As mulheres da comunidade indígena de Canela ganharão destaque nacional. Isso porque um curta-metragem produzido pelas indígenas kaingang será exibido no Festival de Cinema de Gramado. Fuá – O Sonho fará parte da mostra competitiva criada em parceria com a Assembleia Legislativa, reconhecendo as melhores obras gaúchas. O feito é único na história do cinema canelense.
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Foto: Amallia Brandolff/Divulgação
Para esta 53ª edição do evento, foram selecionados 18 curtas. Os filmes são de 11 cidades do Estado, sendo oito deles de Porto Alegre. São 12 categorias competitivas, com distribuição de troféus e prêmios em dinheiro. As exibições ocorrerão nos dias 16 e 17 de agosto, às 13 horas, no Palácio dos Festivais, com a cerimônia de premiação marcada também para o dia 17, a partir das 20 horas.
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“Estou muito emocionada e feliz, porque estamos realizando o sonho da minha filha, Marciely Fuá. Um dia, ela disse a um jornalista que o sonho dela era aparecer no cinema de Gramado e agora esse sonho está se realizando”, declara a diretora Viviane Farias, que também é da comunidade kaingang.
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O curta conta a história de uma jovem kaingang que começa a ter pesadelos recorrentes com uma planta misteriosa e suas marcas tribais. Criada distante das tradições de seu povo, ela sente que esses sonhos carregam um chamado. Enquanto sua mãe enfrenta um problema de visão sem encontrar cura nos remédios convencionais, a jovem vai buscar respostas com sua avó, que a incentiva a seguir os sinais do sonho. Juntas, elas partem em direção à Kujá Gah Té, uma sábia liderança espiritual. Em uma jornada de descoberta, cura e reencontro com suas raízes, a jovem precisará decifrar o significado dos sonhos e da planta para curar sua mãe e se reencontrar com sua verdadeira identidade.
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Foto: Amallia Brandolff/Divulgação
“Era um dia chuvoso e estávamos cheios de expectativa. Caminhávamos no meio da mata molhada, escorregando e brincando que tudo valeria a pena quando o filme passasse no Festival de Cinema de Gramado. Agora, essa brincadeira-sonho está se realizando. Tenho certeza de que isso só está acontecendo porque todo o processo foi construído com muitas mãos e corações sonhando e trabalhando juntos”, relembra a diretora não-indígena, Amallia Brandolff, sobre o primeiro dia de gravação do curta.
A comissão de seleção das obras é formada pela realizadora e pesquisadora Adry Silva, pelo cineasta Frederico Ruas, pelo artista visual e realizador Giuliano Lucas, pela jornalista e radialista Jaqueline Chala e pela realizadora e atriz Paola Mallmann. Conforme o grupo, os curtas transcendem as telas, e se transformam em espelhos reflexivos da sociedade e janelas para futuros mais justos e inclusivos, prezando pela qualidade técnica, artística e criativa dos curtas-metragens apresentados.
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Confira os filmes selecionados
“Bom Dia Maika” (Santa Cruz do Sul), de Eddy Ramos
“O Correspondente” (Santo Antônio da Patrulha), de Thali Bartikoski e Bruno Barcelos
“E Depois de Fevereiro” (São Leopoldo), de Crystom Afronário
“Enfim S.O.S.” (Porto Alegre), de Zaracla
“Estudos Sobre a Vida em Rede” (Lajeado), de Tuane Eggers
“Fuá – O Sonho” (Canela), de Viviane Jag Fej Farias e Amallia Brandolff
“Gambá” (Teutônia), de Maciel Fischer
“Imigrante/Habitante” (Porto Alegre), de Cassio Tolpolar
“O Jogo” (Pelotas), de Alexandre Mattos Meireles e Chico Maximila
“Mãe da Manhã” (Porto Alegre), de Clara Trevisan
“Nhemongarai” (Porto Alegre), de Jorge Morinico e Hopi Chapman
“Perro!” (São Leopoldo), de Aleksia Dias e João Pedro Fiuza
“O Pintor” (Santa Cruz do Sul), de Victor Castilhos
“Quando Começa a Chover o Coração Bate Mais Forte” (Porto Alegre), de Mirian Fichtner
“Roxo Lilás Violeta” (Porto Alegre), de Theo Tajes
“Safira, o Mar e a Vida” (Porto Alegre), de Luiz Fonseca
“A Sinaleira Amarela” (Porto Alegre), de Guilherme Carravetta De Carli
“Trapo” (Uruguaiana), de João Chimendes
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