Em reunião com o cônsul-geral dos Estados Unidos em Porto Alegre, o Sistema Fiergs e o governo do Rio Grande do Sul apresentaram os impactos, para indústrias gaúchas, a partir da taxação americana de 50% sobre produtos exportados pelo Brasil.
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Foto: Dudu Leal/Fiergs
O encontro ocorreu na manhã desta sexta-feira (18), no Palácio Piratini, e reuniu, além do presidente Cláudio Bier e do governador Eduardo Leite, secretários estaduais e representantes sindicais e industriais.
A reunião foi marcada para reunir subsídios e possíveis estratégias que possam ser levadas pelo cônsul-geral, Jason Green, ao Consulado Geral em Porto Alegre e, posteriormente, à Embaixada dos EUA no Brasil.
Representantes dos setores de armas e munições, madeira e móveis, pescados e calçados fazem parte do movimento de negociação. São segmentos que exportam para o mercado norte-americano e serão diretamente impactados com a medida do governo Donald Trump.
“Existem empresas no Estado que exportam praticamente 100% da sua produção para os Estados Unidos. Comunidades inteiras estão sob risco. E esse impacto não será sentido apenas aqui: há também consequências diretas sobre cadeias produtivas e empregos nos próprios Estados Unidos. Por isso, nosso apelo é para que se avalie a postergação da entrada em vigor dessas tarifas, o que permitiria tempo para negociação, minimizando danos para os dois países”, afirmou o governador.
Prorrogação de prazo
Leite defendeu que a prorrogação do prazo para entrada em vigor da nova taxa, prevista para 1º de agosto, é fundamental para que se possa negociar e minimizar os prejuízos aos setores produtivos gaúchos.
Para o governador do RS, o governo federal precisa avaliar a adoção de medidas de apoio emergencial aos setores mais atingidos, caso não haja revisão das tarifas, ponto também apontado como prioritário em documento elaborado pela Fiergs e por sindicatos no início da semana.
O economista-chefe do Sistema Fiergs, Giovani Baggio lembrou que o Rio Grande do Sul como segundo estado brasileiro mais afetado pela elevação tarifária, com uma perda potencial de R$ 1,9 bilhão no Produto Interno Bruto (PIB).
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Conforme o presidente do Sindicato das Indústrias de Artefatos de Borracha do Estado no Rio Grande do Sul (Sinborsul), Sergio Luis Patzlaff, o encontro reforçou a importância da diplomacia.
“Ficou bem claro o tamanho do impacto que (a tarifa de 50%) terá para a economia gaúcha, quantos empregos do RS estão conectados com os negócios dos Estados Unidos. Foi importante o cônsul ter visto os números apresentados pela Fiergs. No nosso setor também temos associados que exportam e vão ter impactos com isso”, comentou.
Patzlaff também alerta sobre perda de empregos no Estado. “Tem toda a cadeia de fornecimento e fornecedores de serviços que estão por trás das empresas que exportam. O impacto econômico e de empregos será muito acentuado”, ressalta o presidente do Sinborsul, entidade que tem sede em São Leopoldo.
Negociações
Segundo o presidente do Sistema Fiergs, a situação é muito preocupante, mas que exige calma por parte dos envolvidos, a fim de não aumentar os prejuízos que já atingem as indústrias gaúchas que enviam mercadorias ao território americano.
Ressaltando a importância da mediação e da negociação, Bier lembrou que a entidade já realizou reuniões sobre o assunto com as federações do Sul e com a Confederação Nacional da Indústria, além dos sindicatos industriais gaúchos. Também informou que, na segunda-feira (21), terá um encontro com o vice-presidente Geraldo Alckmin, em Brasília.
“É um momento de muito diálogo, não podemos de maneira nenhuma acirrar ainda mais essa situação. A FIERGS está muito preocupada com esse cenário. Não podemos deixar passar nenhuma tentativa de acordo, porque é fundamental para que venhamos a conseguir um resultado melhor para nossas indústrias”, disse Bier.
Também participaram do encontro os secretários estaduais da Casa Civil, Artur Lemos, de Desenvolvimento Econômico, Ernani Polo, e da Fazenda, Pricilla Santana, o presidente da InvestRS, Rafael Prikladnicki, e representantes de Abicalçados, CMPC, Farsul, Federasul, Fecomércio, GM, Tramontina, Braskem, Dell, Movergs, Sinborsul, Verallia, entre outras empresas e entidades setoriais.
*Colaborou Adriana Tauchert