O mercado norte-americano representa uma boa parcela da receita de muitas empresas brasileiras. A cobrança de taxa de 50% sobre produtos verde-amarelos a partir de 1º de agosto vai ter impacto direto na economia de mercados como bens de capitais, alimentos e bebidas, papel e celulose, petroquímico, entre outros.
LEIA TAMBÉM: TARIFA DE TRUMP: Com cargas paradas, exportadores buscam alternativas para driblar imposto dos EUA

Foto: Antônio Milena/Agência Brasil
Durante evento realizado nesta sexta (18), na Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom, Estância Velha, Dois Irmãos e Ivoti (ACI-NH/CB/EV/DI/IV), o vice-presidente de Economia da entidade falou sobre o cenário econômico brasileiro diante das questões tributárias que envolvem o governo Trump.
Momberger apresentou dados levantados pela XP Investimentos com a lista das empresas que tem parte de seu faturamento atrelado ao mercado dos EUA. “Partindo do princípio que haja o tarifaço a partir de 1º de agosto a Embraer deve ser a empresa mais impactada.”
Atualmente a Embraer tem 23,8% do faturamento relacionado às exportações para o mercado norte-americano. Em matéria divulgada pela Agência Brasil na quinta-feira (17), a empresa, que é a terceira maior fabricante de aeronaves do mundo, atrás apenas da Boeing e da Airbus, disse que o tarifaço anunciado poderá causar um impacto na companhia similar ao da pandemia de covid-19.
Na época, a companhia teve cerca de 30% de queda de receita e precisou reduzir em torno de 20% o quadro de funcionários.
“Não há como remanejar encomendas de clientes dos Estados Unidos para outros mercados. Não tem como remanejar essas encomendas. Avião não é commodity. O maior mercado de avião executivo é nos Estados Unidos. Não tem como reposicionar isso para outros mercados”, destacou Gomes em entrevista para a Agência Brasil.
Veja 15 empresas mais afetadas de acordo com estimativa de quanto cada uma fatura com os EUA (%):
1- Embraer (bens de capital) – 23,8%
2- Suzano (papel e celulose) – 16,6%
3- Tupy (bens de capital) – 13,9%
4- Jalles Machado (agro) – 11%
5- Frasle Mobillity (bens de capital) – 10,8%
6- WEG (bens de capital) – 9,1%
7- Minerva (alimentos e bebidas) – 8% – 15%
8- Randocorp (bens de capital) – 6,4%
9- Cosan (óleo, gás e petroquímico) – 6%
10- Lochpe-Maxion (bens de capital) – 5,4%
11- Alpargatas (varejo) – 4%
12- CSN (mineração e siderurgia) – 4%
13- Petrobras (óleo, gás e petroquímico) – 4%
14- Unipar (óleo, gás e petroquímico) – 4%
15- CBA (mineração e siderurgia) – 3,2%
VEJA AINDA: 48ª Expointer é lançada oficialmente; feira ocorrerá de 30 de agosto a 7 de setembro
E será que o tarifaço vai adiante?
O especialista em investimentos e vice-presidente da ACI não acredita que a taxa de 50% vai “parar de pé”. “Não sabemos o que vai acontecer, eu acho que nem ele (Donald Trump) sabe. Ainda se acredita em uma solução diplomática. Economicamente a taxação não para de pé, nem economicamente e particularmente nem politicamente, os argumentos não fazem o menor sentido”, avalia Momberger.