Com restrições no atendimento desde o início da segunda quinzena de setembro, o Hospital Universitário (HU) e as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Canoas seguem com as escalas de médicos incompletas devido aos recorrentes atrasos nos honorários dos profissionais e a condições de trabalho insuficientes. O cenário de desassistência tem refletido na cidade vizinha, Nova Santa Rita, que observou um aumento expressivo no número de atendimentos de canoenses na Policlínica 24 Horas.

Foto: Divulgação/PMNSR
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Segundo a Secretaria de Saúde de Nova Santa Rita, em duas semanas, a Policlínica registrou 500 atendimentos de pacientes que residem em Canoas.
“Atualmente, Canoas é o município que mais possui pessoas procurando atendimento de urgência e emergência. Sabemos das dificuldades enfrentadas pelos municípios da região metropolitana. Hoje, 25% do atendimento mensal da Policlínica é com pessoas que não moram em Nova Santa Rita. Até o momento, estamos conseguindo absorver sem comprometer a qualidade dos serviços”, afirma o secretário municipal de Saúde, Brayan Freitas.
De acordo com o titular da pasta, os atendimentos na área de pediatria e para síndromes respiratórias estão entre os mais procurados pelos canoenses.
“Com o fim do inverno, a tendência era reduzir a procura. No entanto, isso não aconteceu devido à realidade da saúde em outras cidades. Entre a semana do dia 14 a 20 de setembro, 17% dos atendimentos feitos foram com moradores de Canoas. Estamos monitorando a evolução da demanda. Seguiremos trabalhando com planejamento e investimentos”, diz.
Em agosto deste ano, a Policlínica 24 Horas completou um ano. Freitas destaca o modelo de atendimento e os resultados positivos.
“A Policlínica realiza em média 5 mil atendimentos mensais. Houve meses em que foram registrados 7,5 mil atendimentos. A média de espera não ultrapassa duas horas. Estamos focados em ofertar serviços de qualidade para as pessoas. Esperamos e desejamos que os municípios que enfrentam dificuldades superem os problemas e voltem à normalidade nos serviços de saúde.”
Crise na saúde de Canoas
As Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Canoas estão com restrição de atendimento desde 18 de setembro. Somente pacientes classificados pelo protocolo de Manchester como fichas amarela, laranja ou vermelha recebem assistência. Os atendimentos para fichas verdes e azuis estão suspensos. A decisão da paralisação parcial foi tomada no dia 2 de setembro, em Assembleia Geral Extraordinária (AGE) realizada pelo Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), devido ao atraso nos honorários dos profissionais, além de problemas nas condições de trabalho.
No Hospital Universitário (HU), os atendimentos eletivos estão suspensos desde 17 de setembro. De acordo com o Simers, os médicos adotaram a medida devido às condições de trabalho e aos atrasos no pagamento por algumas empresas designadas pela gestora, a Associação Saúde em Movimento (ASM), para administrar as escalas.
“Infelizmente, as restrições continuam nas UPAs e no HU. Os médicos ainda não tiveram todos os pagamentos em atraso quitados. É uma situação extremamente grave. A conta não fecha, os recursos são insuficientes. Seguimos abertos ao diálogo e em busca de soluções com a Prefeitura de Canoas”, afirma o presidente do Simers, Marcelo Matias.
Procurada pela reportagem para falar sobre o cenário atual da saúde no município, a assessoria da Prefeitura de Canoas informou que a secretária municipal de Saúde, Ana Regina Boll, não está concedendo entrevistas.