A Polícia Civil deflagrou nesta terça-feira (20) a batizada Operação Ano Novo, Vida Nova. O objetivo é coibir ciclos de violência doméstica e familiar contra as mulheres neste início de ano.
A ação organizada pela Divisão de Proteção e Atendimento à Mulher do Departamento de Proteção a Grupos Vulneráveis consiste no cumprimento de mandados de busca e apreensão de armas de fogo e nas prisões de agressores.

Foto: POLÍCIA CIVIL/REPRODUÇÃO
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Em Canoas, um homem acabou preso nesta terça-feira por descumprir Medida Protetiva de Urgência (MPU), além do cumprimento de dois mandados de prisão visando eliminar o risco de armas de fogo usadas para ameaçar vítimas.
Antes mesmo da ação lançada pela Civil, Canoas já havia observado um novo recorde de agressores levados à cadeia neste começo de ano. Foram dez homens presos nos primeiros 20 dias de 2026, segundo a Polícia Civil.
Um dos casos que chamou a atenção da polícia foi o do homem que acabou preso em flagrante na frente da empresa em que a ex-mulher trabalhava. Ele vinha perseguindo a vítima há dias.
Conforme a Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher de Canoas, ele não aceitava o término do relacionamento e os consequentes “bloqueios no celular”. Passou a persegui-la (stalking) em casa e no trabalho.
“Mesmo sob a proteção do Estado, muitas vítimas acabam cercadas e precisamos agir rápido para garantir prisões. Eles parecem não entender que uma ameaça é uma violência psicológica e mesmo aqueles monitorados, seguem cercando as vítimas”, explica a delegada Angélica Giovanella Marques.

Foto: PAULO PIRES/GES
Mais violência
A ofensiva lançada na terça-feira é uma resposta do Estado ao aumento da violência de gênero. Isso porque a Secretaria Estadual de Segurança Pública divulgou os indicadores criminais ao longo do ano passado no Estado.
Lamentavelmente, os feminicídios tiveram aumento de 10%, passando de 73 mortes de mulheres por questão de gênero em 2024 para 80 ocorrências anotadas em 2025, o que representa um novo desafio às polícias.
Em Canoas, houve um feminicídio em 2025. Um crime a menos que em 2024. Quanto às tentativas de feminicídio, há um empate de oito crimes cometidos contra mulheres em 2024 e 2025.
Já as ameaças aumentaram 14%. Foram 1.032 casos surgidos no ano passado contra os 905 em 2024. Em menor número, as agressões subiram 5%, com o surgimento de 609 crimes em comparação com os 579 de 2024.

Foto: DIVULGAÇÃO
São 40 monitorados
Um projeto pioneiro lançado inicialmente na capital Porto Alegre e em Canoas, o Monitoramento ao Agressor segue em operação na cidade. Atualmente, Canoas tem 40 agressores sendo monitorados, segundo a Polícia.
O objetivo é o mesmo: após decisão judicial, uma tornozeleira é instalada pela Polícia Civil no agressor. O monitoramento é feito pela Brigada Militar e, caso ele se aproxime da vítima, um sinal é emitido e o homem acaba preso.
“Antes da instalação da tornozeleira, orientamos cada agressor e, mesmo assim, o número que não respeita a distância da vítima é enorme”, lamenta Angélica. “Então, o entra e sai da cadeia devido ao programa acaba sendo grande.”
Maria da Penha
A Lei Maria da Penha completará 20 anos em agosto de 2026. Marco fundamental no Brasil para o combate à violência contra a mulher, desde a criação, é reconhecida mundialmente por sua abrangência em tipos de violência (física, psicológica, sexual, patrimonial e moral).
Canais de denúncia:
- Brigada Militar – ligue 190
- Guarda Civil Municipal – ligue 153
- Central de Atendimento à Mulher – ligue 180
- Disque Mulher Canoas – (51) 99275-8146
- Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) – Plantão (51) 99859-0943
- Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) – 3425-9000 – atendimento 24 horas, todos os dias
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