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ACIDENTE AÉREO

Decolagem mais curta e com vento de cauda pode ter causado a tragédia em Capão da Canoa

Imagens de câmera de segurança mostram que piloto não usou toda a extensão da pista na decolagem; segundos depois o avião caiu

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Publicado em: 03/04/2026 às 18h:16 Última atualização: 04/04/2026 às 10h:05
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Especialistas em aviação ouvidos pelo Grupo Sinos nesta sexta-feira (3) são unânimes ao apontar dois problemas considerados graves e que podem ter causado o acidente aéreo com quatro mortes em Capão da Canoa, no litoral norte gaúcho. O acidente está sob investigação da Polícia Civil e do Cenipa, órgão ligado à Aeronáutica.

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Avião e restaurante ficaram completamente destruídos em Capão da Canoa | abc+



Avião e restaurante ficaram completamente destruídos em Capão da Canoa

Foto: Defesa Civil/RS

Desperdício de pista

Um deles é visível e foi registrado por uma câmera de segurança. O Grupo Sinos teve acesso às imagens. O avião aparece saindo do pátio e indo até a pista. Ao invés de dobrar à esquerda e ir até a cabeceira 08, tendo assim quase 300 metros a mais de terreno para a decolagem, o piloto virou à direita e acelerou.

A partir do ponto de partida havia cerca de 400 metros de pista, espaço que pode ter sido insuficiente para o monomotor Piper Jet, de prefixo PS-RBK, atingir a velocidade necessária para decolar. Segundos depois o avião atingiu fios, um poste e caiu sobre um restaurante. A explosão deixou o prédio e o avião totalmente destruídos.

O presidente do Aeroclube de Novo Hamburgo, Alceu Feijó Filho, voa desde 1972 e conhece bem a pista de Capão da Canoa, onde já fez incontáveis pousos e decolagens. Ele avalia que, para uma decolagem segura, o avião teria que ter usado o máximo possível de espaço de pista, o que não aconteceu. “O motivo certamente será investigado”, avalia.

Avião Piper que caiu em Capão da Canoa | abc+



Avião Piper que caiu em Capão da Canoa

Foto: Reprodução/FlightRadar24

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Vento de cauda

Feijó chama atenção para um segundo problema: no momento da decolagem o vento era de cauda, ou seja, empurrando o avião. “Mas a decolagem sempre deve ser feita com vento de frente. Esse procedimento realmente chama atenção e seguramente será alvo da investigação”, destaca.

Um piloto militar ouvido pela reportagem concorda que tanto o “desperdício de pista” quanto o vento de cauda podem ter colaborado decisivamente para o acidente. Ele pediu para ter o nome preservado. “A imagem do avião caindo sobre o prédio leva a crer que ele realmente não teve força para subir como deveria, que perdeu a sustentação no ar”, resume o piloto, lembrando que, em caso de decolagem com vento de cauda, a sustentação fica limitada e normalmente a aeronave precisa de mais pista.

Quem são as vítimas

Havia quatro pessoas a bordo do avião, que tem capacidade para seis ocupantes. O piloto foi identificado como Nélio Maria Batista Pessanha. Também estavam no monomotor Renan Saes, sócio a empresa proprietária do avião, e o casal Déborah e Luiz Ortolani. O casal era sócio da Feira de Ibitinga e também mantinha negócios em Capão da Canoa, Xangri-lá e Porto Alegre.

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Restaurante fechado

Não houve vítimas no solo. O restaurante que ficou completamente destruído pelo fogo estava fechado e reabriria somente no dia 10 de abril. O que sobrou da estrutura foi demolida por uma retroescavadeira no fim da tarde desta sexta-feira. Os corpos das vítimas já foram recolhidos para perícia.

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