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CHUVA NO RS

Chuva perde força no RS, mas atenção segue com rios em alta e risco de deslizamentos

Volumes devem diminuir até o fim de semana, mas rios ainda podem subir em cidades da Região Metropolitana, Vale do Sinos, Paranhana e Caí

Dário Gonçalves
Publicado em: 19/06/2025 às 18h:17
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Depois de dias consecutivos de chuva intensa, que somaram volumes entre 170 e 200 milímetros em várias cidades da região, o Rio Grande do Sul entra em uma fase de maior estabilidade, ainda que o tempo continue fechado, com precipitações ocasionais até esta sexta-feira (20). Em São Leopoldo, por exemplo, o acumulado nesta semana superou a média histórica de junho, com 206 mm registrados, o equivalente a um mês e meio de chuvas em apenas três dias.

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Rio Caí atingiu cota de inundação em São Sebastião do Caí nesta quarta-feira | abc+



Rio Caí atingiu cota de inundação em São Sebastião do Caí nesta quarta-feira

Foto: Juliano Piasentin/GES-Especial

No Vale do Paranhana, Defesas Civis de diversos municípios acreditam que o pior já passou. Já nas regiões do Sinos e do Caí, a tendência é de que os rios sigam subindo. “O Rio dos Sinos vai subir e atingir seu pico no domingo, isso porque, após parar de chover totalmente, o rio continua subindo por mais 48 horas”, alerta o responsável pela Estação Meteorológica de Campo Bom, Nilson Wolff.

“A chuva cai em maior quantidade no Norte do estado nesta quinta, onde estão as nascentes de vários rios que neste momento passam por cheia e seguem subindo, como os rios Caí, Taquari, Sinos e Jacuí, causando suas elevações”, informa a Metsul Meteorologia.

Embora não se descarte ainda a ocorrência de chuva moderada ou forte em momentos pontuais, principalmente nesta sexta devido à atuação de uma área de baixa pressão, a tendência é de que o tempo comece a abrir a partir de sábado. O sol pode aparecer na capital e na Região Metropolitana no fim de semana, ainda que com instabilidade no domingo (22) à noite.

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Obstruções causam alagamentos

Com a chuva parando gradualmente, a atenção se volta aos impactos causados pelos acumulados: deslizamentos em áreas de encosta, bloqueios de estradas e pontes e, sobretudo, falhas nos sistemas de drenagem urbana.

O tema, inclusive, foi destacado pelo governador Eduardo Leite em visita à São Sebastião do Caí na quarta-feira (19), quando o Rio Caí mais uma vez causou enchente na cidade. Para ele, diferentemente do extravasamento dos rios, como no Caí, muitos alagamentos registrados em cidades da Região Metropolitana estão relacionados a redes pluviais entupidas, principalmente por conta dos resíduos recebidos após a enchente de 2024, e ausência de manutenção preventiva.

Visita do governador Eduardo Leite em São Sebastião do Caí | abc+



Visita do governador Eduardo Leite em São Sebastião do Caí

Foto: Juliano Piasentin/GES-Especial

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Municípios como Novo Hamburgo, São Leopoldo, Igrejinha e Três Coroas confirmam essa realidade e relatam esforços para lidar com o problema. Em Novo Hamburgo, onde choveu 185 mm desde domingo, o sistema de drenagem respondeu de forma eficaz, segundo a Prefeitura, justamente por conta das obras de prevenção realizadas após os eventos de verão. “Fizemos hidrojateamento, desassoreamentos, limpeza de arroios, caixas e redes, além de campanhas educativas”, explicou o diretor de esgotos pluviais, Gabriel Roballo. “Essas chuvas agora têm um comportamento diferente das do verão, onde a cidade ficou alagada, são menos intensas por hora, mas se prolongam por mais tempo.”



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Em São Leopoldo, onde o acumulado do mês já chegou a 206 mm (contra uma média de 125 mm), a prevenção adotada desde fevereiro foi fundamental para reduzir danos. A prefeitura desobstruiu 221 ruas, reformou casas de bombas e retirou toneladas de lixo acumulado. “Aumentamos em 100% a capacidade das casas de bombas”, afirma o prefeito Heliomar Franco. As novas bombas anfíbias instaladas nos bairros Campina e Vicentina têm garantido o escoamento da água com mais agilidade.

Nível do Rio dos Sinos sobe lentamente em São Leopoldo | abc+



Nível do Rio dos Sinos sobe lentamente em São Leopoldo

Foto: Amanda Krohn/Especial

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A Defesa Civil local segue monitorando o Rio dos Sinos, que na manhã de quinta-feira (19) estava em 4,04 metros, abaixo da cota de alerta (4,30 m). Caso o nível aumente, planos de evacuação serão acionados para garantir a segurança das áreas não protegidas por diques.

Em Canoas, a Prefeitura intensificou os trabalhos de limpeza da rede de drenagem urbana durante a semana. Foram realizados serviços de hidrojateamento em mais de 20 pontos críticos da cidade, com o objetivo de desobstruir bueiros e bocas de lobo. A força-tarefa incluiu também a retirada de resíduos sólidos e o reforço na manutenção preventiva para facilitar o escoamento da água da chuva nas próximas semanas. As ações ocorreram em bairros como Mathias Velho, Niterói, Guajuviras e Estância Velha.

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A limpeza preventiva da rede também fez diferença em Igrejinha. Após receber cerca de 150 mm em menos de 48 horas, a cidade registrou apenas extravasamentos em áreas de várzea, sem casas atingidas. O prefeito Leandro Hörlle afirma que a manutenção contínua das redes e o desassoreamento do Rio Paranhana ajudaram a mitigar os impactos. “Em uma das redes, encontramos dois colchões obstruindo a passagem de água. Fizemos a retirada imediata e seguimos com o hidrojateamento nos pontos mais críticos. Agora, o pior já passou”, afirma.

Em Três Coroas, o uso de hidrojatos foi essencial para evitar novos alagamentos. O coordenador da Defesa Civil, Augusto Dreher, relatou que, mesmo com 170 mm acumulados, a cidade conseguiu evitar o pior. “Onde já havíamos passado o hidrojato, não houve alagamento. Estamos com todas as equipes em alerta, monitorando rios e encostas, porque o solo ainda está muito encharcado.”

E o que vem pela frente?

Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) apontam que até domingo os acumulados de chuva na região sejam de apenas 30 mm, sendo a maior parte na sexta-feira (20). A preocupação maior, segundo Dreher, é pela água que desce da Serra para o Rio Paranhana. “O rio está dentro da calha, mas o plano de contingência ainda está ativo, está todo mundo em alerta”, acrescenta.

A mesma preocupação demonstra a prefeita de Taquara Sirlei Silveira. “Na quarta-feira (18), tivemos algumas localidades invadidas pelas águas do Paranhana e pelo Arroio Tucanos. A nossa maior preocupação agora é com o Rio dos Sinos, porque tem muita água para descer e nós não sabemos quanto”, alerta. Na cidade, cerca de 100 pessoas seguem em abrigos, e a Prefeitura pede que moradores em situação de perigo deixem suas casas.

Em Campo Bom, conforme o responsável pela Estação Meteorológica de Campo Bom, Nilson Wolff, a tendência é que o Rio dos Sinos supere a cota de 7 metros, atingindo um pico de 7,10. “A enchente vai ocorrer, infelizmente”. Equipes da Prefeitura estão de prontidão para atuar no acolhimento de famílias atingidas, no Ginásio Municipal. “Além disso, modelos indicam uma onda de frio mais intensa do que nos últimos anos na última semana de junho. A tendência é de geada a partir do dia 24 e temperatura negativa no dia 30”, informa Wolff.

Já em São Sebastião do Caí, o rio se estabilizou às 14h com o pico de 12,90m – mais de dois metros acima da cota de inundação -, e já começava a baixar. Contudo, uma nova subida não se descarta. “Temos a cidade de Feliz como base, o que acontece lá reflete em nós em torno de 12 horas depois. Lá, segue baixando, então é um alívio para nós,pois caso volte a subir, pelo menos o rio teve tempo de escoar um pouco”, destaca a prefeitura.

Rio Caí estava em baixa na tarde desta quinta-feira (19) | abc+



Rio Caí estava em baixa na tarde desta quinta-feira (19)

Foto: Prefeitura de São Sebastião do Caí

Parobé também sentiu os efeitos das chuvas, com cerca de 400 pessoas diretamente afetadas. A cidade montou uma força-tarefa com todas as secretarias para prestar apoio imediato à população. Com a melhora do tempo, as famílias já retornaram para suas casas, mas equipes seguem mobilizadas para receber os moradores novamente caso seja necessário.

A tendência de menor volume de chuva nos próximos dias, segundo a MetSul, dá certo alívio, mas o risco permanece. Com o solo saturado, a possibilidade de deslizamentos é real, especialmente em regiões de encosta. O alerta, portanto, continua.

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