O calçado brasileiro segue na lista de produtos taxados pelo governo dos Estados Unidos. O tarifaço de 50%, que entrou em vigor no início de agosto deste ano, tem prejudicado fortemente o setor. A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) divulgou nesta quarta-feira (3), um levantamento, com base nos números divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que aponta o mês de outubro como o pior em uma década no quesito empregabilidade.
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Foto: Abicalçados
Os dados mostram que o setor perdeu 1,65 mil postos de trabalho apenas em outubro. Com o resultado, o estoque total de emprego fechou o mês de outubro em 294,22 mil empregos diretos na atividade, retração de 0,6% em comparação ao mesmo período do ano passado. Pela primeira vez em 2025, o estoque total de emprego situa-se abaixo do patamar do ano anterior, revertendo um cenário de crescimento.
A Abicalçados tem atuado junto ao governo federal para encontrar soluções para a guerra comercial com os Estados Unidos. Nesta semana, o presidente-executivo da entidade, Haroldo Ferreira, terá uma nova agenda com o Ministério das Relações Exteriores (MRE). A reunião será feita de forma on-line na sexta-feira (5).
Haroldo lembra que o Rio Grande do Sul está entre os estados que mais sofreu com demissões.
“Entre os estados que mais perderam postos de trabalho estão o Rio Grande do Sul e São Paulo, os dois principais exportadores de calçados para os Estados Unidos, de onde originam-se cerca de 80% dos envios àquele país”, conta.
Ferreira também alerta para os efeitos nas exportações e empregos de 2026. “A manutenção da vigência da medida ao final deste ano já compromete os embarques da próxima temporada. Não ocorrendo a retirada do calçado da lista de produtos sobretaxados pelos Estados Unidos ainda em 2025, a Abicalçados estima um risco de perda de 8 mil postos de trabalho diretos na indústria calçadista em 2026.”
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O RS
O estado que mais emprega no setor calçadista brasileiro é o Rio Grande do Sul, que perdeu 910 postos de trabalho somente em outubro. Dois terços das perdas estão concentradas nos polos do Vale do Rio dos Sinos e do Vale do Paranhana-Encosta da Serra, principais localidades empregadoras do setor no estado.
Nos últimos três meses, período de vigência da medida tarifária dos Estados Unidos, o estado perdeu 1,83 mil postos, encerrando outubro com estoque de 80,63 mil empregos diretos na atividade, patamar 4,8% inferior ao mesmo período do ano passado.