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FUTURO

"Destino de memória afetiva, natureza e bem-estar": Como São Francisco de Paula está se preparando para crescimento turístico

Empreendimentos de luxo estão se instalando na cidade, que tem até projeto bilionário de um complexo automobilístico

Mônica Pereira
Publicado em: 16/11/2025 às 15h:49 Última atualização: 16/11/2025 às 15h:49
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A busca por realizar negócios na Serra gaúcha vai muito além das cidades de Gramado e Canela. Com pouco mais de 21 mil habitantes, São Francisco de Paula, na Região das Hortênsias, tem sido bastante requisitada para a construção de novos empreendimentos turísticos.

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Lago São Bernardo, em São Francisco de Paula



Lago São Bernardo, em São Francisco de Paula

Foto: Carolina Andriola/Divulgação

O aumento do fluxo de visitantes já é percebido. O secretário de Turismo do município, Rafael Castello Costa, destaca que, segundo dados do Sebrae, mais de 1 milhão de turistas circulam pela cidade durante o ano. O crescimento começou a se acentuar em 2017. Antes disso, Rafael reforça que o número era menos da metade.

“De 2017 para cá, a gente decidiu pelo turismo e houve essa decisão de governança. Isso é importante, porque o turismo só é bom se ele for bom para a cidade, com políticas públicas, geração de emprego e desenvolvimento social que beneficie a todos de um modo geral”, diz o secretário.

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Para a organização desse novo momento para o município, ações estão sendo criadas e colocadas em prática. “Criamos o ambiente necessário para o empreendedor, com um clima de otimismo e de autoestima para os moradores”, explica Rafael, ao citar iniciativas de redução de impostos e a Sala do Investidor. “Estamos mostrando que São Chico tem um potencial que já é uma realidade”, avalia.

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“A gente sabe os gargalos que precisam ser resolvidos, mas o bacana é a gente entender que o turismo passou a ser um propósito e a gente vem crescendo em cima disso”, argumenta.

Dados de crescimento da cidade

Rafael Castello



Rafael Castello

Foto: Divulgação

Conforme dados da própria Secretaria de Turismo, São Francisco de Paula conta com cerca de 160 empresas que atuam com a prestação de serviços voltados ao turismo, englobando, por exemplo, 2,5 mil leitos em hotéis e pousadas.

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Nos últimos cinco anos, são 15 novos empreendimentos na parte de hotelaria que receberam aprovação para construção ou ampliação. Isso representa cerca de 800 novos leitos em funcionamento. Ainda, com a projeção de novos hotéis que não começaram a operação, outros, pelo menos, 1 mil leitos vão estar disponíveis dentro de cinco ou seis anos.

Entre eles, dois resorts temáticos, com licenciamento do Grêmio e Inter, serão construídos, com um investimento previso de R$ 1 bilhão.

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Outra obra bilionária é para a construção de um complexo automobilístico – com capacidade para receber corridas de Fórmula 1. Além disso, os investidores partem do conceito de um bairro planejado – com área de 1 mil hectares. O negócio contará com o autódromo, kartódromo, uma pista off-road, hotéis, condomínios, open mall, museus, parques temáticos e um campo de golfe.

“Crescendo organicamente”

São Francisco de Paula



São Francisco de Paula

Foto: Ca?ssio Adi?lio/Divulgação

Para Rafael, a cidade está se consolidando como um roteiro de charme organizado. “E crescendo organicamente, mostrando que o simples não é fácil de fazer. Somos um destino de memória afetiva, natureza e bem-estar”, ressalta.

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“A gente tem interesse nesses grandes empreendimentos, porque eles são indutores do turismo, mas trabalhamos com uma estrutura para não criar problemas ambientais e de mobilidade urbana. É nisso que estamos trabalhando”, garante.

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O secretário pontua que os locais em que esses novos negócios serão instalados são áreas planejadas para a expansão turística. “Construir um grande resort na volta do lago São Bernardo? Eu serei contra. Mas, caso os empreendimentos estiverem em áreas adequadas e com o propósito de futuro do turismo que nós almejamos, sou totalmente favorável”, complementa.

Mesmo com o turismo de luxo sendo evidenciado, Rafael afirma que não existe uma preocupação em pré-selecionar público para a cidade, acrescentando que há opções para todos os gostos e bolsos.

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“Só que, naturalmente, a classe mais alta tem procurado a cidade como esse destino de contemplação, lazer e bem-estar. A tendência que estamos percebendo é essa de um turismo conectado e de desaceleração”, pondera.

Parques municipais sendo estruturados

Complexo de cânions Josafaz



Complexo de cânions Josafaz

Foto: Divulgação/PMSFP

O secretário de Turismo confirma que novos parques municipais devem ser abertos na cidade. Um que já pode ser aproveitado é o Parque Natural Municipal da Ronda, uma unidade de conservação com 1 mil hectares de área.

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O parque que leva ao cânion Josafaz está recebendo melhorias, com previsão de abertura até o início de 2027. O cânion é o maior em extensão do Brasil, mas ainda conta com acesso precário. A meta é melhorar a estrada para ser possível fazer o percurso com veículos de passeio. “É um produto sensacional que a gente vai colocar à disposição do visitante”, atesta.

Por fim, o Parque das Águas, que integra uma barragem em São Francisco de Paula, em uma área da Corsan que foi cedida ao município. “Já iniciamos algumas obras e será uma espécie de segundo lago São Bernardo, para contemplação, caminhadas e práticas esportivas”, frisa.

Oferta e demanda

Uma das preocupações da gestão municipal é que, ao mesmo tempo que a oferta de empreendimentos aumente, a de demanda de turistas também. Por isso, é preciso melhorar as estradas e, ainda, ter mais opções aéreas.

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Atualmente, há três projetos de aeroportos apresentados no Estado. O de Vila Oliva, em Caxias, que deve iniciar as obras no ano que vem. Além dele, o de Canela e o 20 de Setembro – no Vale do Sinos. “O Rio Grande do Sul não pode ter só um porto e um aeroporto. Não tem mais cabimento isso. A gente precisa que as rodovias sejam pavimentadas, bem-cuidadas e bem-estruturadas, para que o turista tenha acesso seguro”, assegura.

“A gente não vai conseguir ter o fluxo e a demanda necessária para atender toda essa oferta turística da Serra gaúcha se não tiver uma estruturação”, cita Rafael.

Ele cita a pavimentação da RS-476, ligando a Rota do Sol com a RS-235. Uma terceira pista na RS-020, entre a cidade e Taquara, assim como entre Três Coroas e Gramado. “Passou da hora de existir uma Rota do Sol menos colapsada. E, para isso, tem a RS-484, a Serra do Umbu, que é um lugar incrível”, destaca.

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Qualificação da mão de obra

Pensando nessa São Chico do futuro, a prefeitura tem realizado parcerias com universidades. Um plano de ação até 2050 foi construído com a UCS, assim como outras estratégias com a PUC, principalmente, em relação à qualificação da mão de obra.

Entre as medidas que estão sendo adotadas, a construção de um plano de marketing e a criação de uma escola de turismo na cidade – junto com a iniciativa privada -, bem como o lançamento da disciplina de turismo nas escolas, que deve ser colocada em prática a partir do ano que vem.

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“Precisamos trabalhar o turismo como essência, modificando a cultura da cidade para que esteja cada vez mais preparada e também olhar estrategicamente para termos um local de treinamento, de qualificação da mão de obra para atender o turista”, diz Rafael.

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