A 41ª edição do Rodeio Crioulo Nacional de Canela começou e dá início à temporada desses festejos no Rio Grande do Sul. O evento tradicionalista seguirá até o domingo, dia 11, com provas campeiras e artísticas, distribuindo mais de R$ 100 mil em prêmios.
TRADICIONALISMO GAÚCHO: Canela abre a temporada de rodeios no Rio Grande do Sul e vai distribuir mais de R$ 100 mil em prêmios

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL
Quem respira esse ambiente de rodeios ao longo de toda a vida é o laçador Lúcio Licks, de 38 anos, mais conhecido como Kiko. O amor é tanto que já fez com que o filho mais novo, o pequeno Benício, de apenas 9 anos, também se envolvesse nesse universo da montaria.
O gosto pelo laço veio do pai e foi crescendo com os anos. Quando tinha 20 anos, ganhou o primeiro cavalo de presente e, desde então, vai em todos os rodeios que pode, incluindo os de fora do Rio Grande do Sul.
ATENÇÃO AOS PRAZOS: Estão abertas as inscrições para o concurso público do magistério da Prefeitura de Gramado
Com um motorhome equipado para passar dias na estrada, as viagens e os acampamentos são acompanhados pela família. Além do pequeno Benício, o filho João Victor, de 21 anos, também costuma participar das competições, assim como três irmãos de Kiko.
“Quando a gente era menor, não tinha condições financeiras de ir nos rodeios. Eram um ou dois por ano. Agora a gente consegue se organizar melhor. Para mim, o rodeio é isso: família. É o nosso mundo”, destaca o premiado laçador.
A primeira vez que o Benício se aventurou em um acampamento tinha menos de 2 anos. “Ficamos só nós dois três dias juntos. Se eu não levo ele, ele fica até doente. Não quer nem comer. E, de vez em quando, a gente ganha e aí a emoção fica maior”, brinca Kiko, que é proprietário de uma revenda de carros.
Kiko é patrão do piquete de laçadores Poncho Serrano, há dez anos. A entidade conta com 55 laçadores, de diferentes idades, mas um grupo de mais de 100 pessoas. Entretanto, quando vai para fora da região, a representação é sempre por Canela e também pelo CTG Querência. Como companheiros de laço, a família possui três cavalos crioulos, que são cuidados “como filhos”.
Natural de Canela, Kiko comenta sobre a tradição do rodeio nacional da cidade. Segundo ele, a modalidade de laço em equipes é a mais legal de participar. “Lá dentro da cancha todo mundo quer ganhar de todo mundo, só que aqui fora somos todos amigos. E os rodeios são assim, fazem parte das nossas vidas e a gente nunca vai deixar de fazer isso, porque está no sangue”, frisa.
E o rodeio de Canela, inclusive, tem muitos significados para o laçador. Foi durante a edição de 2014, no dia 11 de janeiro, que o pai faleceu, após lutar contra uma doença.
Apesar dos troféus que nem consegue mais contabilizar e de ter ganhado um carro como prêmio de um torneio, as conquistas mais importantes para Kiko foram as junto com o filho. Ele e Benício foram três vezes campeões de competições.
Emocionado, ele destaca o orgulho que sente do pequeno, que está mostrando aptidão para o laço.
“Modelo bom para todos”: Comitiva de Gramado irá para Bombinhas analisar funcionamento e cobrança de taxa ambiental
Benício, há três anos, representa a região na Festa Campeira do Rio Grande do Sul (Fecars) e, em duas oportunidades, ficou com o segundo lugar. Um feito considerado muito importante, pois o menino não possui uma rotina de treinos. As armadas só são realizadas nos rodeios que participa. “Eu me sinto feliz de estar com meu pai, meus amigos, por tudo”, diz.
NATAL LUZ: Embaixadores da Magia levam show de interação e diversão pelas ruas de Gramado
Durante esta edição, Kiko cita que vai participar de quase todas as modalidades disponíveis. Com chances em todas, brinca que pode garantir mais troféus “se estiver em um dia inspirado”.
LEIA TAMBÉM