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EM MEIO A POLÊMICAS

Com mobilizações contrárias, Estado agenda consulta pública em Gramado para ouvir demandas do projeto de concessão de rodovias do Bloco 1

Prefeitos e vereadores apontam prejuízos ao turismo e necessidade de prioridade dos investimentos; entenda

Mônica Pereira
Publicado em: 07/11/2025 às 13h:44 Última atualização: 07/11/2025 às 13h:45
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O governo do Rio Grande do Sul está dando sequência ao projeto de concessão das rodovias do Bloco 1. No final de outubro, o governador Eduardo Leite (PSD), detalhou o processo, que deve levar cerca de um ano. A assinatura do contrato com a empresa que vai ser responsável pelas estradas da Região das Hortênsias está prevista para dezembro do ano que vem.

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RS-115 deve ter duplicada entre Gramado e Taquara



RS-115 deve ter duplicada entre Gramado e Taquara

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL

Com o intuito de instalar 23 pontos de cobrança, todos automáticos no sistema free flow, o trajeto entre a capital do Estado e Gramado pode ser de até R$ 25 por trecho. Por isso, a concessão do Bloco 1 gera polêmica e divide opiniões.

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Consultas públicas

O Estado abrirá a etapa para consulta pública sobre a concessão do Bloco 1 de rodovias, com o propósito de apresentar o projeto e ouvir as demandas da população. Em Gramado, o encontro ocorrerá no dia 18 de novembro, às 9h30, no Expogramado.

A previsão é lançar o edital da licitação em março de 2026, já considerando os apontamentos da comunidade e do Tribunal de Contas. O leilão na Bolsa de Valores deve ser em junho. Em agosto, ocorrerá a homologação e, em dezembro, a assinatura do contrato.

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Contrários ao projeto

O prefeito de Nova Petrópolis, Daniel Carlos Michaelsen, afirma que a administração é contrária ao projeto. Na segunda-feira, dia 3, políticos da cidade se reuniram com o governo estadual.

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“A ideia do Estado é duplicar a rodovia com mureta entre as vias. Nós não queremos uma pista de corrida. Nossa região merece uma via segura, com terceira pista onde é necessário, que priorize o ciclista e o pedestre. Queremos uma rodovia que encante quem trafega, que seja um atrativo por si só. Queremos um trajeto seguro aos motoristas, aos pedestres, aos ciclistas”, destaca.

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Segundo o prefeito Daniel, o aumento no custo dos pedágios entre Porto Alegre e a região irá prejudicar o turismo. O gestor municipal aponta que não houve nenhum tipo de diálogo anterior e que tomou conhecimento do projeto por meio da imprensa.

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O prefeito de São Francisco de Paula, Thiago Teixeira, reforça que também não apoia o formato do Bloco 1.

“Os valores de tarifa estão altos e são poucos investimentos. Quando a gente fala de investimentos, estamos falando, por exemplo, de uma ciclovia em todo o trecho do distrito industrial. Precisaríamos, no mínimo, de 14 km de terceira pista na estrada tão perigosa que liga Taquara a São Francisco de Paula. Também é necessário um viaduto na localidade da Recosta. A gente acredita que sim, o pedágio pode ficar bom, mas são necessárias diversas mudanças no projeto apresentado”, salienta.

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O prefeito de Canela, Gilberto Cezar, reuniu-se com o Estado para demonstrar a contrariedade ao pedágio da RS-466. “A população ficaria cercada. Os moradores teriam que pagar para circular dentro do próprio município”, diz.

“Não pode ficar somente na cobrança e projetos”

O presidente do Sindtur Serra Gaúcha, entidade que representa a classe hoteleira, Claudio Souza, pondera ser vital a concessão das estradas da região. Ele frisa que acredita, contudo, que será “oportunista”, caso haja pedágio na RS-466.

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“Se tivermos melhores acessos e com segurança, entendemos que é uma boa alternativa, porém não pode ficar somente na cobrança e projetos. Estamos há anos com a EGR arrecadando, mas a Serra não vendo as obras com as devidas proporções”, argumenta.

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Claudio cita que não acredita que haverá uma queda no fluxo turístico com o aumento do valor do pedágio. “Todos se programam para vir a Gramado e estradas em melhores condições irão trazer benefícios e mais turistas”, afirma.

Câmaras reagem

Do Vale dos Sinos à Região das Hortênsias, Câmaras de Vereadores têm se mobilizado contra o projeto. Em sessões, os parlamentos aprovaram moções de repúdio e manifestações conjuntas. Em Gramado, a vereadora Professora Denise (PP) considerou “inadmissível” o aumento no custo de transporte, prevendo prejuízos ao turismo e ao comércio local.

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Já em Canela, o vereador Nene Abreu (MDB) afirmou que a Câmara é “contra o formato proposto”.

O colega Lucas Dias (PSDB) criticou a possibilidade de um pórtico próximo ao bairro Caracol, o que, segundo ele, “dividiria a cidade”. “Leite insulta a inteligência do gaúcho ao dizer que não criaria praças físicas de pedágio — mas cria pórticos que cobram do mesmo jeito”, disse.

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A rota também é utilizada pela comunidade como uma via alternativa entre Gramado e Canela. “A gente vai ter um pedágio entre o Centro de Canela e o bairro Caracol e esse pedágio vai ficar instalado no pequeno trecho da Estrada do Caracol que pertence a Gramado. Ou seja, os impostos recolhidos serão destinados para Gramado”, argumentou.

*Colaboraram: Dário Gonçalves e Igor Müller

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