Já imaginou receber uma entrega por um drone? Pois essa é uma realidade que já não está mais tão distante assim. Em Gramado, o estudo de viabilidade desse tipo de serviço está sendo realizado. Até setembro, a expectativa é que as modelagens técnica, financeira e jurídica sejam entregues ao poder público.
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Foto: Droneportos do Brasil/Divulgação
O processo está sendo conduzido pela Droneportos do Brasil. A empresa, de São Paulo, auxilia nessas etapas de regulamentação da rede de mobilidade aérea urbana do município. A discussão contempla legislação, áreas de utilização, horários de funcionamento e até a altura que os drones poderão sobrevoar a cidade.
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Os primeiros testes desse tipo de serviço foram realizados no ano passado. Em dezembro, a própria Droneportos do Brasil realizou voos com entrega de aproximadamente 100 quilos de chocolate, no Lago Negro. Integrante do projeto Sandbox, esses foram os primeiros voos de drone delivery da história de Gramado.
No dia 21 de dezembro de 2025, os drones ganharam o céu da área central. Cerca de 1 mil equipamentos sincronizados foram responsáveis por um show, durante o Natal Luz, formando símbolos natalinos, bem como entrega na frente da igreja matriz.
Depois desse período de testes, o projeto-piloto começou a se estruturar. No dia 8 de junho, a prefeitura publicou o edital de manifestação de interesse, autorizando o consórcio a realizar os estudos.
Quem está à frente do processo é o diretor de Projetos da Droneportos do Brasil, Vitor Antunes. A empresa é responsável por oferecer a infraestrutura necessária para a operação do serviço. Em Gramado, a ideia é possibilitar entregas com experiências turísticas, além de apostar no primeiro contato do público com esse tipo de oferta no País.
Drones da Speedbird DLV-2

Foto: Droneportos do Brasil/Divulgação
Conforme os pareceres iniciais, a principal demanda de entrega da cidade será de cargas de até 6,5 quilos. Esse serviço é operado por drones DLV-2, da Speedbird Aero. A empresa foi a primeira e é a única, até então, a ter autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) a realizar entregas comerciais com drone no Brasil.
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A brasileira Speedbird é uma cofundadora e principal cliente da Droneportos do Brasil. Em termos comparativos, é como se a Droneportos fosse administradora de um aeroporto e a Speedbird a companhia aérea.
Porém, a Droneportos é independente e as estruturas podem ser utilizadas por outras empresas que possuam os equipamentos, desde que atendam às exigências das entidades reguladoras.
Os modelos DLV-2 têm autonomia para rotas de 24 quilômetros e voam a uma velocidade de 20 metros por segundo. A homologação atual permite o voo por áreas de até 5 mil pessoas por quilômetro quadrado. Na cidade, será preciso prever rotas que desviem de bairros como Piratini, Floresta, Dutra, Jardim e a Vila do Sol.
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Os drones voam em faixa entre 60 e 120 metros de altura. Com a modelagem entregue, ficará a cargo da prefeitura essa definição, levando em consideração o levantamento de espécies de pássaros. “Não temos acidentes com aves desde 2021”, assegura Vitor.
Droneportos terão 24 m²

Foto: Mônica Pereira/GES-Especial
As estruturas para receber ou enviar os produtos são os droneportos. Em Gramado, devem ser construídos de forma modular, com 24 metros quadrados e 2,5 metros de altura.
A modelagem estudada está analisando quais os melhores locais para instalar essa estrutura, que tem um custo estimado de R$ 300 mil a R$ 600 mil, contando com melhorias no entorno.
Existe a possibilidade de construção em espaços privados, desde que nos moldes solicitados e com posterior homologação.
A empresa que tiver a outorga para o serviço cobrará pelos pousos nos droneportos e também pela utilização da rede de mobilidade aérea urbana. Segundo Vitor, em Aracaju, a tarifa é pouco menos de R$ 10 por pedido.
Para o funcionamento, também há a necessidade de infraestrutura para uma sala de operação e um centro de controle de aerovias. Além disso, haverá a formação de operadores.
“É preciso garantir o monitoramento contínuo para que o Município tenha visibilidade sobre tudo o que está acontecendo, assim como ter um sistema de combate a aeronaves não autorizadas”, atesta Vitor.
Serviços em duas cidades
Atualmente, a Droneportos do Brasil conta com estrutura para as entregas por drones nas cidades de Salvador, na Bahia, e Aracaju, em Sergipe.
Nas duas capitais, a empresa possui a concessão dos espaços por 25 anos. São cerca de cinco drones operando, mas com a projeção de 200 até o final do prazo.
Nos grandes centros, Vitor explica que os drones possuem os benefícios de desafogar o trânsito e oportunizar entregas mais rápidas, evitando o deslocamento de entregadores por longas distâncias ou por vias de alta velocidade. “Dessa forma, os entregadores fazem mais entregas em trajetos mais curtos e com mais segurança”, ressalta.
“O futuro já começou”
“O futuro já começou e a gente tem duas coisas para fazer: ou a gente vai viver esse futuro ou a gente vai ficar fora dele”, pontua o secretário de Inovação e Desenvolvimento Econômico, André Castilhos dos Reis.
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Depois que os estudos forem entregues, o Executivo reunirá as demais pastas envolvidas para debater a lei de regulamentação.
O projeto deve tramitar também no Legislativo, inclusive, com audiência pública. Em paralelo, a prefeitura poderá lançar a licitação. Vencerá a empresa que oferecer a melhor proposta sobre a renda obtida.
A vencedora do processo, caso não seja a Droneportos, pagará até R$ 2 milhões à empresa, a título de ressarcimento dos custos dos estudos de viabilidade.
“Quanto mais o Município se antecipa, mais tem tempo para discutir com a sociedade, ter uma base ambiental sólida. Este é o momento perfeito para discutir a melhor organização dessa infraestrutura”, assegura Vitor. André afirma que a previsão é que o começo das entregas já seja viabilizado para dezembro deste ano.
Pesquisa de demanda
Na próxima semana, deve começar o estudo de demanda do serviço, com pesquisa ao usuário. “Iremos verificar os produtos mais demandados, identificar pontos estratégicos e testar a atratividade econômica”, cita o diretor de Projetos, ressaltando que a empresa está com outros 150 estudos semelhantes para outras cidades do País.
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“Esperamos que, entre agosto e setembro, possamos entregar toda a documentação, que vai contar com a modelagem técnica para definir o plano de rotas, a receita provável da concessão, investimento e a lucratividade desse projeto”, destaca Vitor.
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