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ECONOMIA DO RS

TARIFA DE TRUMP: Saiba mais sobre medida anunciada pelo governo do RS e o que pensam líderes dos setores produtivos

Entre os setores impactados com a taxa de 50% está o coureiro-calçadista

Juliana Dias Nunes
Publicado em: 25/07/2025 às 11h:00
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A cobrança da taxa de 50% sobre produtos brasileiros enviados para o mercado dos EUA tem previsão de início para a próxima sexta (1º). Com a proximidade da data e sabendo dos impactos causados em diversos setores da economia gaúcha, o governo do Estado se reuniu nesta sexta (25), com líderes de setores produtivos. Durante o encontro, foi anunciado o programa de crédito de R$ 100 milhões, por meio do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), iniciará em 4 de agosto.

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Anúncio de financiamento ocorreu na manhã desta sexta (25) | abc+



Anúncio de financiamento ocorreu na manhã desta sexta (25)

Foto: Maurício Tonetto/Secom

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Podem acessar o financiamento empresas de qualquer porte que tenham realizado exportações para o mercado norte-americano ao longo do ano passado ou no primeiro semestre de 2025. Com o subsídio do Fundo Impulsiona Sul, os custos do financiamento foram fixados em IPCA mais 4% ao ano, com os cinco anos de prazo para pagamento, incluindo a carência de até 12 meses.

“É um esforço muito grande no sentido de garantir fôlego para as empresas exportadoras nesse momento de enormes incertezas. Enquanto as negociações não avançam, precisamos proteger empregos e prevenir prejuízos maiores”, disse o diretor-presidente do BRDE, Ranolfo Vieira Júnior.

O Rio Grande do Sul está entre os Estados mais afetados pela medida protecionista anunciada pelo presidente Donald Trump e, conforme estudo divulgado pela Fiergs, existe o risco de uma perda de R$ 1,92 bilhão no Produto Interno Bruto (PIB) gaúcho.

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“Estamos articulando tudo que podemos em favor das nossas empresas gaúchas, especialmente aquelas que serão mais afetadas pelas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos. Estamos num cenário de muitas incertezas, de evolução de todas as negociações e expectativa de revisão do tarifaço, mas tendo em vista que estamos há poucos dias de entrada em vigor dele, o programa via BRDE de R$ 100 milhões para suportar eventual oscilação de demanda reforça o compromisso do nosso governo em estar ao lado da indústria e das empresas que colaboram para o desenvolvimento do Rio Grande”, afirmou o governador Eduardo Leite.

O BRDE é vinculado ao governo do Estado, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do RS (Sedec).

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União e desafios dos setores produtivos

Entre as entidades gaúchas que participaram da reunião estão Sistema Fiergs, Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul), Sindicato da Indústria de Calçados do Estado do Rio Grande do Sul (Sicergs), Sindicato de Sindicato da Indústria de Calçados, Componentes para Calçados de Três Coroas (SICTC) e Sindicato da Indústria de Calçados de Igrejinha (Sindigrejinha).

O presidente do Sistema Fiergs, Claudio Bier, agradeceu pela agilidade do governo do Estado ao lançar a medida em parceria com o BRDE. “É a primeira ação concreta de apoio ao setor industrial do Rio Grande do Sul neste momento difícil. A confirmação desta tarifa de 50% pelo governo americano será como uma nova enchente para a economia do estado”, destacou Bier.

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O presidente do SICTC, Márcio Port dos Santos, também celebrou a ação, mas defende também uma atuação mais efetiva por parte do governo federal. “No setor coureiro-calçadista há uma grande preocupação em relação ao tarifaço de 50%. Há uma questão que envolve também a perda de empregos. Esperamos que o governo federal se mobilize, que os governadores estejam alinhados com a ideia de diálogo para convencer o governo federal a sentar e negociar com os EUA para retomar a taxa 10% ou pelo menos uma alíquota mais baixa do que a anunciada”, contou ao ABcmais.

O Sicergs também acredita que a medida dará fôlego os setores produtivos, porém entende que, apesar de relevante, esta ação tem caráter emergencial e paliativo.

“Será necessária uma articulação ainda mais ampla, envolvendo a União e os demais Estados, para uma estratégia nacional de defesa comercial e abertura de novos mercados. Outra enorme dificuldade técnica é que grande parte dessas exportações ocorre no modelo private label, ou seja, as empresas gaúchas produzem para marcas americanas, com design e especificações definidas. Isso impede o redirecionamento imediato dessa produção para outros mercados, principalmente porque muitos desses produtos já estão prontos ou em fase final de montagem. O risco de prejuízo é altíssimo”, disse o presidente do sindicato, Renato Klein, ao ABCmais.

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“Podem não ser suficientes”

O sindicato de Igrejinha considerou a medida como rápida e positiva, no entanto acredita que o valor pode não ser suficiente para atender toda a cadeia gaúcha que exporta para os EUA.

“Achei muito positiva a atitude do governo estadual de fazer uma ação rápida quanto ao que está acontecendo, taxação e a briga política entre nosso governo e o governo americano. Mas é apenas uma atenuante. Conseguimos através da Fiergs sensibilizar o governo do Estado para que houvessem ações emergenciais. Essas ações são urgentes porque mesmo que a medida ainda não esteja em vigor, empresas, como no setor calçadista já estão cancelamentos de pedidos, é um prejuízo imediato. É uma medida de apoio, mas temos a impressão que os R$ 100 milhões temos impressão que podem não ser suficientes pra tantas empresas gaúchas que fazem exportação para o mercado americano. O caminho é o diálogo diplomático do governo brasileiro com o governo americano”, observa o presidente do Sindigrejinha, Vinícius Mosmann, em entrevista ao ABCmais.

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Como vai funcionar o programa

Total disponível: R$ 100 milhões
Forma: capital de giro
Prazos: 60 meses, com até 12 meses de carência inclusa

Custo: IPCA + 4% a.a. (total entre 8% e 9% ao ano)

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Valor de financiamento: até R$ 10 milhões por cliente

Vigência: até dezembro de 2025

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