O Brasil vive a expectativa pelo acordo entre Mercosul e União Europeia que cria a maior zona de livre comércio do mundo, com redução de tarifas e e facilitação de comércio entre os blocos participantes. Depois de 25 anos de tentativas e tratativas, o documento seria assinado no dia 20 de dezembro, mas a assinatura foi prorrogada para janeiro de 2026. Juntos, Mercosul e União Europeia reúnem cerca de 718 milhões de pessoas e Produto Interno Bruto (PIB) de aproximadamente US$ 22 trilhões.

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O adiamento ocorreu em virtude do pedido da Itália, que se alinhou à França e quer maior proteção para seu setor agrícola. O presidente da França, Emmanuel Macron, já havia se manifestado deixando claro que “não apoiará o acordo comercial sem a inclusão de novas salvaguardas para os agricultores franceses”.
Agora, os países envolvidos esperam firmar o pacto no dia 12 de janeiro. A assinatura deve ocorrer no Paraguai.
Expectativas no RS
O Brasil segue otimista. No Rio Grande do Sul também há a expectativa pela aprovação do pacto comercial. Entidades como a Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Rio Grande do Sul (Fecomércio-RS) e Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom, Estância Velha, Dois Irmãos e Ivoti (ACI-NH/CB/EV/DI/IV) acreditam que o acordo irá possibilitar a abertura de novos mercados e potencializar a economia nacional e do Rio Grande do Sul, trazendo maior fluxo de comércio e investimentos.

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Em outubro de 2025, o presidente do Sistema Fiergs, Claudio Bier, recebeu a a cônsul-geral da França em São Paulo, Alexandra Mias, na sede da entidade em Porto Alegre. O dirigente destacou a possibilidade da formalização do acordo Mercosul-União Europeia como uma oportunidade para fortalecer a indústria gaúcha. As exportações gaúchas para o país europeu são lideradas pelos resíduos da indústria alimentícia, que representam 74,31% do total, seguidos pelas pastas de madeira (7,50%), calçados e suas partes (6,57%) e tabaco (4,39%).
O setor calçadista também espera que o acordo seja formalizado. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), o mercado europeu é relevante para a indústria calçadista brasileira e as exportações para estes países devem ser ampliadas e resultar em preços mais competitivos.
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Outro assunto que deve “virar” o ano e permear a economia brasileira também em 2026 é o impasse comercial com os Estados Unidos. O tarifaço Trump teve início no dia 6 de agosto de 2025 e trouxe consequências desastrosas para o mercado brasileiro, em especial o gaúcho. A cobrança de 50% sobre produtos brasileiros que entram nos Estados Unidos tem prejudicado fortemente a indústria do RS.
Conforme dados divulgados pelo Sistema Fiergs, as exportações da indústria de transformação do Rio Grande do Sul para os Estados Unidos recuaram 39% entre agosto e novembro de 2025.
De acordo com estudo especial do Sistema Fiergs, 88% dos produtos industriais gaúchos exportados seguem fora das listas de isenção, mesmo com as negociações entre governo brasileiro e norte-americano em 2025.
No setor calçadista, um dos mais impactados, os volumes embarcados aos Estados Unidos acumularam queda de 23,4% entre agosto e novembro de 2025. A indústria calçadista nacional vem também perdendo empregos por conta dos efeitos do tarifaço.
“Não ocorrendo a retirada do calçado da lista de produtos sobretaxados pelos EUA ainda em 2025, a Abicalçados estima um risco de perda de 8 mil postos de trabalho diretos na indústria calçadista em 2026”, diz o presidente executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira.
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Acordo e aumentos de envios para Indonésia
Apesar da incerteza em relação ao tarifaço Trump, há a expectativa positiva pela formalização do acordo Mercosul-União Europeia. O economista-chefe da Unidade de Estudos Econômicos da Fiergs, Giovani Baggio, também lembra que novos mercados na Ásia devem surgir, além da possível estabilização da Argentina.
A Fiergs explica que a aceleração de forma contínua reflete o aumento da demanda na Indonésia e a consolidação do RS como fornecedor relevante desse produto. “O avanço foi sustentado por um ritmo consistente de crescimento ao longo do ano, com aceleração expressiva no primeiro semestre (sobretudo em fevereiro e no segundo trimestre) e reforço em outubro”, diz o levantamento da unidade de Estudos Econômicos enviado ao Jornal NH/ABCmais em novembro de 2025.