mas ainda não se descarta a ocorrência de novos temporais. Conforme a evolução dos sistemas meteorológicos, a instabilidade poderá persistir até terça-feira em algumas regiões do Rio Grande do Sul.

Região deve ficar entre as áreas de maior atenção

Pelas projeções meteorológicas, a faixa que compreende a Serra, os vales, a Região Metropolitana e o Litoral Norte reúne condições para registrar alguns dos temporais mais significativos do episódio.

É justamente nessa área que estão municípios como Novo Hamburgo, São Leopoldo, Canoas, Campo Bom, Sapiranga, Estância Velha, Porto Alegre, Gramado e Canela, onde a combinação entre chuva intensa e vento forte poderá provocar transtornos como alagamentos, queda de árvores, destelhamentos e interrupções no fornecimento de energia elétrica.



“O período prolongado de tempo severo está associado a um bloqueio atmosférico que se intensifica sobre o sudeste do Brasil, dificulta o deslocamento dos sistemas meteorológicos (frente fria) e favorece a concentração de calor e umidade sobre o Rio Grande do Sul”, informa a Defesa Civil Estadual, ressaltando também que a chuva — já moderada — pode persistir até a próxima sexta-feira (24).

O primeiro grande teste do Super El Niño

Nos últimos dias, a MetSul Meteorologia publicou uma série de análises indicando que o Oceano Pacífico atingiu um novo patamar de aquecimento. As águas superficiais da faixa equatorial já apresentam anomalias próximas de 2°C acima da média, enquanto os principais modelos climáticos projetam que esse aquecimento pode chegar a entre 3°C e 4°C nos próximos meses, cenário compatível com um Super El Niño.

A intensidade do fenômeno é acompanhada internacionalmente por meio do Índice Oceânico de Niño (ONI), calculado a partir da média móvel de três meses da temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4, no Pacífico Equatorial. É esse indicador que permite classificar os episódios de El Niño em fracos, moderados, fortes ou muito fortes. Segundo a MetSul, o cenário atual coloca o fenômeno entre os mais intensos já observados nas últimas décadas.

Desde o início das medições modernas, apenas alguns episódios atingiram intensidade semelhante, como os registrados em 1972/73, 1982/83, 1997/98 e 2015/16. Todos ficaram marcados por alterações importantes no clima em diferentes regiões do planeta, incluindo períodos de chuva muito acima da média no Sul do Brasil.

Língua de águas muito mais quentes que o normal na faixa equatorial do Oceano Pacífico é um indicador das condições de Super El Niño já atingidas | abc+



Língua de águas muito mais quentes que o normal na faixa equatorial do Oceano Pacífico é um indicador das condições de Super El Niño já atingidas

Foto: Metsul Meteorologia

Isso não significa que todas as tempestades sejam provocadas diretamente pelo El Niño. O fenômeno atua modificando o comportamento da atmosfera, favorecendo a formação de sistemas meteorológicos mais frequentes e intensos, especialmente entre o fim do inverno e a primavera. No Rio Grande do Sul, esse padrão costuma resultar em mais episódios de chuva volumosa, temporais e cheias de rios.

Para a meteorologista Estael Sias, o período que começa nesta quinta-feira representa justamente o primeiro grande episódio de tempo severo associado ao fortalecimento do Super El Niño. Depois de semanas em que o fenômeno aparecia apenas nas projeções dos modelos e nas medições do Pacífico, seus efeitos começam a ser sentidos de forma mais evidente sobre o Estado, servindo como uma amostra do comportamento esperado para os próximos meses.

Rio atmosférico que avança do Pacifico vai aitngir o Centro do Chile | abc+



Rio atmosférico que avança do Pacifico vai aitngir o Centro do Chile

Foto: Metsul Meteorologia

Como se trata de um evento de longa duração e com potencial para mudanças rápidas nas condições do tempo, os riscos podem variar de intensidade entre uma região e outra ao longo dos próximos dias.

 

El Niño: onda de temporais vai trazer sequência de dias com muita instabilidade no RS
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