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SERVIÇO PÚBLICO

Empresa vencedora de licitação promete transporte público de excelência para Gramado

Gramado Transportes Coletivos terá seis meses para se adequar às melhorias exigidas no novo contrato e diminuir valor da passagem; entenda

Mônica Pereira
Publicado em: 09/01/2026 às 16h:26
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Está prestes a ocorrer a assinatura do primeiro contrato da história para o transporte público de Gramado. Depois de anos de estudos e de ajustes, a inédita licitação foi realizada, no final de 2025, e, a partir deste ano, a promessa é que a comunidade possa contar com um serviço melhor.

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Gramado Transporte Coletivo



Gramado Transporte Coletivo

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL

Apesar de ser a mesma empresa que fará a operação, haverá exigências que precisarão ser cumpridas. Mais quilômetros serão rodados na cidade e a tarifa ficará menor. Com isso, a expectativa é recuperar o número de usuários que foi perdido ainda na época da pandemia de Covid-19.

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O resultado da licitação foi homologado e a Gramado Transportes Coletivos (antiga Gramado Turismo) venceu o certame. O sócio e diretor jurídico da empresa, Ivo Faccin, afirma que isso significa uma “virada de chave para a operação” e era um momento muito aguardado há muitos anos.

Além da Gramado Transportes Coletivos, o processo teve a participação também da Expresso Charqueadas Transportes. Contudo, venceu quem ofereceu o maior percentual de desconto para a realização do serviço. Com a tarifa técnica de referência em R$ 13,22, o valor mais baixo foi de R$ 13,19.

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O modelo proposto é o de pagamento por quilômetro rodado. Os cálculos utilizados para a licitação estimam que haja um custo total com impostos que gira em torno de R$ 894 mil mensais. Dessa forma, a Prefeitura de Gramado fará um aporte mensal de cerca de R$ 620 mil. Entretanto, a despesa pública diminui conforme há o incremento do número de passageiros, por exemplo.

Panorama da situação dos últimos cinco anos

Ivo Faccin



Ivo Faccin

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL

Em duas oportunidades anteriores, a empresa já havia participado de licitações, mas foi desclassificada porque a proposta financeira ficou acima da exigida pela prefeitura. Ivo aponta que o desejo sempre foi sair da forma precária que o serviço era ofertado para ter um contrato a ser executado.

Mas foi na pandemia que a situação se agravou financeiramente, com a queda drástica do número de passageiros. Em 2019, eram transportadas cerca de 5 mil pessoas por dia. Hoje, o número não ultrapassa 3 mil. “Em determinados momentos, Gramado só teve ônibus na rua porque nós tiramos dinheiro do nosso bolso para manter o serviço”, acentua o sócio.

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Mesmo apontando para os prejuízos, Ivo atesta que se fez um esforço para manter a operação. “A gente acredita muito no potencial dessa cidade, queremos trabalhar em Gramado. E sempre acreditamos que a gente precisava manter o fôlego até chegar na licitação, porque seria exatamente a licitação essa virada da chave”, cita.

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A tarifa do transporte na cidade se mantém a mesma desde 2019. A passagem custa R$ 4,90 do transporte coletivo e R$ 5,90 do seletivo – os micro-ônibus. “Mas os custos subiram e a situação foi se agravando cada vez mais. O panorama dos últimos cinco anos é o pior possível. A prefeitura conseguiu enxergar isso e, através dos aportes, a gente conseguiu manter o serviço”, complementa, ressaltando que o prejuízo mensal chega aos R$ 300 mil.

Repasses para seguir o serviço

Tendo a obrigatoriedade de garantir o transporte público, a prefeitura começou a aportar verba pública para cobrir os prejuízos da empresa.

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Antes chamada somente de Gramado Turismo, houve a separação da empresa responsável pelo transporte coletivo – que passou a se chamar Gramado Transportes Coletivos – e a de fretamento, que continuou como Gramado Turismo.

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Essa cisão ocorreu em 2023 e, a partir de 2024, foi possível demonstrar os custos da operação e o déficit mensal. Com isso, os relatórios passavam por análises técnicas e o aporte do Executivo era submetido à aprovação da Câmara de Vereadores.

Gilnei Garcia



Gilnei Garcia

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL

O gerente-geral da empresa, Gilnei Garcia, explica que os valores milionários que eram solicitados somente aconteciam porque acumulavam os meses, devido aos trâmites burocráticos.

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“Estamos há muito tempo sem lucro. A gente demonstra o prejuízo e a prefeitura faz o pagamento. A empresa fica no zero a zero, mas é graças a isso que a gente conseguiu manter a operação e sempre na expectativa de chegar neste momento da licitação”, reforça Ivo.

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A também sócia e presidente, Loana Lain Faccin, afirma que “milagres” foram feitos para a gestão nesses últimos anos. “Fazíamos tudo de forma enxuta, pelo fator financeiro, e também pela falta de mão de obra”, corrobora.

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“As dificuldades do passado vão ficar para trás. A gente está com uma expectativa muito grande. Vamos conseguir oferecer um serviço melhor, recuperar a nossa empresa. As pessoas vão ter, de fato, um transporte público melhor a partir de agora. Nosso objetivo sempre é a excelência do serviço”, prospecta Ivo, ao contar que a família está no setor de transportes há 60 anos, na quarta geração. “É o nosso ganha-pão, mas a gente faz isso com amor”, completa.

Experiência na capital

Os sócios da Gramado Transportes Coletivos são os mesmos da Sociedade de Ônibus Porto-Alegrense (Sopal). Na capital, a licitação ocorreu em 2016. Atualmente, são 180 mil passageiros transportados e 30 mil quilômetros rodados por dia. “Tínhamos muitos problemas que foram resolvidos a partir da licitação”, assegura Ivo.

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Conforme Loana, por causa dessa experiência, a maior parte das exigências serão cumpridas com facilidade, pois já são itens que realizam corriqueiramente em Porto Alegre, como o aplicativo para que os usuários vejam o itinerário do ônibus em tempo real. “A gente vai ter até mais tecnologia aqui, como os painéis eletrônicos nos pontos de ônibus”, frisa.

Loana Faccin



Loana Faccin

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL

A empresa está verificando a possibilidade de linhas de crédito e de projetos do governo federal para a compra de novos veículos, com um investimento estimado em R$ 10 milhões. A frota possui 18 veículos circulando e outros cerca de cinco de reserva – e dois micro-ônibus. A licitação requisita 24 ônibus circulando, sendo nove deles com ar-condicionado.

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Para a nova operação, além dos atuais 40 colaboradores, deve haver a contratação de mais 15 funcionários, entre fiscais, monitores e motoristas.

A linha mais utilizada é a entre os bairros Mazzurana e Mato Queimado, incluindo a rota no Altos da Viação Férrea. Já a mais extensa é a que vai até a Serra Grande, que tem 40 quilômetros. Cada coletivo possui capacidade para 47 passageiros sentados e até 36 em pé.

Os veículos, que são adesivados em azul e amarelo, serão brancos e a prefeitura poderá explorar a venda de publicidade na parte interna e externa, uma maneira também de ajudar no custeio e diminuir o repasse público.

Passagem mais barata e mais rotas

Gramado Transporte Coletivo



Gramado Transporte Coletivo

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL

Há dois pontos que são considerados fundamentais para que mais pessoas utilizem o transporte público. O primeiro deles é o valor da passagem, que terá uma redução de R$ 0,90. As viagens nos coletivos vão custar R$ 4 e nos seletivos, R$ 4,80 – com uso de bilhetagem eletrônica.

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Ainda, haverá um incremento nas rotas, passando de 70 mil para 106 mil quilômetros rodados por mês. “Vamos ter uma rota do bairro Várzea Grande até o Avenida Central, que vai atingir os trabalhadores de parques temáticos daquela região”, acrescenta Gilnei, comentando que cerca de 1,5 mil estudantes também passarão a utilizar o transporte coletivo a partir deste ano – como ocorria antes do período da pandemia.

“Em 2019, nós não tínhamos reclamações do transporte. A gente tinha 29 linhas, até mais do que o contrato cobra agora. Realmente, a gente estava fazendo o impossível nesses últimos anos”, menciona Gilnei ao reforçar a capacidade da empresa em fazer a operação.

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A assinatura do contrato deve ocorrer ainda neste mês. Depois de dada a ordem de início, haverá o prazo de seis meses de adaptação para cumprir as regras da licitação.

“Será o período para que as pessoas percebam as melhorias e utilizem o transporte público de novo”, aponta Ivo, citando melhorias, como a diminuição no fluxo de carros na área central, o que vai melhorar a mobilidade urbana.

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Também, com a possibilidade de cobrança do acesso de veículos no Centro, existe a expectativa de que mais pessoas possam utilizar o transporte público. Conforme Ivo, há a perspectiva de ampliação das rotas para locais mais turísticos, possibilitando que os visitantes usem o serviço.

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