O tarifaço dos EUA sobre produtos brasileiros está ativo desde o último dia 6. A medida do governo de Donald Trump tem impactado indústrias do RS. O Sistema Fiergs segue mobilizado para encontrar soluções que amenizem as duras consequências para as empresas exportadoras. Na última sexta (15), a Fiergs realizou uma segunda reunião com CUT-RS, Força Sindical e federações de trabalhadores para tratar sobre a preservação de empregos.
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Foto: Lucas Machado/Fiergs
Os participantes defenderam a negociação coletiva como forma de dar fôlego às indústrias gaúchas. Nesse caso, poderiam ser analisadas alternativas como antecipação de férias, utilização de feriados e banco de horas.
Além disso, conforme o Sistema Fiergs, as entidades laborais e patronais devem elaborar propostas mais robustas que serão apresentadas ao Ministério do Trabalho e Emprego. Entre as possibilidades levantadas na reunião, estão a suspensão de contratos de trabalho e a redução de salários com complementação por parte do governo federal, com adoção de jornadas reduzidas sem prejuízo à renda dos trabalhadores.
“Nossa ideia é atuar em conjunto para formatar uma proposta, pois não sabemos por quanto tempo esse impasse comercial vai durar. Queremos estimular a negociação coletiva e propor medidas concretas ao governo federal”, afirma o coordenador do Conselho de Relações do Trabalho da Fiergs, Guilherme Scozziero.
O coordenador do Comitê da Indústria de Base Florestal e Moveleira do Sistema Fiergs (Combase) e presidente do Sindimadeira RS, Leonardo De Zorzi, destacou a necessidade de enfrentar o desafio econômico, especialmente nos municípios menores, para que não ocorram desligamentos em massa.
“Diferentemente das grandes cidades, os municípios menores muitas vezes dependem diretamente da atividade econômica exportadora, como o setor madeireiro. Já há relatos de demissões nesse segmento”, disse. Segundo ele, 2,5 mil empregos industriais e 350 postos na colheita estão ameaçados pelas tarifas.
Os representantes, tanto dos empresários quanto dos trabalhadores, também defenderam que as medidas propostas sejam direcionadas apenas às empresas diretamente afetadas pelas tarifas aplicadas aos produtos brasileiros.
O presidente da CUT-RS, Amarildo Cenci, informou que os sindicatos laborais também estão comprometidos na busca de soluções. “Ninguém sairá ileso. Precisamos defender políticas que mantenham os postos de trabalho. Podemos discutir a redução da jornada sem comprometer a renda, além de investir em qualificação para os trabalhadores”, observa.
Setor calçadista
Outro setor fortemente impactado é o calçadista, que emprega 32 mil pessoas no Rio Grande do Sul. Estima-se que cerca de 4 mil empregos estejam em risco.
“O sapato exportado aos EUA é um produto de moda, desenvolvido especialmente para o consumidor americano. Não é possível redirecionar a produção com facilidade. Precisamos encontrar soluções para dar fôlego às empresas e evitar demissões”, destaca o diretor do Centro das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Ciergs) e presidente do Sindicato da Indústria de Calçados do RS (Sicergs), Renato Klein.