Numa cerimônia marcada pela tristeza e comoção, familiares e amigos se despediram do pequeno Miguel Martins Kosmalski, 2 meses, na manhã desta terça-feira (29), no Cemitério Dois de Novembro, em Esteio. O bebê foi assassinado junto com a mãe, Kauany Martins Kosmalski, 18 anos, e o amigo dela, Ariel Silva da Rosa, 16.
CLIQUE AQUI PARA RECEBER NOSSA NEWSLETTER

Foto: Renata Strapazzon/GES-Especial
Os corpos das vítimas foram encontrados no último dia 22, em um bueiro às margens do Rio dos Sinos, em Esteio. Os suspeitos dos crimes são Jocemar Antunes de Almeida, 46, que, segundo a Polícia, seria o pai do bebê, e a esposa, Belisia de Fátima da Silva, 41. O casal está preso.
Dois adolescentes, de 15 e 17 anos, também são investigados pela participação no triplo homicídio e foram apreendidos.
CLIQUE AQUI PARA FAZER PARTE DA COMUNIDADE DO JORNAL VS NO WHATSAPP
Conforme as autoridades revelaram ainda na última semana, Kauany e Rosa foram mortos a facadas. Os corpos deles foram sepultados na quinta-feira (24). O sepultamento do bebê foi autorizado após a conclusão dos laudos periciais, que apontaram traumatismo cranioencefálico como a causa da morte.
Família quer justiça
Ainda incrédula com a violência com que Kauany e o filho foram mortos, a tia da jovem, Sinara Ramos, 51, clama por justiça. “Não tem nem como definir a dor que estou sentindo. Não sei como uns monstros puderam fazer o que fizeram com um bebê e uma menina. Praticamente mataram três crianças. É uma coisa monstruosa”, diz.
Segundo Sinara, o que mais a abala é saber que a sobrinha e o filho foram mortos por pessoas nas quais Kauany confiava e que ela conhecia há dois anos.
“Ela convivia mais com eles do que com a própria família. Não saía de lá [da casa de Antunes e Belisia]. Eu brigava com ela por ela passar mais tempo lá do que em casa. E ela sempre levava o Miguel junto. Nunca gostei deles e nunca escondi isso. Quando eles iam buscar a Kauany, a gente sempre brigava. Isso tudo é muito triste”, desabafa. Ao lado da filha Bruna e vestindo camiseta com a foto de Kauany e Miguel, Sinara resumiu o sentimento que a mantém de pé. “Agora só busco por justiça”, diz.
Mais de 50 facadas
Na segunda-feira (28), a Polícia Civil divulgou novos detalhes da investigação, conduzida pela delegada Marcela Smolenaars. Segundo a delegada, com base nos laudos periciais, Kauany foi morta com mais de 50 facadas. Ela ainda teria tido o dedo indicador da mão direita decepado.
O número de facadas efetuadas em Rosa não consta no laudo. O crime, segundo investigação, teria sido motivado por ciúmes, em razão de Kauany ter tido um relacionamento extraconjugal com Antunes.
Em nota, a Polícia Civil destacou que, ainda na sexta-feira (25), policiais da delegacia de Esteio tiveram acesso a imagens de câmeras de segurança que registraram a movimentação de dois veículos nas proximidades do local do crime.
As gravações mostram uma dinâmica diferente do divulgado até então. Inicialmente, a Polícia informou que Antunes, adolescentes e vítimas estariam dentro de um carro bebendo vinho quando Belisia chegou e atacou Kauany.
Nestas imagens, as autoridades puderam identificar a chegada de um dos veículos por volta das 22h44. Minutos depois, um segundo carro aparece, de onde descem três pessoas. Uma delas se dirige ao primeiro carro, enquanto as outras permanecem observando a rua. O veículo deixa o local e segue até o ponto onde os corpos foram encontrados, permanecendo ali por cerca de 25 minutos.
Testemunha foi ouvida pela Polícia
Na tarde desta segunda-feira (28), a polícia colheu ainda o depoimento de uma testemunha, um motorista de aplicativo que transportou Belisia e os jovens apreendidos até a região do crime. A corrida foi solicitada por um dos adolescentes.
Segundo o relato do motorista, os passageiros apresentavam comportamento exaltado e fizeram comentários que sugerem a premeditação do crime. “Essas informações reforçam elementos já obtidos durante a investigação”, aponta a delegada.
A perícia oficial também realizará exames para esclarecer aspectos técnicos fundamentais para a conclusão do inquérito, incluindo a análise genética para detectar se Jocemar era mesmo pai do bebê. Os celulares dos suspeitos também estão sendo analisados.
Família aguarda a conclusão das investigações
Representando a família de Kauany como assistente da acusação no processo criminal, a advogada Thaís Constantin informou que esteve na Delegacia de Esteio na tarde de segunda, quando teve acesso aos laudos de necropsia das vítimas da jovem e do filho dela.
“Neste momento, a família aguarda a conclusão das investigações para a apuração do modo em que se deu a empreitada criminosa, com a devida descrição da participação de cada um dos acusados e a correta motivação dos delitos praticados”, comenta Thaís.
Defesa se manifesta
A advogada de Antunes e Belisia, Raquel Prates, se manifestou quanto ao resultado da perícia, lembrando que a investigação criminal aponta quatro suspeitos e três vítimas.
“Sendo assim, essa defesa buscará compartimentar a participação e responsabilidade de cada envolvido, emergindo as circunstâncias específicas atinentes a cada caso. Jocemar e Belisia ainda estão sendo investigados, de modo em que a autoria ainda não foi totalmente esclarecida, logo, ainda não há uma acusação formalizada. No entanto, em caso de indiciamento, amparados na Constituição Federal e no devido Processo Penal, com ética, essa defesa buscará assegurar todos os direitos dos acusados para que a justiça seja realizada em acordo ao que será, ou não, devido a cada um.”