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LEI DA FICHA LIMPA

"Não vão me proibir de trabalhar pela nossa cidade": após exoneração, vereador retorna à Câmara de Gramado

A saída de Rafael Ronsoni do cargo da administração municipal ocorreu na sexta-feira (13), em atendimento à notificação do Ministério Público

Fernanda Steigleder Fauth
Publicado em: 17/03/2026 às 13h:34 Última atualização: 17/03/2026 às 13h:35
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“Não existe lei que eu precisaria sair do cargo, eu saí por interesses políticos, foi dessa forma bem clara e objetiva da maneira que saí.” A fala é de Rafael Ronsoni (Progressistas), que retornou à Câmara de Vereadores de Gramado, na segunda-feira (16), após a exoneração na Prefeitura de Gramado, do cargo de chefe de Gabinete. 

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Rafael Ronsoni



Rafael Ronsoni

Foto: Câmara de Gramado

O político participou da sessão ordinária e aproveitou para agradecer aos presentes, assim como toda sua equipe de trabalho, secretários e servidores do Executivo e Legislativo municipal. “Não sei se mereço tanto, pela forma, pelo acolhimento, pelo carinho, pela forma que fui recebido neste retorno na Câmara de Vereadores”, diz. 

A saída de Ronsoni do cargo da administração municipal ocorre após a condenação em segunda instância, por peculato, por dez episódios de desvio de bens e serviços públicos. A medida, ainda, atendeu à resolutiva do Ministério Público, que notificou na sexta-feira (13) o prefeito Nestor Tissot sobre cumprimento ao que está na Lei Municipal da Ficha Limpa. A legislação estabelece restrições à nomeação de pessoas condenadas por crimes contra a administração pública. O chefe do Executivo municipal precisava comprovar, no prazo de 48 horas, a exoneração de Ronsoni.

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A condenação foi proferida pela 4ª Câmara Criminal do TJRS, que reconheceu a materialidade e a autoria dos atos, que teria como intuito beneficiar interesses privados. Os desvios foram apurados em procedimento investigatório do MP e comprovados ao longo da ação penal. O caso ocorreu em 2013, quando era secretário de Obras do município.

Ronsoni foi sentenciado a uma pena de quatro anos, cinco meses e 10 dias de reclusão, em regime semiaberto, e pagamento de multa. A decisão o torna inelegível. Cabe, ainda, recurso da decisão.

Contudo, diante do impedimento legal, ele não poderia mais ter cargo no Executivo municipal. De acordo com a manifestação encaminhada pela Promotoria de Justiça, “nos termos da legislação municipal, esse tipo de condenação impede o exercício de cargos em comissão, chefia ou assessoramento no âmbito da administração pública de Gramado”.

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“Se quiserem me cassar, que me cassem”

Rafael Ronsoni aproveitou dois momentos na tribuna para falar sobre a situação. “Nos últimos dois meses estive à frente da chefia de Gabinete do prefeito Nestor e vice Luia, e foi uma experiência fantástica, acho que precisava disso, a comunidade também, que eu estivesse lá para ver como ia conduzir os trabalhos em um gabinete em uma cidade tão importante quanto Gramado”, pontua. 

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O, agora, novamente vereador colocou que, muitas vezes foi colocado na linha de fogo. Uma delas foi a negociação com o Sindicato dos Servidores Públicos e, declarou que “foi um dos melhores momentos da vida”.

“Desengavetamos muitas coisas, muitas coisas represadas conseguimos liberar, dois meses que movimentamos muito e vamos deixar saudades, esperamos que o prefeito tenha uma boa cabeça, e que coloque uma pessoa que continue esse trabalho à frente do poder Executivo, da chefia de Gabinete”, destaca.

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Ronsoni aproveitou para falar sobre sua trajetória frente ao desenvolvimento de Gramado. “Estou 25 anos à frente da administração pública, e me orgulho muito, asfaltei praticamente toda a cidade, nosso interior, a Borges de Medeiros fui eu que enfrentei do começo ao fim, a primeira perimetral fui eu que desenvolvi”, relembra. 

Para ele, “quando as coisas acontecem, é porque a gente incomoda”. “Temos muitos e muitos exemplos explícitos na nossa frente, o que está acontecendo com o presidente Bolsonaro, nada o fez, perseguição totalmente política”, exemplificou.

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O ex-chefe de Gabinete reitera que continuará trabalhando pela comunidade, independente de cargos ou funções. “Quando tivemos as enchentes, eu não estava mais como secretário, larguei minha família, larguei meu trabalho, tudo e me dediquei com meu carro, com minha estrutura e não baixei minha cabeça. Fui chamado por muitas vezes, dizendo que eu era vereador, não mais secretário. Não importa o que sou, minha comunidade precisava de mim, fui eleito para cuidar dela. Se não quiserem que eu concorra, se quiserem me cassar, que me cassem. Mas não vão me proibir de trabalhar pela nossa cidade”, finaliza. 

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