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"A gente paga porque precisa trabalhar": Usuários relatam longa espera e uso de apps com redução dos ônibus por greve em São Leopoldo

Rodoviários circulam apenas com 50% da frota nos horários de pico após determinação da Justiça

Isaías Rheinheimer
Publicado em: 14/07/2026 às 09h:34 Última atualização: 14/07/2026 às 10h:34
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A greve dos rodoviários de São Leopoldo foi mantida em assembleia realizada na noite de segunda-feira (13), mas o transporte coletivo voltou a operar parcialmente nesta terça-feira (14) após determinação da Justiça do Trabalho.

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Diferentemente de ontem, quando nenhum ônibus circulou na cidade, a decisão judicial obrigou as empresas a colocarem em operação 50% da frota nos horários de maior movimento.

Segundo dia da greve dos ônibus tem retomada de 50% da frota nos horários de pico em São Leopoldo



Segundo dia da greve dos ônibus tem retomada de 50% da frota nos horários de pico em São Leopoldo

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial

Com isso, a categoria deve atuar das 6 às 9 horas e das 16h30 às 19h30. Apesar da retomada parcial do serviço, a oferta reduzida de coletivos ainda provoca atrasos e longas esperas nas paradas.

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Entre 7 horas e aproximadamente 9h30 de hoje, ABCmais acompanhou a movimentação no conhecido Paradão do Triângulo, que fica na Rua Lindolfo Collor e na Avenida Theodomiro Porto da Fonseca, no Centro.

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A circulação de ônibus foi menor do que a registrada em dias normais, mas o cenário foi bastante diferente do observado na segunda-feira.

Nesse período, mais de 15 ônibus passaram pelo terminal para diferentes bairros de São Leopoldo.

A parada, que na segunda-feira estava vazia, voltou a receber passageiros nesta terça. Ainda assim, o movimento ficou abaixo do habitual, indicando que parte dos usuários segue receosa em relação à paralisação.

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O vigilante Pablo Leonardo Santos da Silva, 31 anos, morador do bairro São Miguel, esperava um ônibus para voltar para casa depois de uma noite de trabalho.

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Ele conta que, na segunda-feira, precisou recorrer a alternativas para conseguir fazer o deslocamento de casa para o trabalho. “Enquanto eles ficam nesse empurra-empurra, sem resolverem nada, a gente é que fica sofrendo, pegando frio e esperando mais de uma hora na parada”, afirma.

Segundo Silva, na segunda-feira ele foi caminhando até o trabalho e, na volta, precisou gastar com um carro por aplicativo.

“Os aplicativos também se aproveitam dessa situação e acaba ficando mais caro. A gente paga porque precisa trabalhar. Hoje já faz uns 40 minutos que estou esperando. Estou na expectativa de que o ônibus venha, mas também pode ser que eu tenha que voltar caminhando para casa”, disse.

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Outro passageiro que aguardava um ônibus era Metusael da Rosa, 23. Ele seguia para o trabalho no Parque Tecnológico São Leopoldo, na Unisinos, e disse que o ônibus já estava atrasado em relação ao horário habitual.

Metusael da Rosa, 23, relata atraso nos ônibus mesmo com retomada de 50% da frota em horários de pico em São Leopoldo



Metusael da Rosa, 23, relata atraso nos ônibus mesmo com retomada de 50% da frota em horários de pico em São Leopoldo

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial

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“Ele era para ter passado há uns dez minutos e ainda não chegou. Ontem fiquei esperando até as oito da manhã e o ônibus não veio. Conversei com meu chefe e consegui trabalhar de casa, mas nem todo mundo tem essa possibilidade.”

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Rosa destaca que o transporte coletivo é essencial para quem depende dele diariamente.

“Quem não tem carro e mora longe do serviço precisa do ônibus. Quando ele não passa, muita gente acaba tendo que gastar do próprio bolso para conseguir trabalhar. Isso gera muitos transtornos”, completa.

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Ruim para trabalhadores e estudantes

A auxiliar de limpeza Sandra da Andrade Machado, 46 anos, conseguiu pegar um ônibus no bairro Campestre, onde mora, para o trabalho, no Centro. “Tive que sair mais cedo de casa. Demorou um pouco, mas consegui. De tarde, saio às 18h do trabalho, então vou conseguir pegar de novo pra voltar pra casa. Mas ontem tive que pedir Uber pra vir e voltar”, contou, lamentando a situação.

“É ruim não só para quem trabalha, mas para as crianças que vão para o colégio. Temos que pagar Uber pra gente e pra elas irem pra aula também”, comentou.

Jair, de 81 anos, acabou pegando um ônibus de linha diferente para chegar mais perto de seu bairro



Jair, de 81 anos, acabou pegando um ônibus de linha diferente para chegar mais perto de seu bairro

Foto: Priscila Carvalho/GES-Especial

Linha diferente para chegar mais perto de casa

Quem esperava pelas paradas de ônibus próximo das 9h, quando encerraria o horário de pico da manhã, estava preocupado se ainda conseguiria um coletivo. Caso do morador do bairro Santa Tereza, Jair Rodrigues da Silva, de 81 anos.

Ele veio cedo de ônibus para o Centro e às 8h50 aguardava um transporte coletivo para voltar pra casa. “Fui numa loja e ia na igreja, mas nem vou. Vou tentar voltar agora, se não só de tarde (no próximo horário de pico)”, ponderou. “É muito ruim. Eu tenho 81 anos, como vou a pé daqui até lá? É puxado”, acrescentou o idoso.

Com medo de que a linha que ele esperava não viesse, Jair acabou pegando um coletivo de outro trajeto, que passaria pela Estação Unisinos, próximo de seu bairro. “De lá, vou a pé”, disse, enquanto embarcava no veículo.

Entre 9h, quando encerrou o horário de pico, e 9h30, mais três ônibus passaram pelo Paradão da Rua Lindolfo Collor. Dois deles porém, apenas para desembarque de passageiros, indicando no letreiro que voltariam para a garagem.

*Colaborou: Priscila Carvalho 

Veja vídeo

Greve dos rodoviários continua, mas ônibus voltam a circular nos horários de pico

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