Moradores da Região das Hortênsias e do Vale do Paranhana poderão participar nesta terça-feira (18) das primeiras audiências públicas referentes à concessão do Bloco 1 de rodovias. Pela manhã, às 9h30, teve início o encontro em Gramado, no Centro de Eventos Expogramado (Av. Borges de Medeiros, 4.111).
Na parte da tarde, Taquara vai receber profissionais da Secretaria da Reconstrução Gaúcha para explicar o projeto, anunciado pelo governador Eduardo Leite (PSD) no dia 28 de outubro. O seminário começa às 14h30 na sede das Faculdades Integradas de Taquara (Av. Oscar Martins Rangel, 4.500).

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial
Para participar, não há necessidade de inscrição prévia, basta se apresentar nos locais definidos. Em Gramado, a estrutura disponibiliza vagas gratuitas para veículos. O mesmo ocorre em Taquara, onde o estacionamento não é cobrado pela Faccat.
Quem não tiver condições de participar presencialmente, poderá acompanhar ambas as audiências de forma remota via reunião no Teams, acessando os links: encurtador.com.br/EOds (Gramado) e encurtador.com.br/tfQA (Taquara).
Assista à primeira audiência:
Devido à projeção de grande participação in loco, quem estiver acompanhando remotamente poderá ser apenas ouvinte, sem a possibilidade de compartilhar sugestões.
Oportunidade
Na apresentação do projeto, Eduardo Leite afirmou que as audiências públicas devem ser usadas para que a população possa expor suas opiniões e reivindicar mudanças no programa. “Não é mera formalidade e o Bloco 2 é prova disso. Consideramos muitas sugestões encaminhadas.”
O governador se refere a alterações em traçados e intervenções retiradas do projeto original. A situação pode se repetir no Bloco 1, que enfrenta resistência de autoridades municipais e estaduais, especialmente relacionadas aos 23 pórticos de pedágios no sistema free flow, projetados para as nove rodovias participantes: RS-010, RS-020, RS-040, RS-115, RS-118, RS- 235, RS-239, RS- 466 e RS- 474.
A Associação dos Municípios do Vale do Paranhana (Ampara) está convocando os moradores da região, que abrange três rodovias (RS-020, RS-115 e RS-239). “Não incluir pedágios na RS-118 vai aumentar as tarifas nas rodovias dos Vales do Sinos, Paranhana e Serra. Vamos ser onerados”, afirma o presidente da associação e prefeito de Igrejinha, Leandro Hörlle (PP).
Para o presidente, a participação popular é fundamental para que alguma mudança seja efetivada. “Queremos aproveitar para manifestar essa opinião. Pedimos que todos os cidadãos das nossas regiões se manifestem contra o formato atual, para que possamos ter a boa vontade do governo em fazer as alterações que viabilizem a realização dessas importantes obras.”
Prefeito de Campo Bom, Giovani Feltes (MDB) teve experiências como secretário da Fazenda na gestão de José Ivo Sartori (2014-2018) e da Agricultura (2023-2024) já com Eduardo Leite no comando do Estado. Ele também reforça a necessidade da comunidade comparecer às audiências. “Naturalmente, o tema dos pedágios é sensível. Campo Bom convive há mais de 30 anos com essa realidade. Sabemos dos custos que ela impõe, tanto financeiros quanto de segurança. Por isso, é fundamental que o debate sobre o novo modelo de concessão, que prevê tecnologia de cobrança eletrônica e justiça tarifaria, seja feito com transparência e participação.”
Sindicatos emitem nota e confirmam participação
Sindicatos de diversos setores, como o calçadista, comércio, professores, trabalhadores do comércio, judiciário e metalúrgicos, emitiram uma nota na manhã de segunda-feira (17) criticando a possibilidade de novos pedágios nas rodovias gaúchas a partir de 2027. “O pedágio anunciado em 28 de outubro de 2025 é mais um ataque à renda do trabalhador, que vai arcar com R$ 0,21 por quilômetro rodado.”
Além deste ponto, afirmam que a medida poderá interferir na economia. “Esse projeto representa, também, um golpe na produção, pois encarece o transporte e prejudica o comércio e a economia local.” No total, 20 sindicatos assinaram o documento, que garante a participação nas audiências públicas desta terça-feira.
Investimentos e polêmica do Funrigs
A concessão do Bloco 1 prevê o investimento de R$ 6,4 bilhões ao longo de 30 anos. Nos primeiros 10 anos, a concessionária vencedora do leilão previsto para junho de 2026 vai precisar investir R$ 4,8 bilhões.
Serão 213,7 quilômetros duplicados, outros 12,5 quilômetros com a instalação da terceira faixa e 21,7 quilômetros de faixas adicionais. O projeto ainda inclui a construção da RS-010, conhecida como Rodovia do Progresso, que vai ligar Porto Alegre a Sapiranga, evitando a dependência exclusiva da BR-116 no deslocamento até a capital.
Mais de 170 novos dispositivos, como retornos, passagens inferiores (viadutos) e pontes serão implementadas no período de concessão. Os pedestres também serão beneficiados com a construção de 81 passarelas nas rodovias.
Polêmica entre políticos da oposição e situação, o Estado vai aportar R$ 1,5 bilhão do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs). O recurso temporário será utilizado para reduzir o valor dos pedágios e precisa ser utilizado até 2027, ano em que o governo estadual precisa retomar o pagamento da dívida com a União.
Outras audiências públicas
Na próxima terça-feira (25) outros dois municípios vão receber as audiências públicas promovidas pelo Estado: Gravataí e Novo Hamburgo.
Os gravataienses terão a oportunidade de discutir o projeto a partir das 9h30, na Prefeitura Municipal (Rua Itacolomi, 3.600). Já os hamburguenses participam às 15h30, na Universidade Feevale (RS-239, 2.755).
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