Vandré Centeno do Carmo, de 35 anos, foi condenado neste segunda-feira (29) a 19 anos e três meses de prisão pelo assassinato de Cíntia Beatriz Lacerda Glufke, de 34 anos, morta em 2015.
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Foto: MPRS
Carmo foi condenado pelo delito de homicídio qualificado, além do crime conexo de ocultação de cadáver.
O julgamento ocorreu na 2ª Vara do Júri da capital, e a acusação foi feita pelo promotor de Justiça Francisco Saldanha Lauenstein, que pontuou que o réu apresentou várias versões do crime no processo. “Na verdade, isso foi um caso de feminicídio brutal, covarde e premeditado. O MPRS buscou justiça para a vítima, cuja família esperou 10 anos por este veredito”, disse o promotor, que garantiu que vai recorrer para o aumento da pena.
Para o coordenador do Centro de Apoio Operacional do Júri (CAOJÚRI) do MPRS, promotor de Justiça Marcelo Tubino, “existem pessoas que precisam ficar bastante tempo segregadas, não podem estar no convívio social porque causam grande dano à população”.
Irmãos serão julgados em dezembro
Alan e Jean Centeno do Carmos, que seriam julgados na mesma sessão plenária desta segunda-feira, irão a júri dia 10 dezembro devido à chamada “colidência defensiva”.
Além deles, havia mais dois réus: o sogro da vítima, que foi impronunciado, e a sogra, teve a punibilidade extinta por falecimento no ano passado.
O crime
A vítima foi atraída à residência de Vandré, com quem acreditava possuir uma amizade após trabalharem juntos em um hotel, sob o pretexto de um almoço, no dia 7 de agosto daquele ano. Após uma discussão, foi agredida e morta com golpes de marreta. O corpo foi esquartejado com serra elétrica.

Foto: Arquivo pessoal
Com o aparelho celular da jovem, Vandré simulou que Cíntia teria fugido. Dois dias depois, braços e pernas foram encontrados em uma mala em São Joaquim. A perícia de Santa Catarina confirmou que se tratavam de partes do corpo de Cíntia no dia 18 daquele mês, mas foi apenas no dia 20 que o suposto amigo da vítima confessou o crime e levou policiais ao pátio da casa onde morava, na Rua Afonso Moacir Ceoli.
Os irmãos teriam ajudado no esquartejamento e na ocultação do cadáver. Alan e Jean foram presos no dia 28 de agosto de 2015.
Contato com Ricardo Jardim na prisão
Enquanto revelava detalhes sobre o caso da mala, crime contra Brasília Costa, 65, – Bia, como era conhecida – a Polícia informou que o principal suspeito de matar e esquartejar a vítima, o publicitário Ricardo Jardim, 66, conviveu com Vandré enquanto cumpria pena por matar e concretar a própria mãe, Vilma Jardim, 76, em 2015. A relação entre os presos também pode ter inspirado, de alguma forma, a brutalidade que ganhou repercussão nacional no último mês.
“Checamos a história e confere”, confirmou o diretor do Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa, o delegado Mário Souza na manhã do dia 16 de setembro. “Ele realmente passou um tempo na cadeia com esta pessoa. Acreditamos que foi daí que tirou a ideia.”
Similaridades
Assim como Cíntia, partes do corpo de Bia foram achados em uma mala, dentro do guarda-volumes da Rodoviária de Porto Alegre. Coincidência ou não, a bagagem foi deixada no local público no dia 20 de agosto, mesmo dia em que Vandré confessou o crime contra Cíntia 10 anos antes.
No dia 13, uma sacola com partes de braços e pernas foram localizados no bairro Santo Antônio. Depois, entre 6 e 7 de setembro, foram encontradas outras partes de perna e um segmento de perna e pé na orla do Guaíba, na zona sul da capital, todas de Brasília.
Resta, agora, saber onde está o crânio da vítima, assassinada dentro de uma pousada de Porto Alegre entre os dias 8 e 9 de agosto deste ano.