Prevenção, atenção, cuidado. Os estudantes do 6º ano da escola Dr. Carlos Nelz (Caic), em Gramado, estão aprendendo na prática o significado dessas palavras e a como se proteger e também proteger o próximo em situações de risco. Em breve, eles se tornarão agentes mirins da Defesa Civil.
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Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL
O projeto-piloto é realizado pelo órgão de proteção gramadense, com apoio da Feevale. Com uma metodologia já aplicada pela universidade, os profissionais de Gramado receberam treinamentos e contam com suporte acadêmico, firmado em um convênio.
Nesta primeira turma, 24 alunos estão participando de treinamentos e aulas sobre mudanças climáticas, meio ambiente e entendendo mais sobre os episódios recentemente enfrentados no município e em todo o Rio Grande do Sul.
“A ideia é desenvolver neles a percepção de risco e de autocuidado. Temos que disseminar na nossa comunidade as informações e as crianças vão ser multiplicadoras desse conhecimento”, explica a coordenadora da Defesa Civil de Gramado, Juliana Fisch.
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Para estarem preparados para situações de risco, os pequenos até criaram um plano de emergência familiar e construíram um pluviômetro – que mede a quantidade de chuva em um determinado ponto.
Nesta semana, o encontro foi para falar sobre as noções básicas de primeiros socorros. A criançada aprendeu sobre o que fazer em casos de desmaios, engasgos, convulsões e paradas cardiorrespiratórias.
Nos próximos, aprenderão sobre prevenção de incêndios e farão uma visita técnica na Rua Henrique Bertoluci, no bairro Piratini, que teve episódios de deslizamentos de terra em maio do ano passado.
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“Tem sido muito legal e gratificante ver o entusiasmo e interesse das crianças. Queremos ter um batalhão de agentes mirins na cidade”, destaca Juliana. A partir do ano que vem, o objetivo é formar, ao menos, 50 crianças por semestre. Para isso, a Defesa Civil busca entidades e empresas parceiras para custear os coletes personalizados que são entregues aos estudantes participantes do projeto.
Plano de contingência está atualizado e será apresentado

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL
A Defesa Civil finalizou a atualização do plano de contingência da cidade. Desde o final do ano passado, modificações estão sendo realizadas, levando em consideração o novo mapeamento do Serviço Geológico do Brasil (SGB). O relatório apontou 68 pontos considerados de risco geológico alto ou muito alto.
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Juliana conta que o plano será apresentado para forças de segurança e salvamento ainda neste mês e, posteriormente, divulgado para a comunidade. Rotas de fuga em casos de necessidade serão destacadas. Além disso, há definições para um trabalho conjunto entre as secretarias da Saúde e de Assistência Social.
“O desafio foi pensar no plano na prática. Lemos, pensamos e discutimos bastante cada tópico. Como estamos fazendo o cadastramento de pessoas que moram em áreas de risco, isso tem nos ajudado, porque conversamos com os moradores que conhecem aqueles locais há anos”, reforça a coordenadora.
A partir da publicação do plano de contingência, o intuito é realizar treinamentos e também criar núcleos da Defesa Civil. Um deles será na Linha Pedras Brancas. Em um deslizamento na localidade, em 2 de maio de 2024, seis pessoas morreram. Outros três óbitos foram registrados no município por causa de desastres naturais, desde novembro de 2023 – na Linha Marcondes e Quilombo.
“A gente precisa trabalhar a prevenção e ter preparo para quando uma situação extrema acontecer, mas também pensar no antes. Esse é o nosso foco”, pondera Juliana.
Congresso inédito sobre desastres
No final deste mês, nos dias 30 e 31, Gramado vai sediar o congresso Desastre 360 – 1º Seminário Internacional do Ciclo de Gestão de Desastres. O evento é coordenado pela ONG Humus e irá reunir especialistas para abordar as etapas do ciclo de gestão de desastres: prevenção, mitigação, preparação, resposta e recuperação.
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“Um desastre não termina quando a água baixa ou o incêndio é controlado. Muitos problemas permanecem. Alguns se intensificam após os voluntários voltarem para suas rotinas e outros surgem semanas ou meses depois, quando a ajuda e as lembranças diminuem, mas revelam impactos na saúde, na educação, na economia local, na esperança de quem fica. Por isso, é fundamental conhecer todo o ciclo para avaliar a capacidade que cada pessoa e organização tem para ajudar durante a emergência, mas também depois e, principalmente, antes”, frisa Léo Farah, que é cofundador da ONG e capitão da reserva do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais.
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Além dele, haverá palestras com o Kazuaki Komazawa, que trará a experiência do Japão em prevenção, e de Sergio da Silva, para compartilhar um panorama das ações da ONU em desastres pelo mundo. Ingressos podem ser adquiridos pelo site sympla.com.br e custam R$ 200 para o público em geral.