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CASO ANNA PILAR

"Argumentação misógina": Defesa vai tentar anular condenação de mulher que matou filha em Novo Hamburgo

Defensora Tatiana Kosby Boeira diz que saiu entristecida de julgamento após conselho de sentença, composto apenas por mulheres, reconhecer qualificadoras apresentadas pelo MP

Isaías Rheinheimer
Publicado em: 17/12/2025 às 17h:30 Última atualização: 17/12/2025 às 17h:35
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A Defensoria Pública do Estado anunciou nesta quarta-feira (17) que irá recorrer da decisão do júri popular que condenou Kauana Nascimento a 44 anos, 5 meses e 10 dias de prisão pela morte da própria filha, Anna Pilar Cabrera, de 7 anos, em Novo Hamburgo.

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"Saio muito entristecida que a maioria tenha acolhido uma argumentação misógina": Defesa vai tentar anular condenação de mulher que matou a filha em Novo Hamburgo | abc+



“Saio muito entristecida que a maioria tenha acolhido uma argumentação misógina”: Defesa vai tentar anular condenação de mulher que matou a filha em Novo Hamburgo

Foto: Reprodução

Kauana foi denunciada pelo Ministério Público (MPRS) por matar a filha a facadas no dia 9 de agosto de 2024, dentro do apartamento onde moravam, na região central da cidade. O júri foi realizado na terça-feira (16), no Fórum de Novo Hamburgo, e se estendeu ao longo de todo o dia, entrando pela noite.

O veredito foi anunciado por volta das 22 horas pelo juiz Flávio Curvello Martins de Souza, titular da 1ª Vara Criminal, após as juradas acolherem integralmente a tese da acusação. O conselho de sentença, composto por sete mulheres, reconheceu as quatro qualificadoras apresentadas pelo MP.

A defensora pública Tatiana Kosby Boeira, responsável pela defesa da mãe, afirmou que irá recorrer aos tribunais superiores. Segundo ela, embora a instituição respeite o veredicto do júri, a decisão causa preocupação. “A Defensoria Pública respeita, como sempre, o veredicto do júri. Contudo, saio muito entristecida que a maioria, em um júri composto por sete mulheres, tenha acolhido uma argumentação misógina, que aponta o ciúme do ex-companheiro como motivação para tirar a vida da própria filha”, afirma.

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Ainda conforme a defensora, o recurso também será fundamentado no fato de que as juradas não reconheceram o laudo pericial de semi-imputabilidade, elaborado por perita oficial e que, segundo a defesa, não foi impugnado tempestivamente pelo Ministério Público. “Iremos recorrer aos tribunais superiores, pois a decisão é contrária à prova dos autos. Não se acolheu um laudo pericial técnico, o que também revela uma sociedade que ainda nega a ciência e prefere argumentos empíricos, vindos de quem não tem conhecimento científico na área”, completa a defensora.

Durante o julgamento, a defesa sustentou a tese de que Kauana teria sofrido um surto psicótico no dia do crime, o que, segundo a defensora, comprometeria sua capacidade de entendimento no momento do fato. Essa tese, no entanto, não foi acolhida pelas juradas, que seguiram integralmente o entendimento apresentado pela acusação.

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