Depois de dias de frio intenso, o Rio Grande do Sul deve enfrentar uma mudança brusca no tempo. A partir desta quinta-feira (16), o avanço de uma massa de ar quente deve elevar as temperaturas para patamares acima de 30°C em diversas regiões, criando as condições para uma sequência de temporais que pode se estender até o início da próxima semana, com risco de chuva intensa, vendavais, granizo e outros transtornos.

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial/Arquivo
Diante da previsão – resultado das ações do El Niño – , as prefeituras da região começaram a colocar em prática medidas preventivas para reduzir os impactos do mau tempo. Planos de contingência foram revisados, equipes de plantão mobilizadas e áreas de risco passaram a ser monitoradas com mais intensidade, enquanto as Defesas Civis acompanham a evolução das previsões e se preparam para responder rapidamente a possíveis ocorrências.
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Os municípios destacam que as ações têm caráter preventivo e acompanham a evolução das previsões meteorológicas, que ainda podem sofrer alterações.
Conforme a Defesa Civil do Estado, o período mais crítico é entre a noite de sexta-feira (17) e ao longo do sábado (18), quando são esperadas tempestades com rajadas de vento que podem superar 90 km/h, queda de granizo e chuva forte a intensa. O prognóstico para a região é de alerta moderado. Os acumulados variam entre 30 e 150 mm no período, sendo que uma parte da chuva pode acontecer em um curto espaço de tempo, principalmente no sábado (18).
Além disso, as rajadas de vento podem variar entre 70 e 90 km/h, independente de instabilidades, entre a madrugada de sexta-feira (17) e o sábado (18).
Planos de contingência são colocados em prática
Canoas foi uma das primeiras cidades da região a detalhar as medidas adotadas diante da previsão de tempo severo. Segundo o secretário da Defesa Civil e Resiliência Climática, Vanderlei Marcos, o município acompanha permanentemente a evolução das previsões meteorológicas e está preparado para responder a possíveis ocorrências.

Foto: PAULO PIRES/GES
Apesar do alerta para uma sequência de temporais, o secretário ressalta que os maiores volumes de chuva previstos, neste momento, concentram-se no Sul do Estado e em áreas próximas à fronteira com o Uruguai. Ainda assim, a previsão para Canoas indica chuva acumulada de cerca de 150 milímetros até o dia 23, além do risco de granizo e rajadas de vento.
“Seguimos monitorando e vamos informar a população sobre qualquer mudança no clima. É importante que as pessoas acompanhem a situação por meio de canais oficiais e das redes da Prefeitura”, afirma Marcos.
A experiência da enchente de maio de 2024 também mudou a forma como o município se prepara para eventos climáticos. Segundo o secretário, árvores que permaneceram submersas por semanas tiveram raízes e troncos enfraquecidos, tornando-se mais suscetíveis à queda durante temporais. Por isso, a Defesa Civil coordenou um trabalho preventivo de mapeamento e poda de mais de 270 árvores, principalmente nos bairros Rio Branco, Fátima e Mathias Velho.
Além disso, o município reforçou o estoque de lonas e telhas para atendimento de famílias que eventualmente sejam atingidas por destelhamentos.

Foto: MetSul
Em Novo Hamburgo, a Defesa Civil afirma que acompanha diariamente os boletins meteorológicos e poderá acionar as medidas previstas no Plano de Contingência conforme a evolução do cenário. O documento estabelece protocolos para atuação integrada entre os órgãos municipais, incluindo a abertura de pontos de apoio e abrigos, tendo a Fenac como estrutura inicial caso seja necessário receber famílias atingidas.
O diretor interino da Defesa Civil, Jocemar de Souza, ressalta, porém, que os modelos meteorológicos indicam que a bacia hidrográfica do Rio dos Sinos não deverá registrar volumes de chuva tão elevados quanto outras regiões do Estado.
“Embora a previsão indique chuva intensa em diferentes regiões do Rio Grande do Sul, a bacia hidrográfica do Sinos e seus afluentes não devem receber volumes tão elevados quanto outras regiões do Rio Grande do Sul, o que reduz os riscos para a nossa região”, destaca Souza. Mesmo assim, o município manterá monitoramento permanente das condições meteorológicas e das áreas suscetíveis a deslizamentos, principalmente na porção norte da cidade.
Em Sapiranga, além do acompanhamento diário dos boletins meteorológicos, a prefeitura informa que mantém serviços contínuos de limpeza de cursos d’água, redes pluviais e desassoreamento. O município também prepara lonas para atendimento de moradores em caso de destelhamentos e já orientou a Assistência Social para eventual abertura de abrigo emergencial. Nesta semana, servidores participam de um treinamento intensivo do Sistema de Comando de Incidentes (SCI), juntamente com equipes do Corpo de Bombeiros e da Brigada Militar, para integrar e agilizar as ações de resposta.
Monitoramento reforçado
Em Três Coroas, a administração municipal colocou o Gabinete de Crise em estado de alerta e mobilizou todos os integrantes do Plano de Contingência. As equipes permanecerão de prontidão durante todo o período de instabilidade, juntamente com entidades parceiras e voluntários.
O município também intensificou o acompanhamento das áreas classificadas como de risco para deslizamentos, além do monitoramento dos rios e dos volumes de chuva em conjunto com moradores dessas localidades.
Em Campo Bom, as equipes também permanecem em estado de atenção. Segundo a prefeitura, a Defesa Civil intensificou o monitoramento dos pontos historicamente mais suscetíveis a alagamentos, realiza vistorias preventivas e mantém equipamentos preparados para uma resposta rápida, caso haja necessidade. As áreas consideradas mais vulneráveis seguem sendo acompanhadas continuamente e, se o cenário exigir, o município poderá adotar medidas como isolamento de áreas de risco e remoção preventiva de famílias.
Em Sapucaia do Sul, a mobilização ocorre também no campo do planejamento. A Defesa Civil apresenta nesta quarta-feira (15), em audiência pública na Câmara de Vereadores, o Plano de Contingência 2026, documento que reúne os protocolos de resposta para situações de emergência e as principais medidas previstas pelo município para enfrentar eventos climáticos extremos.

Foto: Digue Cardoso/Prefeitura de São Leopoldo
Em São Leopoldo, o Plano de Contingência foi recentemente atualizado com base nas experiências das enchentes de 2023 e 2024. O documento passou a incorporar novos cenários de risco, como granizo e vendavais, além de adotar o Sistema de Comando de Incidentes (SCI), ferramenta utilizada para coordenar a atuação dos órgãos públicos em desastres.
Segundo a Defesa Civil leopoldense, o monitoramento do Rio dos Sinos continua sendo um dos principais indicadores para a tomada de decisões. O plano estabelece diferentes níveis de atenção conforme a elevação do rio, prevendo alertas graduais para áreas mais vulneráveis e, caso o nível atinja 6,50 metros, com previsão de novas chuvas e tendência de alta, o alerta é ampliado para toda a cidade.
A prefeitura informou ainda que manterá equipes de plantão e reforçará as ações de limpeza, manutenção, desobstrução de sistemas de drenagem e monitoramento das condições meteorológicas durante o período de instabilidade.
“O fenômeno pode ser regional, mas o desastre acontece localmente”, pontua a meteorologista da empresa Catavento, Natalia Pereira, que palestrou no 2º Seminário da Defesa Civil Municipal de São Leopoldo — intitulado “Previne São Léo: como a cidade se prepara para o El Niño” — no último sábado (11).
Taquara cria rota de fuga e reforça obras preventivas

Foto: Jauri Belmonte/PMT
Em Taquara, a preparação para a sequência de temporais inclui uma série de intervenções para reduzir os impactos de possíveis alagamentos. Além da limpeza de arroios, desassoreamento e desobstrução de sistemas de drenagem, a prefeitura abriu uma rua no bairro Eldorado que poderá funcionar como rota de entrada e saída de emergência caso a região fique isolada por inundações.
As ações são coordenadas pela Secretaria de Obras e Serviços, com apoio da Defesa Civil, priorizando áreas com histórico de alagamentos e enchentes. O município também manterá equipes de plantão integradas por servidores de diferentes secretarias, como Obras, Meio Ambiente e Desenvolvimento Social.
Segundo a prefeitura, bairros próximos a rios e arroios seguem recebendo serviços de limpeza, drenagem e desassoreamento, enquanto áreas com risco de deslizamentos, como a localidade da Batingueira, permanecem sob monitoramento constante da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros.
População deve acompanhar alertas
Apesar da mobilização, as prefeituras reforçam que o principal papel da população é acompanhar os comunicados oficiais e evitar situações de risco durante os períodos de instabilidade.
Entre as orientações estão evitar deslocamentos desnecessários durante temporais, não permanecer sob árvores ou próximo à rede elétrica, evitar áreas alagadas e acionar imediatamente a Defesa Civil, Corpo de Bombeiros ou Guarda Municipal em caso de emergência.
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