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23 PEDÁGIOS

Deputados da região criticam concessão de rodovias e defendem uso do Funrigs em obras prioritárias

Parlamentares afirmam que modelo proposto pelo governo é incoerente e inoportuno, e sugerem aplicar dinheiro do fundo em melhorias diretas nas RS-239 e 115

Dário Gonçalves
Publicado em: 30/10/2025 às 18h:07 Última atualização: 31/10/2025 às 12h:06
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A concessão do Bloco 1 de rodovias estaduais, anunciada pelo Governo do Estado no início da semana, vem mobilizando lideranças da região dos Vales do Sinos, Paranhana e Serra. O pacote prevê R$ 6,41 bilhões em investimentos e a implantação de 23 pórticos de pedágio no modelo free flow, abrangendo rodovias como as RS-239, 115, 235, 474 e 020, e a futura RS-010.

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Pedágios Bloco 1 | abc+



Pedágios Bloco 1

Foto: Arte Alan Machado/GES

Enquanto o governo defende o modelo como única forma de viabilizar obras estruturantes e manutenção das estradas, parlamentares têm se manifestado contrários à proposta. O deputado estadual Joel Wilhelm (PP), que representa a região de Igrejinha e o Vale do Paranhana, classificou o projeto como “absurdo” e criticou o uso de R$ 1,5 bilhão do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs) para subsidiar a concessão.

“É muita incoerência investirmos numa concessão privada com R$ 1,5 bilhão do Funrigs e precisar passar de cinco cobranças para 23. Queremos que pegue esse recurso e faça as obras necessárias, como o viaduto da Bento Gonçalves, em Novo Hamburgo, os acessos a Araricá e Nova Hartz, a duplicação de Taquara a Rolante na 239 e de Taquara a Igrejinha e Três Coroas na 115”, afirmou.

Para o parlamentar, o governo deveria aplicar o recurso diretamente nas principais demandas da malha viária da região, mantendo a EGR como gestora das praças atuais e evitando novos pedágios. Ele argumenta que o valor seria suficiente para executar um conjunto de obras prioritárias, totalizando R$ 1,4 bilhão, e ainda sobrariam cerca de R$ 100 milhões.

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VEJA TAMBÉM: Direita e esquerda se unem contra concessão do Bloco 1 de rodovias estaduais; veja argumentos e o que diz o governo

O cálculo das obras

Segundo o levantamento apresentado por Wilhelm, o montante do Funrigs permitiria executar:

  • Seis viadutos na RS-239, nos entroncamentos com a Bento Gonçalves (Novo Hamburgo), Polícia Rodoviária (Campo Bom), Araricá, Nova Hartz,
  • RS-020 e RS-474 – R$ 120 milhões;
  • Construção da ERS-010 – R$ 600 milhões;
  • Duplicação da ERS-239 (Taquara–Rolante) e ERS-115 (Taquara–Igrejinha–Três Coroas) – R$ 220 milhões;
  • Viadutos em Igrejinha e Três Coroas – R$ 40 milhões;
  • Terceira pista entre São Francisco de Paula e Gravataí – R$ 400 milhões;
  • 20 passarelas nas rodovias RS-115, 020 e 239 – R$ 20 milhões.

Com esses cálculos, o deputado afirma que seria possível atender às principais demandas da malha regional sem a necessidade de novas cobranças.

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“O governo Leite investiu muito em estradas como nenhum outro, precisamos admitir. Mas o valor gasto pelo DAER foi de R$ 1,4 bilhão — menos do que o que se quer aportar do Funrigs. Estamos perdendo a oportunidade do maior anúncio da história de investimentos em infraestrutura, sem precisar aumentar pedágios”, sustentou.

Campo Bom terá pórtico de pedágio próximo ao limite com Sapiranga | abc+



Campo Bom terá pórtico de pedágio próximo ao limite com Sapiranga

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial

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Issur Koch diz que momento é inoportuno

O deputado estadual Issur Koch (PP) avaliou que o momento escolhido pelo governo do Estado para apresentar o modelo de concessão do Bloco 1 de rodovias estaduais é inadequado. Segundo ele, as cidades do Vale dos Sinos e Região Metropolitana ainda enfrentam os efeitos econômicos e estruturais das enchentes de 2024, o que torna inoportuno o anúncio de um projeto que prevê cobrança de pedágios em trechos estratégicos.

“Entendo que o momento que o Estado passa não permite um anúncio desse molde sem uma discussão muito mais aprofundada. Não é o momento. Nosso setor produtivo ainda está se recuperando e a RS-239 é essencial para o fluxo de cargas e de pessoas”, afirmou o parlamentar.

Wilhelm também contesta o critério de distribuição dos pedágios e o que considera um desequilíbrio regional. “Não concordamos em colocar 23 pórticos na nossa região para pagar a conta da duplicação da RS-118. Lá é fácil fazer investimentos, não cobrar pedágio e fazer nossa região pagar a conta”, disse.

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Ele calcula que, com a nova configuração, uma viagem entre São Francisco de Paula e Porto Alegre poderia custar mais de R$ 40 em pedágios, enquanto entre Riozinho e Novo Hamburgo o custo passaria de R$ 6,50 para cerca de R$ 30. Segundo Wilhelm, a mobilização regional é necessária para tentar convencer o governador a rever o modelo proposto.

Exemplos

Issur destacou que acompanha o tema há anos e já participou de diversas reuniões com prefeitos e lideranças dos municípios de Portão e Capela de Santana, que hoje vivem os impactos do processo de concessão da RS-240 e RS-122. Para ele, a experiência desses blocos deve servir de base antes de o governo avançar com novas concessões.

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“Deixar amadurecer mais essas concessões que já estão estabelecidas e aprender com as experiências positivas e negativas ajudaria a montar um plano mais estratégico”, defendeu.

Assim como Wilhelm, o deputado também sugeriu que o governo estadual utilize o aporte de R$ 1,5 bilhão do Funrigs para investimentos imediatos em obras consideradas prioritárias pela região. “Essas intervenções poderiam ser feitas com menos do que o valor disponível hoje, atendendo demandas urgentes e sem impor um custo adicional à população”, concluiu Issur Koch.

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pedágio free flow cobrança eletrônica RS-240 capela de Santana  | abc+



pedágio free flow cobrança eletrônica RS-240 capela de Santana

Foto: Weslei Fillmann/GES-Especial

Elton Weber pede que governo ouça as comunidades

O deputado Elton Weber (PSB), de Nova Petrópolis, também manifestou contrariedade à proposta de instalação de 23 pórticos de pedágio no sistema free flow. Para o parlamentar, o modelo apresenta desequilíbrios regionais e precisa ser amplamente debatido com as comunidades antes de avançar.

“Na minha opinião, isso é um exagero do Estado. Mesmo que em Nova Petrópolis o valor possa até ser menor, não acho uma boa ideia. Se teremos um ponto de pedágio no nosso município, queremos ser ouvidos”, afirmou Weber.

O deputado reconhece que sua região pode ser menos impactada financeiramente, mas avalia que os municípios do Vale do Paranhana e do Vale do Sinos sofrerão os maiores efeitos do aumento nas cobranças. Por isso, defende que o governo reveja o projeto antes da implantação prevista para 2027.

“Na região do Paranhana e do Sinos há um exagero, eles serão muito mais impactados. Então penso que o governo precisa retroceder e esse é o momento. Mesmo que muita coisa ainda possa mudar, é agora que precisamos discutir”, destacou.

Weber também lembrou que, em 2016, votou contra a autorização concedida pela Assembleia Legislativa para que o Executivo pudesse realizar concessões sem necessidade de aprovação dos deputados. “Na época fui contra, e agora vemos o porquê. Projetos dessa magnitude precisam de diálogo e transparência”, pontuou.

O parlamentar informou ainda que deve se reunir na segunda-feira (3) com o prefeito e o vice de Nova Petrópolis, além de representantes do governo estadual, para tratar especificamente do tema. “Mesmo que Nova Petrópolis possa ser ‘beneficiada’, não podemos aceitar que uns saiam ganhando e outros perdendo. Ninguém pode sair perdendo”, concluiu.

O que diz o governo

O governo do Estado tem defendido que as concessões do Bloco 1 permitirão modernizar mais de mil quilômetros de rodovias e garantir R$ 12 bilhões em investimentos privados, com o objetivo de duplicar trechos críticos, construir novos acessos e reduzir o número de acidentes.

A modelagem prevê o sistema de pedágio eletrônico (free flow), sem praças físicas, e o critério de menor tarifa no leilão. A Secretaria de Logística e Transportes sustenta que o aporte do Funrigs será usado para reduzir o valor das tarifas iniciais e garantir o equilíbrio financeiro do contrato.

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