Cinco dias após o caso repercutir nas redes sociais, foram indiciados nesta terça-feira (17) o empresário e a funcionária de uma revenda de Novo Hamburgo que protagonizaram um vídeo viral na última semana. Ambos vão responder por incitação ao crime contra a mulher.
O reel, publicado no feed da Bolezina Veículos na última quinta-feira (12), gerou indignação. Conforme o delegado Alexandre Quintão, titular da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) da cidade, empresário e funcionária protagonizaram vídeo “com conteúdo de ridicularização e agressão à mulher”.
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Foto: Reprodução/Redes sociais
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Em depoimento, a colaboradora relatou que foi ideia dela a elaboração da trend, afirmando que “havia outras de igual conteúdo espalhadas pelas redes sociais, e que a intenção era viralizar para divulgar a revenda”. Ela afirmou que não tinha intenção de estimular a violência contra mulheres e disse ainda que “se soubesse não teria feito o vídeo”.
Carlos Bolezina, proprietário da revenda, que também aparece no vídeo, ficou em silêncio durante depoimento. Ambos foram acompanhados de advogado.
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Sendo assim, o delegado entendeu que “os indiciados assumiram o risco de produzir o resultado, dolo eventual, ao publicarem o vídeo ridicularizando uma mulher em seu ambiente de trabalho e com uma encenação de agressão ao final, tendo em vista o contexto que o Rio Grande do Sul vive em relação à violência contra a mulher”.
“Sendo assim, entendeu-se que não foi apenas uma publicação infeliz, que, por estar inserida neste contexto e pela forma com que foi produzida, poderia, sim, se enquadrar como delito de incitação ao crime, mesmo que de forma indireta”, diz o delegado. O crime, delito de menor potencial ofensivo, prevê uma pena de 3 a 6 meses de detenção, ou multa.
Empresa afirma que “não compactua com qualquer forma de violência”
No fim da última quinta, mesmo dia em que o vídeo foi publicado, a empresa se manifestou por meio de nota divulgada nas redes sociais. O estabelecimento reiterou que “não compactua com qualquer forma de violência ou desrespeito contra mulheres”, alegando que esses valores fazem parte da cultura institucional da revenda.
“Diante das diferentes interpretações geradas a partir da divulgação do vídeo, a empresa optou por remover imediatamente a publicação, reconhecendo que o conteúdo poderia ser considerado inadequado sob a ótica da sensibilidade social contemporânea”, diz a nota.
No pronunciamento em vídeo sobre o caso, compartilhado minutos depois da nota, Carlos reforçou que repudia “qualquer tipo de agressão contra a mulher”. “O vídeo foi 100% editado. Eu não encostei na pessoa ali que participou do vídeo, minha colega de trabalho, muito menos aquele barulho do vídeo foi feito através da minha mão em relação ao encosto nela, que não teve nem esse encosto”, afirma.
Manifestações
A Diretoria da Ordem dos Advogados do Brasil – Subseção de Novo Hamburgo/RS, conjuntamente com a Comissão da Mulher Advogada, se manifestou por meio de uma nota de repúdio em relação ao vídeo publicado, citando a chamada trend “caso ela diga não“, que foi excluída das redes sociais por veicular “conteúdo que naturaliza e incentiva a violência contra a mulher, além de reproduzir práticas de assédio moral no ambiente de trabalho dirigidas às mulheres”.
“É absolutamente inadmissível que, em pleno ano de 2026, ainda se utilize do alcance das redes sociais para banalizar, relativizar ou estimular comportamentos violentos e discriminatórios contra mulheres”, diz parte da nota.
O Ministério Público informou que acompanhava a investigação policial e compartilhou uma manifestação da subprocuradora-geral para Assuntos Institucionais, Alessandra Moura Bastian da Cunha: “Condutas que incitam ou naturalizam a violência de gênero, como o vídeo que mostra um chefe simulando um tapa no rosto de uma funcionária de um estabelecimento comercial de Novo Hamburgo são absolutamente inadmissíveis”.
No dia seguinte, a Brigada Militar alertou sobre conteúdos que banalizam agressões. “Violência contra a mulher não é entretenimento”, disse a major Bibiana Beck Menezes, coordenadora regional da Patrulha Maria da Penha no Vale dos Sinos.
O Ministério Público do Trabalho (MPT) instaurou uma Notícia de Fato no mesmo dia da viralização do vídeo e informou nesta terça que há uma audiência designada para ouvir o empresário.
Estado chega ao 23º feminicídio
Ainda nesta terça, o Rio Grande do Sul teve mais um caso de feminicídio. Daiane Rosa Zastrow, de 39 anos, foi assassinada a facadas dentro da própria casa, no bairro Parque Primavera, em Esteio. O companheiro de 61 anos, principal suspeito pelo crime, fugiu do local.
Violência contra a mulher é crime, denuncie
SILÊNCIO APRISIONA. INFORMAÇÃO LIBERTA. DENUNCIE! LIGUE 180

Foto: Grupo Sinos
- Polícia Civil – 197
- Disque-Denúncia – 181
- Brigada Militar – 190
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