Roupas vermelhas, barbas brancas, cintos grandes e sorrisos no rosto. A descrição é de uma figura que costuma aparecer apenas nos últimos meses de cada ano, mas, como em Gramado é Natal o ano inteiro, mais de 30 Papais Noéis estão reunidos na cidade em pleno mês de julho e com um objetivo: manter vivo o espírito natalino.
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Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL
Em sua 15ª edição, o tradicional encontro é organizado pelo parque temático Aldeia do Papai Noel. Depois de cinco anos sem ocorrer, o evento retorna e quer mostrar aos profissionais que a missão deles vai muito além do “ho ho ho”. Neste ano, há até representante do fora do Brasil, um Papai Noel uruguaio se une ao grupo, em momentos de trocas de experiências, capacitações, brincadeiras e integração.
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O encontro iniciou na tarde da quinta-feira, dia 10, e segue até o sábado, dia 12, dentro do próprio parque. O diretor da Aldeia, Jahyr Barcellos, conta que são muitas pessoas envolvidas na organização e que planejam um roteiro de atividades bastante intenso aos Papais Noéis, que inclui exercícios físicos, palestras, oficinas e até sessão de alongamento. Além da área interna, eles circularão também pela área externa do atrativo, na Avenida Borges de Medeiros.

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL
E esta edição é considerada ainda mais especial, pois a Aldeia completa 30 anos em 2025. Depois de permanecer 26 anos no Parque Knorr, o parque se reinventou e, em outubro do ano passado, reabriu em novo endereço – na principal avenida da cidade.
“Pela pandemia, troca de endereço e tragédia climática, a gente não conseguiu realizar o evento nos últimos anos, mas decidimos que esta é uma data simbólica. O trabalho é intenso, mas conseguimos fazer com que acontecesse”, declara o diretor.
Reunir os Papais Noéis foi uma ideia da mãe de Jayr, fundadora da Aldeia. Assumindo os negócios da família, ele destaca que o foco é lembrar a todos os Papais Noéis da importância da magia e da parte lúdica do Natal, assim como da representação que essa figura simpática tem nas famílias de todo o mundo. “Há famílias que não convivem durante o ano, mas que se reúnem no Natal, é um momento de muito significado para todos”, atesta.
“São pessoas que amam o que fazem, que têm um dom”

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL
A primeira atividade do encontro foi visitar as novas dependências do atrativo. Salas imersivas e temáticas levam a todos até a noite de Natal. Quem estava curtindo o passeio era Alberto Martinho, de 71 anos, que brincava com a neve artificial do parque.
De Braço do Norte, em Santa Catarina, ele é um Papai Noel que participou das 15 edições do evento. “Eu adoro a Aldeia, adoro Gramado. Frequento o Rio Grande do Sul há muitos anos”, destaca.
Em uma história de mais de 30 anos, Alberto tinha uma oficina para conserto de bicicletas que ficava perto de uma escolinha infantil. Como ele sempre teve a barba comprida, as crianças passaram e brincaram que ele era o Papai Noel. E assim tudo começou. “Eu tinha doces na oficina para entregar para quem passava e organizamos uma ação natalina muito legal com a entrega de milhares de brinquedos”, relembra.
Na companhia da esposa Maria do Carmo Martinho, que atua como Mamãe Noel, Alberto foi se especializar, estudou sobre a vida de São Nicolau – que é a figura histórica que inspirou a criação do Papai Noel. “A religião da gente tem que ser a prática do bem. É uma missão”, pontua.

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL
Para ele, os encontros entre os profissionais são sempre divertidos. “São pessoas que amam o que fazem, que têm um dom”, reforça. “Ser Papai Noel não é só colocar uma roupa, é amar e ser exemplo para as crianças. É ajudar e fazer o bem sem olhar a quem”, complementa.
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Dentre os atos mais emocionantes da carreira, cita os pedidos de crianças para que trouxesse de volta familiares que partiram e também o auxílio a uma menina que era violentada pelo padrasto e fez a confissão enquanto conversavam. “São histórias que carrego comigo e me deixam feliz por ter conseguido ajudar essas pessoas de alguma forma”, comenta.
“É muito divertido, a gente bagunça bastante”

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL
Um dos anfitriões do encontro é o Papai Noel Tadeu de Vargas, de 75 anos. Ele mora em Gramado há mais de 30 anos e trabalhou na Aldeia entre os anos de 2014 e 2020.
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Com muita luta, ele passou por problemas de saúde ao longo da vida, como quatro episódios de acidente vascular cerebral (AVC) e uma cirurgia no quadril em que ele ficou por seis meses sem caminhar. Mesmo com os cuidados redobrados com a saúde, não deixa de atuar como Papai Noel quando pode.

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL
Um dos orgulhos de Tadeu é quando esteve na capa do Jornal de Gramado e pôde compartilhar um pouco da sua história. “É muito legal porque tenho muito reconhecimento do meu trabalho”, declara. Tadeu conta que participou de uns cinco encontros. E ele é categórico ao contar como são: “É muito divertido, a gente bagunça bastante”, brinca.
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Natural de Vacaria, Tadeu trabalhava como vendedor de carros até que surgiu a oportunidade de começar a atuar como a figura natalina. Ele se emociona ao relembrar os diversos momentos em que viveu estando com a tradicional vestimenta vermelha. “Já contei para crianças que elas iam ter um irmãozinho e tantas outras notícias felizes, mas também tive que lidar com uma guriazinha que me pediu para eu trazer a avó dela de volta”, acentua.
“Ser Papai Noel para mim é tudo. Enquanto Deus me der vida e saúde e que eu possa olhar para as pessoas, conversar e sorrir, eu vou ser Papai Noel. Eu não me vejo fazendo outra coisa”, descreve.
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