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CHUVAS NO RS

De recorde à contenção: Quanto choveu em maio de 2024 e em junho de 2025 no RS; entenda diferença entre as cheias

Comparações entre as enchentes mostram como volume de chuva e resposta do Rio dos Sinos podem variar significativamente mesmo entre eventos intensos

Dário Gonçalves
Publicado em: 24/06/2025 às 16h:31 Última atualização: 24/06/2025 às 17h:49
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As comparações entre as cheias de maio de 2024 e junho de 2025 no Rio Grande do Sul mostram como o volume de chuva e a resposta do Rio dos Sinos podem variar significativamente mesmo entre eventos intensos. Dados da Metsul, do Inmet, da Defesa Civil e de estações meteorológicas locais ajudam a desenhar esse cenário.

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Em Lomba Grande, Novo Hamburgo, a Estrada Affonso Strack foi coberta pela água | abc+



Em Lomba Grande, Novo Hamburgo, a Estrada Affonso Strack foi coberta pela água

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial

Há pouco mais de um ano, uma catástrofe histórica deixou marcas ainda visíveis em muitos lugares. Para se ter uma ideia, entre 28 de abril e 30 de abril de 2024, choveu 179,6 mm em Campo Bom. A chuva continuou na virada do mês e o acumulado de maio chegou a 499,6 mm, totalizando 679,2 mm de precipitação em pouco mais de um mês, conforme o responsável pela Estação Meteorológica de Campo Bom, Nilson Wolff. Em Novo Hamburgo, o total foi semelhante, com acumulados próximos de 500 mm no mês inteiro, segundo a Defesa Civil municipal.

Tudo isso, somado às chuvas de outros municípios, especialmente na Serra, de onde as águas descem para a região, causou um impacto devastador do Rio dos Sinos – assim como em todo o Rio Grande do Sul. No recorte local, em Campo Bom, o rio atingiu o pico de 8,58 metros no dia 3 de maio, a maior marca da história registrada na cidade segundo Wollf. Houve ainda dois repiques ao longo do mês: no dia 14, o nível do rio chegou a 7,60 m. Já no dia 28, subiu novamente para 6,90 m.

Em Novo Hamburgo, o rio subiu tanto que ultrapassou a régua da Comusa, que mede até 9,73 m, tornando impossível saber a marca exata atingida. A cidade registrou bairros debaixo d’água e milhares de pessoas foram atingidas.

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Em maio de 2024, Novo Hamburgo e grande parte do Estado ficou embaixo d'água | abc+



Em maio de 2024, Novo Hamburgo e grande parte do Estado ficou embaixo d’água

Foto: Dário Gonçalves/Arquivo GES-Especial

Conforme a Metsul Meteorologia, entre 27 de abril e 2 de maio de 2024, houve locais na Serra com até 1000 mm acumulados. Na Bacia do Sinos, foram comuns registros entre 500 e 700 mm, o que representava, na época, cerca de um terço da média histórica anual. O boletim nº 69 da Defesa Civil do Estado classificou a situação como “a maior catástrofe climática do Rio Grande do Sul“.

Junho de 2025: chuva acima da média, mas cheia controlada

Um ano se passou e o Rio Grande do Sul voltou a conviver com cheias. Desta vez, contudo, apesar de um novo evento de chuvas intensas, os impactos foram muito mais moderados. Para falar a verdade, embora transtornos tenham sido ocasionados e famílias tiveram suas casas invadidas pelas águas mais uma vez, o cenário nem de longe lembra a catástrofe de 2024, onde 184 pessoas perderam suas vidas e 25 seguem desaparecidas.

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Desta vez, os rios subiram, mas voltaram rapidamente ao leito. Alagamentos foram registrados em áreas urbanas, muito por conta das redes de drenagem urbana estarem obstruídas – ainda resquício de entulhos que a enchente de 2024 deixou nos encanamentos. Quatro óbitos foram contabilizados.

Chuva que caiu na região é o dobro da média para o mês | abc+



Chuva que caiu na região é o dobro da média para o mês

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial

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Entre os dias 15 e 23 de junho de 2025, choveu 240 mm em Novo Hamburgo, o dobro da média histórica para o mês, segundo a Defesa Civil municipal. “Considerando o acumulado desde o início do mês, foram 340 mm”, relata o diretor Gilson Amaral.

Ainda assim, os efeitos foram mais contidos: apenas três ruas ficaram alagadas, segundo a Prefeitura, e seis apresentaram pontos de inundação devido à cheia do Sinos, que chegou a 6,81 metros entre a noite do dia 21 e a madrugada do dia 22. Ninguém ficou desalojado ou desabrigado na cidade. Abrigos foram montados, mas não foram utilizados.

Em Campo Bom, a precipitação acumulada até 23 de junho era de 223,9 mm. Já o pico do Rio dos Sinos ocorreu no sábado (21), com 7,33 metros, nível ainda significativo, mas inferior ao registrado em maio do ano anterior. Ruas mais próximas do rio, como a Travessa Pio XII e a Estrada Pio XII foram atingidas, mas não as casas.

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A diferença entre as duas cheias

Os dados mostram que, embora junho de 2025 tenha registrado volumes elevados de chuva com precipitação acima da média histórica para o mês, a quantidade de água ainda foi bem inferior à de maio de 2024. A Metsul destaca que, agora, “os totais de chuva não devem chegar sequer a um quinto do observado na enchente do ano passado”, o que explica a menor severidade dos impactos.

Rio dos Sinos na tarde de segunda-feira (24) | abc+



Rio dos Sinos na tarde de segunda-feira (24)

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial

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Comparativo – Chuva e nível do Rio dos Sinos

Campo Bom – Maio de 2024

  • Chuva acumulada: 179,6 mm entre 28 e 30 de abril; 499,6 mm entre 1º e 25 de maio. Total: 679,2 mm.
  • Nível do Rio dos Sinos: Pico de 8,58 metros em 3 de maio (maior da história da cidade); 1º repique: 7,60 m em 14 de maio; 2º repique: 6,90 m em 28 de maio.

Campo Bom – Junho de 2025

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  • Chuva acumulada: 223,9 mm até 23 de junho.
  • Nível do Rio dos Sinos: Pico de 7,33 metros em 21 de junho.

Novo Hamburgo – Maio de 2024

  • Chuva acumulada: cerca de 500 mm
  • Nível do Rio dos Sinos: Ultrapassou 9,73 m, que é o limite da régua da Comusa, após essa marca, não foi possível medir.

Novo Hamburgo – Junho de 2025

  • Chuva acumulada: 240 mm entre 15 e 23 de junho; 340 mm no mês até o dia 23.
  • Nível do Rio dos Sinos: Pico de 6,81 m entre 21 e 22 de junho.
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