O El Niño deve começar a mostrar sua força no Rio Grande do Sul nos próximos dias, com muita chuva e temporais frequentes. Conforme a meteorologista Estael Sias, da MetSul, depois de um período que lembrou mais os efeitos de La Niña, com frio persistente e chuva abaixo do normal em parte do Estado, o padrão atmosférico começa a mudar de forma mais evidente.
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Foto: Copernicus
A tendência é de menos frio e mais instabilidade, com uma sequência de dias favoráveis à chuva. Esse cenário marca o início de uma fase em que o estado deve sentir com mais intensidade os efeitos do aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico.
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Chuva forte, temporais e risco de alagamentos
Com a nova configuração atmosférica, o Rio Grande do Sul deve ingressar em um período de muitos dias seguidos de instabilidade. “Os gaúchos, já conhecedores dos efeitos do El Niño, terão uma amostra no final desta semana e na próxima do que o fenômeno trará reiteradamente nos próximos meses”, alerta.
A previsão indica chuva acima da média, além de temporais que podem ocorrer de forma isolada, mas com potencial para vento forte e granizo.
Entre os principais impactos esperados estão alagamentos, cheias de rios e episódios de tempo severo. Embora o evento esteja apenas no começo, a expectativa é de que o padrão de instabilidade se repita ao longo dos próximos meses.
Super El Niño aparece de forma precoce
As condições no Oceano Pacífico já atingiram patamar de Super El Niño de maneira excepcionalmente precoce. Pelo Índice Oceânico Niño (Oni), da NOAA, a anomalia na região Niño 3.4 chegou a +2°C, marca que caracteriza oficialmente esse nível do fenômeno.
Segundo o histórico citado, essa marca nunca havia sido alcançada tão cedo no ano. Em eventos anteriores, como os de 1997-1998, 1982-1983 e 2015-2016, o limiar foi atingido apenas entre setembro e novembro, enquanto agora ele foi registrado ainda em julho.
Modelos apontam intensificação nos próximos meses
Mesmo com o índice relativo da NOAA, o Roni, ainda em +1,3°C, a chance de evolução para um Super El Niño permanece alta. A expectativa é de que o fenômeno também alcance o limiar de +2°C por esse indicador.
Os modelos climáticos projetam intensificação adicional, com anomalias que podem variar entre +3°C e +4°C nos próximos meses. Isso reforça o alerta para um período mais chuvoso e com maior frequência de temporais no Rio Grande do Sul.