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EDUCAÇÃO

Greve dos professores municipais de Canoas completa três semanas; entenda a situação

Profissionais da rede municipal que não aderiram estão dando aula

Publicado em: 06/05/2026 às 13h:41 Última atualização: 06/05/2026 às 14h:36
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A mobilização dos professores de Canoas, entre paralisação e greve, fecha três semanas nesta quarta-feira (6), chegando ao 13º dia letivo. De lá pra cá, foram feitas reuniões, manifestações e assembleias para debater propostas e contrapropostas. No entanto, os dois lados envolvidos mantêm seus posicionamentos, tornando incerto o fim da greve.

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Professores fizeram nova manifestação na frente da Prefeitura de Canoas nesta quarta-feira (6) | abc+



Professores fizeram nova manifestação na frente da Prefeitura de Canoas nesta quarta-feira (6)

Foto: Nicole Goulart/Especial

Sentados na mesa estão o Sindicato dos Profissionais em Educação Municipal de Canoas (Sinprocan), representando os professores, e a Prefeitura de Canoas. Enquanto que o último fala que mantêm o diálogo, a categoria afirma que isso já não existe mais.

O clima, que já era de disputa, ficou ainda mais pesado no final de abril. Isso porque o Executivo transformou em lei uma proposta rejeitada pelos professores: o parcelamento da reposição da inflação em seis vezes.

Na última assembleia, feita na segunda-feira (4), os professores decidiram pela continuidade da greve – mesmo com a aprovação dos projetos do Executivo. A categoria entende que a mobilização precisa continuar para que todas as demandas sejam atendidas e colocadas no papel.

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O que os professores reivindicam

A categoria possui uma lista de reivindicações que corresponde a problemas enfrentados pelos profissionais dentro e fora da sala de aula há bastante tempo. Algumas delas já haviam sido apresentadas ao Executivo até mesmo antes da greve

Estão na pauta: revisão do plano de carreira, enquadramento da Lei nº 15.326/2026, agilidade na nomeação dos professores concursados e segurança nas escolas.

Também são demandas a não renovação do contrato dos monitores junto com realização de concurso público, reposição salarial da inflação, piso salarial nacional, pagamento do Descongela (Lei Complementar nº226/2026) e aumento real do salário.

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O que diz a Prefeitura de Canoas

Em ofício enviado ao Sinprocan nesta terça-feira (5), o Executivo afirma que a reposição da inflação e o piso salarial foram “integralmente atendidos por meio das Leis nº 6.912 e nº 6.913/2026” – sendo que o parcelamento da reposição não foi aceito pela categoria.

O Descongela (Lei Complementar nº226/2026), a Lei nº 15.326/2026, a revisão do plano de carreira e a valorização profissional serão tratados em grupos de trabalho. As datas e horários dos encontros foram definidos pelo sindicato.

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Também em conjunto será construído o calendário de reposição das aulas. Internamente, a Prefeitura trabalha com a possibilidade de o ano letivo se estender até janeiro de 2027 com diminuição do recesso de julho.

“A possibilidade anteriormente apresentada de não desconto dos dias parados estava condicionada ao encerramento da paralisação e ao retorno às aulas, o que ainda não ocorreu”, diz a Prefeitura no ofício.

Tem aula com os professores que não aderiram

De acordo com o Sinprocan, cerca de 46% dos profissionais das Escolas Municipais de Ensino Fundamental (Emefs) aderiram à greve. Já nas Escolas Municipais de Educação Infantil (Emei) a adesão é de 28%.

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O levantamento parcial foi feito com as escolas que responderam a um formulário do sindicato. A informação foi divulgada na segunda-feira (4). “Os dados mostram que a cada dia mais servidores se somam ao movimento, fortalecendo a luta por respeito, condições dignas e direitos”, comenta o Sinprocan.

Por outro lado, os professores que não aderiram ao movimento estão dando aula. Essa postura chegou a ser criticada pelos grevistas durante a última assembleia da categoria na segunda-feira. Para muitos, isso prejudica o movimento.

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A divisão de opiniões é também entre os pais dos alunos. O motorista de aplicativo Rogério Severo tem um filho de 12 anos que estuda no 7º ano na Emef Sete de Setembro, no Guajuviras. “Todo mundo está sendo prejudicado, mas eu estou vendo somente o lado do meu filho. Semana passada ele teve aula só um dia. Hoje, ele vai ter aula normal”, conta.

Severo ainda comenta que isso desorganiza a rotina da família. “É muito ruim não saber se vai ter aula. Eu pago transporte pra ele e não posso cancelar um mês ou dois porque preciso o resto do ano.”

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Cartaz informa sobre cronograma de aulas na Emef Ministro Ludwig, no Mathias Velho, nesta quarta-feira (6) | abc+



Cartaz informa sobre cronograma de aulas na Emef Ministro Ludwig, no Mathias Velho, nesta quarta-feira (6)

Foto: Nicole Goulart/Especial

A filha do policial militar Vanderlei Mattos teve apenas uma aula nesta quarta-feira. A aluna de 12 anos estuda no 7ª ano da Emef Ministro Ludwig, no Mathias Velho. “É desconfortável, mas às vezes é necessário. A gente só não gosta que as crianças fiquem sem aula”, lamenta.

“Eu não sei quais são as pautas, mas eles têm que buscar os seus direitos. Acho que o governo tem que ser mais sensível. Se não tiver pressão, nada muda”, afirma enquanto esperava a filha sair da aula.

Pelas redes sociais, cada escola tem informado quais turmas e disciplinas são oferecidas dia a dia. Por exemplo, a Emef Castelo Branco, no bairro Igara, tem oito aulas nesta quarta-feira, de manhã e de tarde.

Já na Emef Arthur Pereira de Vargas, no Harmonia, sete turmas tiveram aula pela manhã. Outras sete terão aula à tarde. “Seguiremos com atendimento parcial nos próximos dias”, informou aos alunos e familiares.

Confira a linha do tempo

14/04Início da paralisação dos professores municipais de Canoas

15/04Reunião com o Executivo e assembleia na Praça da Emancipação. Agenda o início da greve para o dia 22 de abril

16 e 17/04 – Paralisação nas escolas e manifestação na Praça da Emancipação. Prefeitura classificou o movimentou como “inconstitucional”, mas foi rebatida pelo Sinprocan

20 e 21/04 – Feriadão de Tiradentes

22/04Início da greve dos professores municipais de Canoas e reunião com o Executivo

23/04Assembleia dos professores no Sindicato dos Metalúrgicos. Categoria rejeitou as propostas e apresentou contrapropostas

24/04 – Manifestação na Praça da Emancipação e passeata até a Secretaria de Educação

27/04Assembleia dos professores no Sindicato dos Metalúrgicos. Categoria rejeita novamente as propostas e reitera suas demandas

28/04 – Manifestação na Câmara de Vereadores e caminhada até o Ministério Público

29/04 – Manifestação na Praça da Emancipação

30/04Executivo aprova na Câmara e sanciona as Leis nº 6.912 e nº 6.913, que tratam do piso salarial e do parcelamento da reposição da inflação. Nova reunião entre as partes

01 a 03/05 – Feriadão do Dia do Trabalhador

04/05Assembleia dos professores no Sindicato dos Metalúrgicos. Categoria decide pela manutenção da greve e aprova novo ofício, reforçando suas demandas

05/05 – Participação da categoria da Comissão de Educação na Assembleia Legislativa

06/06 – Panfletagem, manifestação Assembleia dos professores no Sindicato dos Metalúrgicos e nova reunião da categoria com o Executivo

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