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TRADIÇÃO DO RIO GRANDE DO SUL

Com roda de chimarrão e muita conversa, história gaúcha é vivida e exposta de forma gratuita em Gramado

Atrações do Festival Gaúchos vão se intensificar neste final de semana; confira os detalhes

Mônica Pereira
Publicado em: 19/09/2025 às 15h:28 Última atualização: 19/09/2025 às 16h:26
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Com orgulho do Estado e com as cores da bandeira espalhadas por toda a região, a Semana Farroupilha está em evidência. Pelos quatro cantos, há músicas gauchescas, rodas de chimarrão e a história do Rio Grande do Sul sendo contada.

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Fernanda Valente e Rodrigo Schlee são pesquisadores da cultura gaúcha



Fernanda Valente e Rodrigo Schlee são pesquisadores da cultura gaúcha

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL

A tradição se une com o turismo e as exposições caem no gosto de quem passa pela região. Seja para provar pela primeira vez um bom mate ou para saber as curiosidades desta terra, é tempo de celebrar o Dia do Gaúcho, no 20 de setembro.

Em Gramado, ao longo de todo este mês, o Festival Gaúchos mostra ao público a cultura e gastronomia. Para além das atrações, uma bolanta recepciona as pessoas, na Praça Major Nicoletti. Das 17 às 18 horas, diariamente, o fogo de chão é aceso, convidando a todos para uma roda de conversa.

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O bate-papo é conduzido por quem entende do assunto. Os pesquisadores Fernanda Valente e Rodrigo Schlee se dedicam a compartilhar a arte e os usos e costumes dos gaúchos. A bolanta, por exemplo, foi construída na localidade de Nova Colônia, em Nova Petrópolis, e remonta ao meio de transporte de época.

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“Essas pequenas carretas chegavam no interior e levavam mercadores e novidades. Como é habitável, ia circulando e se transformava em um pequeno comércio. A nossa bolanta leva para os locais a cultura do mate chimarrão”, destaca Rodrigo, que também é guasqueiro – artesão que utiliza o couro como principal matéria-prima.

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Bolanta que está na praça Major Nicoletti, durante a realização do Festival Gaúchos



Bolanta que está na praça Major Nicoletti, durante a realização do Festival Gaúchos

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL

E o couro foi um item indispensável na história do gaúcho, utilizado em diversas formas, desde roupas e calçados a até utensílios. Com um rico acervo, Rodrigo e Fernanda contam com duas exposições gratuitas na área central. Uma delas no coreto, ao lado da bolanta, que fala sobre a guascaria e a importância do ofício na formação do gaúcho.

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Há também um espaço de destaque no Largo da Borges, com a mostra Memórias Rio-grandenses. Objetos, textos e iconografias relacionados aos usos e costumes gaúchos no período da Revolução Farroupilha, fragmentos da história do povo gaúcho e suas lutas.

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Democratização do conhecimento

Artigos históricos estão em exposição no Largo da Borges



Artigos históricos estão em exposição no Largo da Borges

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL

Autores do livro Guasqueiro – A arte gaúcha do couro no apero crioulo, Fernanda e Rodrigo possuem, há 9 anos, um espaço permanente e acervo no Lago da Borges, onde explicam sobre a cultura gaúcha e servem chimarrão de maneira gratuita. O trabalho se intensifica no mês de setembro.

“Como uma espécie de guardiões dessas memórias, trazemos o nosso acervo para a rua, de forma pública, com explanações técnicas. É oportunidade para os turistas, mas também para os gaúchos, um momento único de ter um contato com a tradição e a cultura preservada até os dias de hoje, através de elementos. É um trabalho de educação cultural e patrimonial que a gente vem fazendo há muito tempo”, reforça Fernanda.

Chimarrão como símbolo do gaúcho

Turistas conhecem mais sobre a cultura gaúcha



Turistas conhecem mais sobre a cultura gaúcha

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL

Para Rodrigo, a história do chimarrão está intimamente ligada com a do Rio Grande do Sul. Chamado hoje também de mate, surgiu a partir de uma palavra quechua, que significa recipiente. Já a erva-mate foi assim denominada com a chegada dos europeus, que viam os índios guaranis e kaingangs tomando a bebida. Eles acreditavam que se tratava de uma erva, mas depois foi descoberto que é, na verdade, uma árvore.

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O nome chimarrão foi “abrasileirado” do espanhol “cimarrón”, uma bebida quente e amarga. “Depois da colonização, o chimarrão se espalhou por toda a América do Sul, porque se percebeu os benefícios que tinha: tirava a fome, o cansaço, ajudava a dar energia para guerrear e caçar”, comenta Rodrigo.

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Mesmo com o passar dos anos, o preparo ainda é praticamente o mesmo, assim como a forma de manipulação, que é colheita da folha, secagem e moagem. Inclusive, a erva-mate também é conhecida como ouro verde. Até salários já foram pagos com o insumo.

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Fernanda Valente e Rodrigo Schelle são pesquisadores da cultura gaúcha



Fernanda Valente e Rodrigo Schelle são pesquisadores da cultura gaúcha

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL

“A gente vê essa tradição se perpetuando de forma muito natural. Mesmo com a evolução desses usos e costumes, ninguém deixou de tomar mate. Ele foi se transformando, a bomba de taquara hoje é de aço inox, tudo foi evoluindo. Mas a tradição vai se preservando”, acentua Fernanda.

“Manter viva a chama da nossa cultura”

A Semana Farroupilha em Gramado é realizada em parceria com o CTG Manotaço. No sábado, dia 20, às 11 horas, haverá uma missa crioula, na sede da entidade, no bairro Mato Queimado. Depois, haverá o Desfile Farroupilha, com saída às 14 horas, em direção ao lago Joaquina Rita Bier. Neste ano, o guardião da Chama Crioula é o tradicionalista Neri Martins.

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Durante os últimos dias, atrações envolvendo os membros do CTG e a comunidade foram realizadas, principalmente nas escolas. “É nesse encontro entre gerações que a tradição se mantém viva, que os causos antigos ganham novos ouvidos e que os valores do povo gaúcho são renovados. As atividades culturais, artísticas, campeiras e sociais fortalecem os laços comunitários e despertam um senso de pertencimento que é essencial para manter viva a chama da nossa cultura”, descreve o patrão do CTG, Fernando Gusen.

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Programação do Festival Gaúchos

Sábado, dia 20

Piquete no lago Joaquina 10 às 15 horas – Cordeiraço com chef Jorge Aita; 13 horas – Grupo Tarca; 14 horas – Desfile Farroupilha; 15 horas – Papo de Churras; recreação e brincadeiras para a piazada. Rua Coberta 19h30 – Juliano Bolfe

Domingo, dia 21

Piquete no lago Joaquina 10 às 15 horas – Cordeiraço com chef Giordano Tarso; 15 horas – Papo de Churras; recreação e brincadeiras com a piazada.

Com roda de chimarrão e muita conversa, história gaúcha é vivida e exposta de forma gratuita
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