As belezas das regiões serranas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina podem ficar mais próximas. Uma mobilização entre empresários e representantes dos dois Estados tem ganhado força para que uma nova rota turística seja criada.
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Foto: Arte Gabriel Renner/GES
Com a pavimentação do Caminho da Neve, o trajeto entre Florianópolis e Gramado poderá ser encurtado em 100 quilômetros. Partindo da Região das Hortênsias, o percurso seria por entre cidades como Bom Jesus, São Joaquim e Urubici.
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Um dos empresários envolvidos com a iniciativa é Jaziel de Aguiar Pereira. Ele já atuou como presidente do Conselho de Turismo de Bom Jesus e está há mais de 15 anos engajado com o projeto. Para ele, uma ligação viária de qualidade vai unir dois polos indutores do turismo, oferecendo uma alternativa logística e estratégica para os Estados, diminuindo, inclusive, custos para escoamento de produtos.

Foto: Artur Hugen/Divulgação
Conforme os estudos preliminares, faltam cerca de 51 quilômetros de asfalto para essa interligação. Do lado do Rio Grande do Sul, restam pavimentar 40,7 quilômetros, pela BR-438. Em Santa Catarina, o trecho é de 10,3 quilômetros. “Estimamos um impacto econômico anual superior a R$ 200 milhões nos municípios diretamente beneficiados por esse caminho”, prospecta Jaziel.
No último mês, uma audiência pública foi realizada para atualizar as informações sobre o projeto. Na oportunidade, membros da gestão estadual de Santa Catarina destacaram que há interesse em realizar as obras para concluir a pavimentação da SC-114 até a Ponte das Goiabeiras, que foi finalizada no ano passado, e faz divisa entre os dois Estados.
Projeto em etapa preliminar no Ministério dos Transportes

Foto: Artur Hugen/Divulgação
O ponto que ainda não se tem expectativa é na parte gaúcha. Desde 2018, o trecho foi federalizado. O grupo busca diálogo com o Ministério dos Transportes para incluir a obra no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para que o sonho possa ser concretizado.
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O Ministério dos Transportes destaca que tem acompanhado a demanda da pavimentação e que está mantendo diálogo com representantes locais e regionais, inclusive, realizando reuniões. “Vale destacar que a inclusão de qualquer novo projeto depende da realização de estudos prévios de viabilidade técnica, econômica e ambiental, além do planejamento setorial adequado”, ressalta a equipe da pasta federal.
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Em razão da etapa preliminar em que o tema se encontra, ainda não há estimativas de custo ou prazos definidos para execução da obra.
Assunto é pauta há quase 60 anos

Foto: Artur Hugen/Divulgação
Segundo Jaziel, a pavimentação do Caminhos da Neve é uma pauta recorrente há quase 60 anos.
Contudo, outras vias foram sendo priorizadas ao longo dessas décadas, mas que é hora de fazer com que o assunto vire rotina nas conversas entre políticos e grupos econômicos. “A região de Bom Jesus tem muito a desenvolver. Estamos em um nível mais iniciante, mas, a partir do momento que tivermos essa infraestrutura, abrimos horizontes logísticos e também uma nova forma de viajar, sem precisar passar pelas BRs-116 e 101”, acrescenta.
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“Temos relatos de pessoas que estão na serra catarinense e querem conhecer a gaúcha também, mas desistem do passeio por causa do trajeto”, argumenta Jaziel, salientando que, com o novo asfalto da RS-373, o Caminhos da Neve criaria uma nova rota também entre as capitais, Florianópolis e Porto Alegre.
Dificuldade no trajeto
O prefeito de Gramado, Nestor Tissot, participou da audiência que ocorreu, em São Joaquim, em Santa Catarina. Ele cita as dificuldades no trajeto e as péssimas condições das estradas, precisando até mudar de rota porque a passagem pelo Rio dos Touros estava submersa.
“Esse projeto é superinteressante para todos. Vai facilitar a vida do nosso visitante, encurtando a distância e com belas paisagens. Falamos no turismo, mas temos que olhar também para a economia diversa, e os produtos que precisam ser escoados. Boas estradas geram negócios”, relata o prefeito.
Para Nestor, é preciso união entre todos para que o projeto saia do papel. “Quero me incluir nessa luta e vamos fortalecer a nossa economia através desse novo trajeto”, atesta.
“Não podemos ficar atrasados”
Para o prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, a integração dos Estados pelo Caminhos da Neve é fundamental. “Gramado e Florianópolis são os extremos, mas temos muitas atrações pelo caminho. As nossas cidades serranas são únicas no Brasil”, cita.
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“O mundo está cada vez mais virtual e conectado, mas nós precisamos dessa conexão física. Precisamos ter estrada não só para as pessoas se deslocarem, mas também as cargas. A logística hoje em dia é o que manda no mundo. O país mais desenvolvido é aquele que melhor fizer sua logística e nós não podemos ficar atrasados nisso”, corrobora.
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