O segundo dia de julgamento do caso Ruschel ocorre nesta quarta-feira (6), no salão do Tribunal do Júri do Fórum de Novo Hamburgo, com a retomada dos trabalhos marcada pela réplica do Ministério Público (MPRS) após a fase inicial de debates entre acusação e defesa.
Desde o reinício da sessão, por volta das 9 horas, o promotor Eugênio Paes Amorim passou a rebater os principais argumentos apresentados pela defesa no dia anterior, especialmente a tese de que Adriana Guinthner seria inocente e também vítima do crime.

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
Durante sua manifestação, Amorim destacou elementos colhidos na investigação, com foco em duas ligações telefônicas recebidas por Adriana antes e depois da morte do escrivão judicial Paulo Cesar Ruschel. “Sabemos que essas ligações duraram 40 segundos”, explica o promotor, referindo que seria tempo suficiente para falar com o atirador.
Adriana alega que ninguém falou nessas duas chamadas.
Segundo o promotor, uma dessas ligações ocorreu momentos antes do homicídio e nunca foi devidamente esclarecida pela ré, que atribuiu o contato a um suposto “tarado” que a perseguia.
Na sequência, Amorim garante que a prova coloca Adriana no crime. “Não sabemos quem matou, mas sabemos quem planejou”, disparou o promotor, indicando que há elementos suficientes para apontar Adriana como responsável pelo planejamento do crime.
A acusação sustenta que o homicídio teria sido motivado por questões financeiras, em meio a uma crise no relacionamento, com o objetivo de ficar com o patrimônio da vítima.
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Etapas finais do julgamento
Após a réplica da acusação, ocorre a tréplica da defesa, último momento de manifestação antes da decisão. Na sequência, o conselho de sentença, que é formado por sete mulheres, se reúne para definir se Adriana Guinthner, única ré no processo, será condenada ou absolvida.
A expectativa, conforme a condução da juíza Bruna Casagrande, é de que o julgamento seja concluído até o fim da manhã ou início da tarde desta quarta-feira.
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Primeiro dia teve depoimentos e relato de vizinha
O primeiro dia de julgamento, realizado na terça-feira (5), foi dedicado à oitiva de testemunhas. Ao todo, sete pessoas foram ouvidas, sendo três de acusação e quatro de defesa.
Entre os depoimentos da acusação, teve o de uma vizinha do casal. Compromissada a dizer a verdade, ela relatou que ouvia discussões frequentes entre Adriana e Ruschel e afirmou que, meses antes do crime, escutou o escrivão questionar a companheira sobre uma possível intenção de matá-lo, após saber de uma suposta reunião para planejar sua morte.
Também foi ouvido um policial civil aposentado que atuou na investigação, apresentando detalhes das apurações realizadas.
Já entre as testemunhas de defesa, depuseram um advogado amigo de Adriana, uma de suas irmãs e um perito contratado pela defesa, que buscou contestar pontos da investigação.
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Paulo Cesar Ruschel foi morto na madrugada de 22 de outubro de 2006, dentro da residência onde vivia com Adriana, no bairro Pátria Nova. Ele foi atingido por dois tiros na cabeça e um no tórax enquanto dormia.
O caso se arrasta há quase 20 anos e é marcado por reviravoltas judiciais. Em 2023, Adriana foi condenada a 15 anos e nove meses de prisão, mas o julgamento foi anulado posteriormente pela Justiça, levando à realização deste novo júri.