abc+

SAÚDE

CAS TEA leopoldense já conta com 150 pacientes acolhidos

Centro para pessoas com Transtorno do Espectro Autista foi inaugurado em janeiro junto à Casa São Leo

Publicado em: 14/04/2026 às 13h:37 Última atualização: 14/04/2026 às 13h:37
Publicidade

O Centro de Atenção à Saúde – Transtorno Espectro Autista (CAS TEA), inaugurado no dia 26 de janeiro, já faz mais de 160 atendimentos por dia. O setor está instalado na Casa São Leo, infraestrutura de saúde que abriga quatro espaços com serviços da área da saúde, em cinco pavimentos no Centro de São Leopoldo.

Publicidade

De acordo com a coordenadora do CAS TEA, Jeanne Rottmann, atualmente já foram acolhidos 150 pacientes, o que deixa a casa lotada, e em média são feitos 160 atendimentos por dia – normalmente, são atendidos 80 pacientes por dia, ofertando dois atendimentos diferentes para cada um. “Para essas 150 crianças proporcionamos vários atendimentos. A criança dá entrada aqui no CAS para fazer duas terapias e o acompanhamento com a neurologista.”



Publicidade

CLIQUE AQUI PARA FAZER PARTE DA COMUNIDADE DE SÃO LEOPOLDO NO WHATSAPP

O espaço conta com cinco terapeutas, neurologista, fonoaudióloga, terapeuta ocupacional, psicopedagoga, psicóloga e nutricionista. “Geralmente os serviços mais procurados são a fonoaudióloga e a Terapia Ocupacional (TO)”, disse Jeanne.

Chegada

A porta de entrada do CAS TEA é via Unidade Básica de Saúde (UBS). “A partir do momento que o familiar da criança consultou com um clínico, que fez a avaliação, com base nos dados que foram apresentados na consulta ele vai enviar para avaliação intelectual. Depois de ter sido feito o vínculo com o Estado, daí vem para nós”, explica a coordenadora.

Publicidade

Ela conta que quando o paciente chega no CAS TEA, ela faz o acolhimento da criança, junto à mãe. “O objetivo é tentar entender toda a história pregressa da criança, desde o parto até a idade atual.”

A partir do acolhimento é montado o Projeto Terapêutico Singular (PTS) da criança, que é feito por uma equipe multidisciplinar. “Tem o primeiro olhar no acolhimento, junto à demanda que a mãe traz para nós, depois levamos para reuniões com a equipe multidisciplinar, na qual definimos os tratamentos mais adequados para a criança. Ao longo do tratamento vamos avaliando as possibilidades e necessidades de trocas. Sempre são feitas reavaliações”, explicou Jeanne.

Publicidade

Idade mínima

A coordenadora explicou que a idade mínima para ser atendido no CAS TEA é a partir dos três anos, e não tem idade máxima, e que atualmente são atendidas crianças, adolescentes e adultos. “A gente não faz distinção, pois entendemos que todos precisam deste auxílio. Avaliamos a demanda e tentamos colocá-los na terapia ideal, compatível com a idade que se encontra.”

LEIA TAMBÉM: BR-116: Nova intervenção em viaduto impede retomada total da operação dos trens; entenda

Investindo R$ 100 mil por mês

De acordo com a secretária de Saúde, Iara Cardoso, atualmente o Município arca com todas as despesas do CAS TEA São Léo, e o custo é entorno de R$ 100 mil por mês. “Estamos com uma portaria do governo do Estado para habilitar, ainda está em tramitação. Nós pretendemos, assim que sair a portaria, ter condições de dobrar o atendimento aqui, pois a fila está muito grande.”

Publicidade

Segundo a secretária, o espaço tem como objetivo organizar e fazer com que a pessoa seja autônoma e incluí-la. “Esse é o nosso desafio, e nós percebemos que cada vez mais aumenta o número de laudos de autismo. Como secretária de Saúde, eu vejo isso com muita preocupação.”

Iara afirmou que na medida do possível, a ideia é ampliar o atendimento e fazer uma conexão com a educação. “O professor auxiliar precisa ser uma pessoa qualificada para atender neuro divergentes. Queremos ser uma cidade inclusiva e futurista nesse aspecto, de respeito e inclusão, e que promova desenvolvimento para as pessoas.”

Publicidade

Apoio, evolução das crianças e parceria

A coordenadora descreve o CAS TEA como um ambiente de desenvolvimento para as crianças e de acolhimento para as mães. “Temos um trabalho muito forte com as mães, no qual ofertamos apoio psicológico, para aquelas que estão em situação de vulnerabilidade mental devido às demandas com o filho, algo que não é fácil. A gente vê a luta delas.”

Conforme Iara, 80% das famílias que utilizam o CAS TEA são chefiadas por mulheres. “Esse amparo e acolhimento à criança e adolescente que é especial, é importante porque permite que elas possam integrar à sociedade e se organizar.”

Publicidade

SAIBA MAIS: Encontro na Câmara de São Leopoldo debate projeto de Lei sobre Tarifa Zero nos ônibus

Jeanne considera o serviço prestado pelo CAS TEA como um desafio, que a emociona bastante. “É bonito de ver a evolução das crianças que dão entrada aqui dentro, desde o início do atendimento, ao avanço nas terapias, da inclusão da família.”

Ela explica que uma das ações do Centro é tentar resgatar pai e mãe, não deixando ser só a mãe a responsável por tudo. “Chamamos a mãe para o psicólogo para ter um apoio emocional, solicitamos que o pai venha junto, mesmo que sejam separados, para reforçar a questão da união, para que a criança se desenvolva cada vez mais.”

Para Iara, o CAS TEA é a conclusão de um ciclo que iniciou ainda na Câmara de Vereadores, onde presidiu a frente parlamentar da pessoa com deficiência. “Tivemos muitas reuniões cujo tema era o TEA e dali saíram pautas importantes, como o Estatuto do Autista. Agora com as políticas públicas podemos concretizar o que foi sonhado e estabelecido lá, e também na educação e saúde dos responsáveis dos autistas. Então, aquilo que a gente sonhou lá na Câmara, a gente concretizou aqui, é desafiador, mas dá a sensação de que está cumprido.”

Alta

Jeanne destaca que a equipe solicita bastante a parceria dos pais, pois, uma vez diagnosticada, a pessoa será para sempre autista. “A gente empodera eles para que possam dar continuidade. Damos um pedaço do que podemos fornecer aqui, mas a gente sempre conscientiza esses pais que eles são os maiores terapeutas, pois é com eles que os filhos ficam ao longo do dia.”

A coordenadora disse que futuramente o paciente recebe alta, mas só se conseguir atingir os objetivos propostos pelo projeto. O tempo médio de permanência é de seis meses a um ano, mas não tem como precisar quando dentro deste um ano será a alta. “Ela vem de acordo com a evolução do paciente. É importante ressaltar que há a possibilidade de retorno. O paciente recebe alta, mas não fica desamparado, ele é encaminhado para a rede para que receba outro tipo de apoio, e se necessário, ele retorna.”

Para que haja uma evolução da criança, é necessário que ela seja trazida para as terapias. No momento que a mãe solicita o atendimento e ingressa no CAS, ela tem que ter o comprometimento de trazer o filho nas terapias, para que ele tenha uma evolução. “Caso não ingresse da forma correta aqui no CAS, a gente acaba dando alta por não adesão ao tratamento e abre vaga para outro paciente que esteja comprometido.”

VEJA AINDA: Cor, gosto e cheiro da água aumentam vendas de distribuidoras na região



Terapias em grupo

Um dos serviços ofertados no CAS TEA é a terapia em grupos, no qual são reunidas quatro crianças ou quatro adolescentes, segundo Jeanne. São grupos mistos que trabalham a inclusão, sociabilização e a empatia. “São sempre grupos de pessoas da mesma idade e do mesmo nível de suporte.”

O espaço também conta com brinquedos lúdicos, equipamentos fisioterápicos, e que trabalham no equilíbrio corporal do paciente. “Temos uma tela interativa, onde as crianças desenham e mostram seus sentimentos. Foi um ganho muito grande que tivemos. Ganhamos esse equipamento da Doctor Clin.”

Nutrição

Jeanne explica ainda que no CAS TEA também é trabalhada a questão nutricional com os pacientes, no qual eles aprendem receitas e sobre a questão da seletividade alimentar. “Aqui elas colocam a mão na massa. Ao colocá-las em contato com os alimentos, percebemos que elas vão tendo a vontade de experimentar. É um trabalho de formiguinha que tentamos implementar.”

A dona de casa, Jaqueline Andrieli, 27 anos, contou que leva o filho Wallyf Nathanael, de 5 anos, desde janeiro no CAS TEA. “Os atendimentos estão muito bons, não tenho do que reclamar. O meu filho frequenta a psicóloga, terapia ocupacional, psicopedagoga e nutri.”

MAIS SOBRE O TEMA: Caminhada de conscientização do autismo reúne centenas de pessoas em Sapucaia do Sul

Dia Mundial do Autismo

No dia 2 de de Abril foi lembrado o Dia Mundial do Autismo e em parceria com a Secretaria de Saúde, o CAS TEA comemorou a data no próprio dia 2, junto aos pais. No evento foram expostos trabalhos, que foram feitos nas terapias pelos pacientes. “Enfeitamos toda a unidade, ofertamos balinhas e pipocas. Foi um dia para celebrar. É um marco é um dia que os autistas comemoram a data que receberam todos os seus direitos e passaram a ser reconhecidos por quem são”, contou Jeanne.

Publicidade