Visando contribuir com a discussão sobre as concessões rodoviárias, a Federação das Empresas de Logística e de Transportes de Cargas do RS (Fetransul) apresentou uma pesquisa quantitativa com usuários de estradas que fazem parte dos Blocos 1 e 2. As entrevistas ocorreram em postos de combustíveis localizados em Passo Fundo, Marau, Lajeado e Encantado (Bloco 2), Igrejinha e Parobé (Bloco 1). As respostas do Bloco 1 foram obtidas em pontos estratégicos da RS-239 e RS-115.
Composto por nove rodovias (RS-010, RS-020, RS-040, RS-115, RS-118, RS-235, RS-239, RS-466 e RS-474), o Bloco 1 teve 200 pessoas questionadas sobre diversos temas relacionados à proposta de concessão apresentada pelo governo do Estado em outubro. O primeiro questionamento foi: quais aspectos mais preocupam nas estradas?

Foto: Juliano Piasentin/GES-Especial
Buracos e falta de conservação foram apontados como principal preocupação de 31,5% dos entrevistados. Já os valores de pedágios já existentes são considerados o pior elemento para 25,9% dos motoristas. A falta de duplicação e o risco de acidentes aparecem um pouco abaixo, com 13% das respostas, enquanto os engarrafamentos são preocupações de apenas 7,1% dos usuários.
Os pedágios também foram tema da segunda pergunta. Afinal, qual aspecto pode significar justiça para que uma rodovia seja, ou não, pedagiada? No Bloco 1, 23,5% responderam que é a conservação da estrada, enquanto 24,1% acreditam que os valores precisam ser compatíveis com as condições de tráfego.
As rotas alternativas foram levadas em conta por 16,9% dos participantes, enquanto nenhuma opção foi a resposta de 9,1% dos motoristas.
Apenas 13% consideram free flow justo
O modelo de cobrança escolhido pelo Estado para as concessões rodoviárias é o free flow. Com pórticos espalhados por pontos das rodovias concedidas à iniciativa privada, buscando cobrar valores proporcionais aos usuários.
No Bloco 1 estão previstos 23 pórticos, número criticado por entidades empresariais, políticos e autoridades locais. A pesquisa efetuada pela SSPP Informações de Mercado perguntou aos motoristas qual modelo consideram justo.
A maioria, 46% dos entrevistados no Bloco 1, considera que nenhum modelo traz justiça ao usuário. Já 31% acreditam que motoristas com percursos mais curtos deveriam ser isentos ou contar com tarifas reduzidas.
O free flow, com tarifas proporcionais aos quilômetros rodados, é aprovado por 13% dos usuários, enquanto outros 10% preferem que os valores sejam unificados.

Foto: Juliano Piasentin/GES-Especial
Pedágio e impostos
E você considera adequado pagar pedágio? No Bloco 1, analisado pela reportagem por contar com rodovias nos Vales do Sinos, Paranhana, Gravataí e Serra Gaúcha, 78,5% disseram não. Isso por considerar o pagamento de impostos, sendo obrigação do governo manter e ampliar as estruturas rodoviárias.
Apenas 8% acreditam ser possível pagar até R$ 10, desde que as condições de conservação estejam boas. E 8,5% responderam que pagariam mais de R$ 10 caso obras como viadutos, duplicações e terceiras faixas fossem realizadas.
Projetos reprovados
Os projetos apresentados pelo Estado também foram tema da pesquisa e 37,8% das pessoas entrevistadas no Bloco 1 consideram as propostas impróprias. Outros 24,1% disseram que o governo deve revisar o que foi divulgado.
A aprovação foi baixa entre os usuários, com 12,4% falando que são coniventes, mas que precisam de revisões nas tarifas e apenas 0,3% reformando a necessidade, não importando os valores cobrados nos pedágios.
Defesa nesta quarta-feira
O governador Eduardo Leite (PSD) confirmou presença nesta quarta-feira (25) na sede do Setcergs, em Porto Alegre. Esse é o terceiro encontro do Fórum de Debates promovido pelo Setcergs e Federasul.
Durante o evento, Leite defenderá as concessões de rodovias propostas pelo governo do Estado. Em janeiro, na primeira edição do fórum, o governador admitiu que os valores dos pedágios previstos podem ser reduzidos.
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