Na semana em que a região se depara com um novo episódio suspeito no Rio dos Sinos, a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) sinalizou que não sabe o que causou alteração no gosto e cheiro da água tratada entre março e abril deste ano. A manifestação ocorreu na quinta-feira (7), em sessão do Comitesinos, na Unisinos. Entre quarta e quinta-feira desta semana, uma grande quantidade de espuma se formou nas imediações da Casa de Bombas do Santo Afonso, em Novo Hamburgo, seguindo pelo Rio dos Sinos.
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Foto: Cassiano Hans/Especial
Conforme técnicos da Fepam, a bacia hidrográfica registra alta carga de poluição, principalmente, de fósforo e E.coli (ligado a fezes). Ainda segundo a Fepam, esses fatores se agravaram nos últimos anos, desde a série histórica da pesquisa, de 2010 a 2025.
Conforme o geólogo a analista ambiental da fundação, Rafael Fernandes e Silva, os dados mostram que alguns parâmetros apresentam situação mais preocupante, especialmente no trecho entre o médio e o baixo Rio dos Sinos, onde se concentram as maiores cidades da região, como Novo Hamburgo, São Leopoldo e Canoas.
A diretora técnica do Pró-Sinos, Aline Fachini, avalia que os dados obtidos até o momento demonstram uma elevada carga orgânica no rio, principalmente em razão da contaminação por esgoto sanitário. Nas áreas mais próximas às nascentes, em Caraá, ainda é possível observar uma melhor qualidade da água. “No entanto, ao longo do percurso, especialmente na confluência com o Rio Paranhana, já se percebe uma degradação acentuada das condições do rio.”
Sem resultado para caso recente
Sobre a demora em confirmar a exata causa na alteração no cheiro e no gosto da água, durante a apresentação da Fepam, um dos representantes afirmou a falta de efetivo da fundação para realizar ações fiscalizatórias e análises mais céleres. Durante apresentação, entidade afirma que o problema não está na falta de vontade dos técnicos em atuar, mas sim na limitação de equipes e estrutura para responder com a rapidez necessária em todos os casos.
Também foi citado o caso recente envolvendo uma piscicultura investigada no Vale do Paranhana por possíveis impactos na qualidade da água. Segundo os técnicos, embora a Fepam tenha realizado fiscalizações, o empreendimento possui licenciamento municipal. Por isso, as prefeituras também têm responsabilidade na fiscalização dessas atividades.
Agora, problema é espuma
Enquanto autoridades tentam descobrir o que aconteceu com a água meses atrás, um novo episódio flagrado pelo ABCmais na tarde de quarta-feira (6) preocupa a comunidade.
A situação intriga moradores do bairro Santo Afonso, em Novo Hamburgo, e é investigada pela fiscalização ambiental de Novo Hamburgo e de São Leopoldo.
Uma espuma branca, que teve início no canal perto da Casa de Bombas, já atingia o Rio dos Sinos, no limite entre os dois municípios, na quinta-feira (7). A reação química começou a ser vista no início da tarde desta quarta e foi flagrada pela reportagem por volta das 16 horas daquele dia. Inicialmente, havia cheiro de produto químico. Já na manhã de quinta, moradores relataram que a espuma estava em volume maior do que na véspera.
O que dizem as autoridades sobre o episódio da espuma
Geólogo da Secretaria de Obras Públicas e Infraestrutura (Smopi) de Novo Hamburgo, Glauber Giuliani argumenta que a formação de espuma está associada à elevada concentração de matéria orgânica e substâncias surfactantes presentes na água bombeada, potencializada pela intensa turbulência causada pelo funcionamento do sistema de bombeamento.
Já em análise preliminar do biólogo Carlos Normann, o material observado não teria origem em Novo Hamburgo, mas estaria vindo de São Leopoldo. Conforme o secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano de Novo Hamburgo, Anderson Bertotti, a hipótese levantada pela equipe técnica é compatível com a presença de detergentes e outras substâncias misturadas à matéria orgânica, o que pode ocasionar a formação de espuma em cursos d’água.
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Chefe de departamento do Monitoramento Ambiental de São Leopoldo, João Chaves destaca que fez uma varredura nas imediações do Arroio Gauchinho, onde o problema começou. “O arroio estava limpo. Fiz uma varredura desde a Avenida Mauá até a Casa de Bombas, e constatei que o processo de sugar a água da bacia de contenção para o Rio dos Sinos através da casa de bombas gerava essa espuma. Então, são produtos biodegradáveis que estão ali decantados, onde gera essa espuma no processo de absorção dessa água para o rio”, explica. Conforme Chaves, a espuma não traz problemas para a saúde. “Nossa água do Rio dos Sinos é tratada, então não traz consequências.”
Comusa garante que água tratada é própria para consumo
A Comusa – Serviços de Água e Esgoto de Novo Hamburgo emitiu nota, na qual garante que a espuma não possui qualquer interferência no tratamento de água e destaca que não há incidência de espuma na Estação de Tratamento de Água (ETA). Ressalta ainda que a captação de água ocorre antes do ponto onde a espuma foi observada.
De acordo com o coordenador de Produção da Comusa, Geraldo Thiesen, a população pode ficar tranquila, pois a água distribuída segue própria para consumo e totalmente segura. “Não há qualquer comprometimento da qualidade da água tratada e distribuída à população. Todo o sistema segue operando normalmente”, destacou.
Colaboraram: Juliano Piasentin e Priscila Carvalho
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