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NOVO HAMBURGO

Reuniões, telefonemas e promessas: como foi a tentativa do governo Finck de barrar a CPI

Requerimento que autoriza abertura da CPI foi aprovado com 8 votos favoráveis e 6 contrários; resultado expõe a fragilidade da base de Finck na Câmara

Reuniões, telefonemas e promessas: como foi a tentativa do governo Finck de barrar a CPI
Publicado em: 10/06/2026 às 19h:49 Última atualização: 10/06/2026 às 19h:49
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O governo de Gustavo Finck (PP) tentou impedir a aprovação do requerimento 845/2026, que pedia a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o salário da secretária municipal da Fazenda, Michele Vargas Antonello. Na manhã desta quarta-feira (10), horas antes da votação na Câmara, Finck reuniu os vereadores da base aliada no Centro Administrativo Leopoldo Petry. O Grupo Sinos apurou que o prefeito conversou com ao menos seis parlamentares na Prefeitura.

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Vereadores de partidos que compõem a base mas têm feito críticas ao governo na tribuna não foram convidados. No entanto, houve contatos telefônicos para tratar sobre pautas de interesse e defendidas por determinados parlamentares na tentativa de virar votos pró-CPI. Momentos antes da sessão ordinária desta tarde o prefeito também teria se colocado à disposição para conversar com vereadores por telefone. Ao menos um deles preferiu não retornar a ligação.

Placar da votação que confirmou abertura de CPI em Novo Hamburgo  | abc+



Placar da votação que confirmou abertura de CPI em Novo Hamburgo

Foto: Jaime Freitas/CMNH

Para aprovar a CPI eram necessários oito votos, maioria absoluta da Câmara. A norma consta no regimento interno do Legislativo hamburguense. Na segunda-feira (8), quando o requerimento foi protocolado, a oposição contava com seis votos. Os outros dois necessários eram totalmente incertos.

Durante a sessão, quando o resultado da votação apareceu no telão, houve surpresa no plenário com a confirmação de oito votos favoráveis à abertura da CPI. Cristiano Coller (PP), Daia Hanich (MDB), Deza Guerreiro (PP), Enio Brizola (PT), Éliton Ávila (Podemos), Felipe Kuhn Braun (PSDB), Joelson de Araújo (Republicanos) e Professora Luciana Martins (PT) votaram a favor da investigação.

O resultado expõe a fragilidade da base governista no Legislativo. Dos oito votos, dois são de vereador do PP, mesmo partido do prefeito. A CPI teve apoio também de vereadores do MDB, do Republicanos e do Podemos – partidos que ocupam espaços no governo. Éliton Ávila, que faz parte da base aliada, explicou que não enxerga a CPI como uma derrota governista. “Meu posicionamento levou em conta questões técnicas. É uma oportunidade de esclarecimentos. Espero que a CPI não se torne algo apenas político e se atenha ao objeto.”

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Joelson de Araújo, que também faz parte do governo mas mantém uma postura mais crítica no Legislativo, defendeu a CPI. “Que não seja um ato político e mostre que temos problemas e que precisam ser solucionados.” Ele lembrou que havia proposto uma CPI para investigar situações relacionadas à saúde, mas que foi negada na Câmara.

Inicialmente, o requerimento estava previsto para constar no momento do expediente do dia, quando seria lido, votado, mas não poderia ser discutido. Após um pedido da vereadora Professora Luciana Martins (PT), a matéria foi transferida para a ordem do dia, sendo analisada pelos parlamentares. “O interesse público tem que reinar dentro desta casa”, completou Daia Hanich.

Após a votação ter sido encerrada e a sessão suspensa por 10 minutos, uma presença chamou a atenção na Câmara. O procurador-geral do Município, Vanir de Mattos, chegou e conversou ao pé do ouvido com o presidente da Câmara, Juliano Souto (PL). O teor da conversa não foi revelado, assim como detalhes da reunião da base governista com Finck pela manhã. No entanto, o Grupo Sinos apurou que o prefeito teria prometido agilizar demandas dos vereadores caso o pedido de CPI fosse rejeitado

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