Burocracias, entraves, erros administrativos, condições climáticas adversas e, por fim, uma discussão na Justiça. Esses são alguns dos motivos apontados para o atraso na construção do novo quartel do Corpo de Bombeiros de Canela.

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL
No dia 12 de janeiro, completaram-se cinco anos que houve o lançamento da pedra fundamental da edificação. Depois de muitas paralisações e até a promessa de uma inauguração, em novembro de 2024, a obra está 95% concluída, mas ainda não há um prazo para que os servidores possam utilizar a estrutura, que fica junto ao Parque do Lago.
E a expectativa é imensa, pois a espera por uma sede adequada à realização do trabalho dos bombeiros dura duas décadas. A continuidade dos projetos arquitetônico, elétrico, hidrossanitário e de interiores foi contratada por R$ 2,1 milhões, em setembro de 2023.
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A empresa vencedora da licitação realizada pela prefeitura foi a MWC Construtora, que tinha um prazo de 300 dias para conclusão do serviço.
Os bombeiros estão nessa área do Executivo municipal desde 2010. O projeto do quartel foi apresentado para a comunidade em agosto de 2020 e a expectativa era que estivesse pronto em 2021.
Judicialização do caso

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL
Com a troca de gestão municipal, em 2025, uma nova paralisação da obra aconteceu. Em abril do ano passado, a MWC chegou a colocar um banner no tapume do prédio, alegando que a interrupção havia ocorrido por falta de pagamento.
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Na ocasião, a prefeitura informou que foram verificados “indicativos de irregularidades, que sugeriram falhas de condução e execução”. Ainda conforme o Executivo, “foram identificados serviços divergentes do escopo contratado e pagamentos fora da vigência contratual.”
Foi então que o caso foi parar na Justiça. Após decisão da 1ª Vara Judicial da Comarca de Canela, ficou definido que a empresa deveria concluir a obra até dezembro do ano passado para que a equipe técnica da prefeitura pudesse realizar a fiscalização e fazer o pagamento do valor restante do contrato.
“Até o momento, a empresa não notificou ou noticiou a prefeitura quanto à efetiva conclusão dos serviços para possibilitar a fiscalização e recebimento. A ação judicial discute possíveis valores pagos a mais e serviços prestados sem cobertura contratual. O Município aguarda a manifestação da empresa para cumprimento da determinação judicial”, aponta o Executivo em nota.
“A culpa é de todo um conjunto”

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Quem acompanha de perto a obra é o comandante do Corpo de Bombeiros de Canela, o tenente Miguel Oliveira de Souza. Ele cita que, apesar de responsabilidade do Executivo, o órgão estadual tem buscado maneiras de auxiliar para que a sede seja finalmente concluída.
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“A culpa não é só da administração pública, a culpa é de todo um conjunto”, aponta o tenente, destacando todos os processos jurídicos envolvidos em uma obra pública.
Segundo ele, restam apenas alguns detalhes para que a corporação possa começar a usar as instalações, como finalização da parte elétrica e hidráulica, além da colocação de rodapés e melhorias nos caimentos das calhas para sanar os problemas de infiltração em alguns pontos. Ainda, há a necessidade de sistema hidráulico de combate a incêndio, geradores e para-raios.
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A estrutura tem 837 metros quadrados e contará com espaços para atendimento administrativo, alojamentos, sala de operações, garagem, academia e refeitório. A sede tem projeção para ser equipada com sistemas de coleta de água da chuva e energia fotovoltaica.
Como a obra está praticamente concluída, a garagem está sendo utilizada para abrigar duas embarcações e um veículo do Corpo de Bombeiros.
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Outra necessidade que deve ser finalizada para que a guarnição ocupe a nova sede é a construção de uma servidão, que ligará as ruas Tio Elias e Avenida do Lago, facilitando a saída dos veículos de resgate. Essa etapa também deve ser executada pela prefeitura.
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Autorização

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O tenente Miguel destaca que deve solicitar ao Executivo que a finalização das obras do prédio possa ser realizada com apoio da iniciativa privada, já que todos os trâmites licitatórios se tornam mais demorados.
“Temos uma boa relação com a comunidade e empresários e acredito que a gente consiga finalizar. Mas primeiro precisamos da autorização da prefeitura, pois esta é uma obra realizada pelo Executivo municipal”, atesta o comandante.
Uma reunião deve ser realizada em breve para ele se inteirar da situação jurídica e fazer o pedido oficialmente ao Executivo.
Mais qualidade no serviço prestado

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O tenente reforça que o novo quartel oportunizará mais comodidade aos 20 servidores e também um ambiente de trabalho mais organizado. Sem espaço, equipamentos acabam ficando amontoados.
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“Tendo um local para melhor acondicionar o material e realizar treinamentos, vamos ter um salto de qualidade no serviço prestado à comunidade. Temos que ter um bom ambiente para que os bombeiros estejam prontos para quando a sociedade precisar e isso começa com um bom quartel. Preciso dar comodidade para o efetivo, que fica aqui 24 horas por dia”, pondera.
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A falta desse ambiente, inclusive, ocasiona em pedidos de transferência de servidores.
Empresa investigada por fraudes
No dia 11 de dezembro de 2025, o proprietário da construtora MWC, Marcio Vandir Colombo, foi detido em uma operação da Polícia Civil que investiga possíveis fraudes imobiliárias. Ele continua preso e a suspeita é que o esquema pode ter gerado prejuízos de mais de R$ 6,4 milhões às vítimas. O inquérito aponta a sistemática paralisação de obras.
No dia 30 de dezembro do ano passado, em uma publicação nas redes sociais, a construtora afirmou que “até o momento, não há comprovação de irregularidades” e que a “empresa confia no esclarecimento dos fatos dentro do devido processo legal”.
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A nota ainda aponta que, no dia 17 de dezembro de 2025, foi deferido o pedido de recuperação judicial da empresa. “A recuperação judicial tem por objetivo ajustar prazos de entrega dos empreendimentos, diante de dificuldades econômicas do setor, como a elevada inadimplência e o aumento de pedidos de rescisão contratual. Trata-se de medida legal voltada à preservação da atividade empresarial, dos empregos e do cumprimento dos compromissos assumidos”, salienta a publicação.
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Sobre o caso específico da construção do quartel, a reportagem não conseguiu contato com a defesa. O espaço está aberto para manifestação.
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