A prisão de um casal apontado como mandante do homicídio de um morador do bairro Roselândia, em Novo Hamburgo, gera apreensão entre moradores. O crime, ocorrido em janeiro, teria sido motivado por uma briga entre duas crianças, sendo que uma delas é filha do casal e a outra era filho da vítima, Nilson Ramos da Rosa, de 50 anos.
Durante a Operação Cova Rasa, desencadeada nesta quinta-feira (5) pela Delegacia de Homicídios de Novo Hamburgo, moradores acompanharam a movimentação policial no bairro. Em meio à ação, o clima entre parte da população era de preocupação com possíveis represálias.
Um morador que saía para o trabalho enquanto a operação ainda estava em andamento resumiu o sentimento de insegurança. “Agora isso aqui (bairro) vai virar um inferno”, disse, ao passar pela casa dos mandantes. A preocupação é com histórico criminal deste casal, que é conhecido da polícia e associado a episódios de violência no bairro, o que alimenta o receio de que integrantes ligados a eles possam reagir após as prisões.
Para garantir tranquilidade à comunidade, a Brigada Militar afirma que já tem um plano para intensificar as ações de segurança no bairro. O capitão Gilson Borges, que comandou cerca de 30 policiais da Brigada Militar no apoio à operação, afirmou que o trabalho conjunto com a Polícia Civil começou ainda no início das investigações.
“Policiais militares foram os primeiros a encontrar o cadáver. A partir dali, o nosso setor de inteligência passou a trabalhar em cima daqueles dados preliminares. O contato com a Polícia Civil é constante e diário. A nossa equipe de inteligência, trabalhando junto com a Polícia Civil, chegou até esses nomes, dando subsídio para o delegado representar pelas ordens judiciais”, afirma.
Segundo o oficial, a Brigada Militar já prepara uma série de ações para reforçar a presença policial na Roselândia. “A partir de agora nós vamos seguir trabalhando fortemente naquele bairro para manter a ordem pública e garantir a segurança dos moradores. Vamos intensificar operações, utilizar nossas equipes de recobrimento, como a Força Tática e a Rocam. O serviço de inteligência também já está atuando no bairro, trabalhando em cima das informações”, garante.
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O capitão destacou ainda que a colaboração da comunidade é importante para evitar novos crimes e garantir a segurança na região. “Qualquer informação que as pessoas tenham pode ser repassada pelo telefone 190. O sigilo é garantido. Se a pessoa não quiser falar naquele momento, pode deixar um contato que alguém da inteligência vai retornar”, completa.
Saiba mais sobre a operação Cova Rasa
A operação que resultou nas prisões do casal mandante e de executores foi coordenada pela Delegacia de Homicídios de Novo Hamburgo, com apoio da Delegacia de Homicídios de São Leopoldo, da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil e da Força Tática da Brigada Militar.
Ao todo, foram expedidos oito mandados de prisão temporária e oito mandados de busca e apreensão. Até o momento, seis pessoas foram presas, entre elas a mulher de 31 anos apontada como mandante do homicídio. O marido dela, que já está preso na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc), também foi alvo de uma nova ordem de prisão temporária. Durante o cumprimento das ordens judiciais, os policiais apreenderam diversos aparelhos celulares, que serão analisados para aprofundar as investigações.
A investigação aponta que o homicídio foi motivado por uma briga entre dois meninos em uma praça do bairro Roselândia, na tarde de 24 de janeiro. Um dos menores é filho do casal apontado como mandante. O outro era filho de Nilson Ramos da Rosa, de 50 anos, que acabou morto.
Segundo a investigação, após a confusão entre as crianças, Rosa foi até a casa do casal para cobrar explicações. Horas depois, na madrugada de 25 de janeiro, por volta das 3 horas, três criminosos invadiram a casa dele, o retiraram do imóvel à força e o executaram a poucos metros do local.
Após o assassinato, integrantes do grupo arrastaram o corpo até uma área de mata próxima, onde cavaram uma cova rasa e enterraram a vítima. Essa circunstância é que deu nome à operação policial.