O julgamento de Adriana Guinthner, acusada de planejar e participar da morte de Paulo Cesar Ruschel, foi marcado por um depoimento que trouxe detalhes de uma briga entre o casal meses antes do assassinato do escrivão judicial. No início do julgamento, nesta terça-feira (5), no Fórum de Novo Hamburgo, foram ouvidas testemunhas de acusação indicadas pelo Ministério Público.
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Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
Uma delas, a segunda a ser ouvida, era vizinha do casal à época do crime. A mulher, cujo nome será preservado, relatou às juradas que ouvia discussões frequentes entre os dois.
Em um desses episódios, meses antes do assassinato, afirmou ter escutado Ruschel questionar diretamente a companheira sobre a intenção de matá-lo. “Ouvi ele perguntando: ‘Tá querendo me matar, Adriana?’ Isso eu lembro bem”, recorda a testemunha. Segundo a vizinha, Ruschel teria feito a pergunta após saber de uma suposta reunião em que ela teria participado para planejar sua morte. Adriana, conforme o relato da testemunha, teria negado a história ao companheiro naquele momento.
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O júri popular iniciou por volta das 9 horas, com a escolha do conselho de sentença, formado por sete mulheres. A primeira fase de depoimentos começou pouco depois das 10h30 e se estenderam até após as 13 horas. Antes da vizinha, foi ouvida uma funcionária do Fórum e colega de trabalho de Ruschel. Ela, no entanto, pouco contribuiu para o esclarecimento dos fatos, alegando não recordar detalhes em razão do tempo transcorrido desde o crime, ocorrido em 2006.
Na sequência, o policial civil aposentado Jorge Luz dos Santos prestou depoimento por mais de 30 minutos, apresentando ao conselho de sentença um resumo das investigações conduzidas na época e respondendo a questionamentos da acusação. Depois, começaram a ser ouvidas as testemunhas indicadas pela defesa, iniciando por um advogado que era amigo e colega de trabalho de Adriana na Prefeitura de Novo Hamburgo, onde ela trabalhava na época do crime.
A segunda testemunha de defesa a ser ouvida foi uma das irmãs da ré. Ela teve o seu depoimento interrompido para o almoço e seguiu no começo da tarde. Depois que todas as testemunhas serem ouvidas, o conselho de sentença ouvirá o interrogatório de Adriana Guinthner.
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Caso tem histórico de reviravoltas
O julgamento ocorre após uma série de decisões judiciais ao longo dos anos. Em outubro de 2023, Adriana foi condenada a 15 anos e nove meses de prisão por homicídio duplamente qualificado, após um júri que durou dois dias. No entanto, a sentença foi anulada pela Justiça em 2024, após recurso da defesa. Em 2013, Adriana Guinthner já havia sido absolvida nesse processo por decisão do Tribunal de Justiça, contudo, um recurso do Ministério Público voltou a torná-la ré após decisão do Supremo Tribunal de Justiça. O STJ determinou o julgamento pelo tribunal do júri.
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A acusação é conduzida pelos promotores Eugênio Paes Amorim e Robson Barreiro. A defesa é liderada pelo advogado Jader Marques. A sessão é presidida pela juíza Bruna Casagrande. Adriana acompanha o julgamento.
Paulo Cesar Ruschel foi morto na madrugada de 22 de outubro de 2006, dentro da casa onde vivia com a companheira, no bairro Pátria Nova. Ele foi atingido por dois tiros na cabeça e um no tórax enquanto dormia. Adriana estava em casa e disse que o casal foi vítima de um assalto, porém, o criminoso que matou Ruschel fugiu sem levar nada de casa.
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