A semana começou com o retorno à normalidade nas escolas municipais de Canoas. Após 21 dias letivos de paralisação e greve dos professores, a segunda-feira (18) foi de mais movimento nos corredores e aprendizado dentro das salas de aulas.
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Foto: Paulo Pires/GES
Agora a expectativa da comunidade escolar é pelo calendário de reposição. A Secretaria Municipal de Educação realizou reunião sobre o assunto nesta segunda-feira, mas ainda não divulgou informações a respeito.
O Sindicato dos Profissionais em Educação Municipal de Canoas (Sinprocan) afirmou que solicitou uma reunião para tratar da recuperação dos dias letivos, mas ainda não teve retorno. O ofício ainda trata dos grupos de trabalhos e foi entregue na sexta-feira (15), quando a categoria deliberou pelo fim da greve.
Dentro das escolas, o calendário é assunto incerto. Na avaliação da diretora da escola municipal de Ensino Fundamental Assis Brasil, Caroline Balbinot, as instituições tiveram impactos diferentes em razão do número de professores que participaram do movimento.
“Cada uma vai ter um calendário um pouco diferente da outra, imagino eu. Nós tivemos disciplinas que os professores não fizeram greve, mas em outra escola isso pode ser diferente. Acredito que cada uma vai se ajustar nos próximos dias.”
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Corredores movimentados
Nas últimas semanas, o cenário era de pouca circulação nos corredores da Emef Assis Brasil, no bairro Mato Grande. Mas mudou radicalmente nesta segunda-feira com a presença de cerca de 560 estudantes que voltaram a ter o cronograma completo de atividades.
Entre eles, a aluna do 5º ano Ágatha Leres, 10 anos, estava ansiosa para esse reinício. “Como não estava tendo aula, não estava dando para estudar muito. Tive que estudar sozinha em casa. Então, agora que voltou, é bem melhor. Quero ter boas notas”, conta a aluna que adora a disciplina de Artes.
A mãe de Ágatha, Natyelle dos Santos, 30, também fica feliz com o retorno. “Esse período sem aula foi um pouco complicado por que tenho dois filhos. O que está no 2º ano até teve dias com aula, mas a minha filha que está no 5º ano ficou semanas sem”, relata.
“Mas o atendimento na escola continuou, a escola não fechou. E a gente entendeu e conseguimos explicar para eles o que a escola estava passando”, afirma a autônoma que também faz parte do Círculo de Pais e Mestres (CPM) da Assis Brasil.
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Escola continuou aberta
Entre os 26 profissionais, desde docentes até a equipe diretiva, 15 aderiram à paralisação e greve na Emef Assis Brasil. A mobilização da categoria durou 31 dias, sendo 21 letivos. Durante todo o período, quem ficou na escola ajudou a atender os alunos, afirma a diretora Caroline Balbinot.
“A gente fazia uma escala de turmas para poder atender, dependendo do número de professores que a gente tinha aqui dentro da escola. Nós optamos por atender os alunos dos anos iniciais, com menos idade, que é onde os pais mais precisam do apoio da escola”, explica.
De acordo com a diretora, quem aderiu à greve manteve contato com a escola. “Os professores saíram no dia 14 para a paralisação, que já era algo agendado, e no dia 15 avisaram que se estenderia. O grupo saiu numa data e voltou na mesma data. O grupo foi coeso”, afirma Caroline.
Outros sete profissionais permaneceram na escola, entre elas a Roseane Rodrigues, aposentada e agora contratada da rede. “A gente segurou a escola. Demos essa assistência que não tinha como não dar e atendemos diferentes turmas a cada dia”, conta a professora sobre a rotina.
A escola permaneceu aberta também em função da alimentação e das necessidades das famílias. “Nós temos mães que têm quatro, cinco filhos, e aí um ou dois teriam aula e teria que deixar todos por conta do trabalho. As famílias pediram para deixar os filhos aqui mesmo não tendo aula. A gente acolheu”, ressalta a diretora Caroline.
Mais monitores
O retorno ainda contou com um avanço. A escola recebeu sete monitoras para atender cerca de 60 alunos de inclusão – todos com laudo que atestam a necessidade de acompanhamento. A Assis Brasil não tinha nenhum para dar conta dessa demanda.
“As monitoras que vieram são todas senhoras com experiência dentro de escola, que entendem o trabalho”, comemora a professora Roseane que atende os alunos de inclusão.
O chamamento dos monitores estava na lista de demandas da categoria em greve. A reivindicação foi atendida ainda em abril como a designação de 250 dos 500 profissionais prometidos pela Secretaria Municipal de Educação (SME).