Uma longa espera terá fim na próxima terça-feira (21) em Novo Hamburgo. Fechado desde 2017, o Centro de Referência da Mulher (CRM) será reaberto no município. O anúncio oficial havia sido feito pela Prefeitura no dia 8 de março.

Foto: Juliano Piasentin/GES-Especial
Após meses sendo novamente estruturado, o CRM vai funcionar na Rua 25 de Julho, 326, no bairro Rio Branco. O prédio foi locado pelo poder público, que optou por escolher um imóvel observando uma série de critérios, pensando na estratégia de acolhimento e atendimento a mulheres em situação de violência doméstica e de gênero.
“Procuramos um espaço onde tivesse fácil acesso de transporte público, uma rua que fosse movimentada, mas não estivesse exatamente na área central da cidade. O motivo é o cuidado com a privacidade das mulheres que serão atendidas”, explica a secretária da Saúde, Betina Enpíndula.
Vinculado à Secretaria Municipal da Saúde (SMS), o CRM vai contar com atendimento psicológico, de assistência social, enfermagem e orientação jurídica. “Teremos salas de atendimento individual e de atendimento coletivo. Queremos poder oferecer grupos reflexivos e também oficinas, como por exemplo de geração de renda, para que as vítimas não fiquem na dependência financeira dos agressores, que muitas vezes é o que as mantém em relacionamentos abusivos.”
A vinculação levou em consideração o orçamento da SMS, entretanto vai contar com apoio da Secretaria da Desenvolvimento Social e da Secretaria de Segurança Pública. “Criamos ainda uma conta específica para o CRM receber emendas parlamentares destinadas por deputados estaduais e federais”, destaca Betina.
Profissionais
Betina confirma que a comunidade terá acesso ao CRM como um serviço de portas abertas, operando de segunda a sexta-feira das 8 às 17 horas. Serão duas psicólogas, duas assistentes sociais, uma profissional administrativa, uma enfermeira, uma advogada e uma técnica de enfermagem.

Foto: Juliano Piasentin/GES-Especial
“A mulher, quando chegar aqui vai ser acolhida por um profissional de referência, terá sua situação discutida pela equipe e receberá os encaminhamentos de acordo com a necessidade da pessoa”, esclarece a secretária.
Relevância para a cidade é destacada
Questionada sobre o tempo em que permaneceu fechado na cidade, a titular da SMS destaca que o CRM é um serviço essencial para o município e que foi tratado como prioridade desde o início da gestão na Secretaria. Segundo o Plano Plurianual (PPA), a implementação estava prevista apenas para 2027, mas foi antecipada pelo Executivo.
“É um serviço extremamente importante, já que busca fortalecer a luta coletiva e entregar às mulheres um espaço de acolhimento e conscientização sobre a violência. Então, para uma cidade do tamanho de Novo Hamburgom, para uma cidade do tamanho de Novo Hamburgo, ter de volta o Centro de Referência da Mulher, com um olhar tão integral, significa muito no avanço pela luta dos direitos das mulheres”, completa.
Conforme dados da Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul (SSP), o Estado teve o registro de 43 feminícidos até esta quinta-feira (16). Em 2025 haviam sido 36 mulheres mortas até junho, terminando o mês de julho com 46 mortes.
CRM na região
Em Canoas, o Centro de Referência da Mulher Patrícia Esber foi batizado em homenagem a uma vítima de feminicídio. O espaço foi inaugurado em 2011 e funciona até hoje na Rua Siqueira Campos, 321, Centro. A casa simples em uma rua tranquila é um sinônimo de segurança. Ali, as vítimas passam por diferentes profissionais e buscam um recomeço para as suas vidas.
Somente em 2025, foram mais de 3 mil atendimentos realizados, somando as mulheres que vão até CRM e a busca ativa de vítimas que possam precisar do serviço em Canoas.
Já em São Leopoldo, o Centro de Referência da Mulher é chamado de Centro Jacobina. O espaço presta acolhimento, acompanhamento psicossocial e assistência jurídica gratuita a mulheres em situação de violência doméstica e de gênero.
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