O Sistema Fiergs realizou uma reunião nesta terça-feira (15) que resultou em uma carta oficial com a solicitação de medidas urgentes frente ao tarifaço Trump. O documento foi redigido em conjunto com sindicatos industriais filiados e enviado à Confederação Nacional da Indústria (CNI).
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Foto: Dudu Leal/Divulgação
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O documento solicita, sobretudo, a manutenção da atual tarifa em 10%, a fim de preservar a competitividade das indústrias gaúchas que exportam para o país norte-americano. Se isso não ocorrer, pede a prorrogação por 90 dias do início da vigência da nova taxação e a adoção de medidas compensatórias pelo governo brasileiro para eventuais perdas do setor.
No encontro, o presidente do Sistema Fiergs, Claudio Bier, relatou ter realizado reuniões com as federações da Região Sul e também com a CNI e outros estados na segunda-feira (14) para tratar sobre o tema. Bier alertou que a situação é muito grave e reforçou que a posição da indústria segue priorizando a negociação e a mediação, com o objetivo de evitar maiores prejuízos ao setor.
“Uma das estratégias que estamos adotando é pedir que representantes dos sindicatos falem com os seus compradores nos Estados Unidos, já que eles também serão muito prejudicados, com dificuldades para encontrar outros fornecedores de uma hora para outra. Buscamos que nossos compradores nos ajudem junto ao governo americano”, afirma.
O presidente enfatizou, ainda, o impacto negativo da taxação de 50% para as indústrias do Rio Grande do Sul e do Brasil. Cerca de 10 mil empresas brasileiras exportam para os EUA, segundo principal destino das exportações gaúchas (8,22% do total exportado em 2024).
“Estamos preocupados porque há setores que dependem muito dessa exportação para os Estados Unidos, e isso foi levado à CNI. Por isso, estamos investindo na questão técnica, trazendo as diversas pautas que temos na indústria e são relevantes, como a prorrogação”, diz a diretora de Relações Institucionais do Sistema Fiergs, Ana Paula Werlang.
Veja os pontos defendidos na carta:
1. Manutenção da tarifa em 10%, assegurando isonomia com países vizinhos e preservando a competitividade das exportações brasileiras;
2. Prorrogação por 90 dias do início da vigência da tarifa anunciada, permitindo um período de adaptação e negociação;
3. Manutenção das atuais tarifas para mercadorias embarcadas até a data de vigência de eventual alteração;
4. Preservação do bom ambiente de negociação e diplomacia, evitando escaladas protecionistas;
5. Mobilização das indústrias exportadoras brasileiras acionando os seus parceiros comerciais nos EUA para sensibilizar o governo americano, buscando um desfecho favorável;
6. Adoção de medidas emergenciais, como linhas de financiamento, programas similares ao Reintegra, redução de jornada e salário, suspensão temporária de contratos, FGTS e recolhimentos previdenciários.